poesias, prosas, desabafos, comentários jurídicos e outros pontos e contos. Contato: idiliooliveiraaraujo@outlook.com ; idiliooliveira ( Skype ) ; idílio araujo ( facebook )
segunda-feira, 18 de junho de 2012
TUA
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Pingo
eramos espaços contínuos
dois pingos e um infinito mar
descobrimos o encontro estático
entre a infancia e a adolescência
tinhamos linhagem real e as flores da loucura
vivemos de surpresas previstas
em um canteiro de dúvidas
e fomos amigos
a quantidade de significados
que se acumularam em nossa juventude
vale por anos de calmaria
como se hoje tivessemos às mãos vazias
e vez por outra
gostariamos da simplicidade
de nossos risos de descobertas
quando juntos caminhavamos
eramos verdadeiramente
amigos
amigos que se amavam pelo simples
pelo espaço que percorríamos juntos
pelo sonho da eternidade de cada dia
que Deus te guarde meu velho amigo
e que cada dia possas tu sonhar
na certeza de que um dia fostes
Pingo
Idilio
quarta-feira, 6 de junho de 2012
FABULAÇOES

meu mundo escorre
eis que é tinta
minha alma queria apossar-se de você
e sugar teu hálito
o teu sangue
a tua vida
mas
meu espaço celeste
recusa-se a beber tua alma etérea
eis que nunca desci à lama da mentira
e não posso descansar em um paraíso
longe de ti
meu sol
meu espaço
meu silêncio
o ruído que espanta as palavras
grita sem cessar dentro de mim
eis que é chama
e aquece meu medo
de perder-te para sempre
nos labirintos do meu silêncio
foram muitas as minhas amantes
e nem todas me possuíram
mas aquelas que o fizeram
observaram um frêmito quase silencioso
em que minha alma se contorcia
como em uma aurora
porque me olhas assim?
teus olhos me fizeram errar o passo
pois são ao mesmo tempo
terno sorriso e culpa
que se sucede
como fabulações
do teu próprio inconsciente
idilio
segunda-feira, 28 de maio de 2012
apetite voraz
da boca que louca
geme
na hora do salto
tenho fome da voz
da pele úmida
que exala teu cheiro
e um apetite voraz
pra devorar lentamente
cada ponto de nós
tenho desejos insanos
pensamentos profanos
e um apetite voraz
de morder cada palavra
que a tua lingua derrama
tenho sede insaciável
de sugar cada gota
que escorrega em nós
e devorar lentamente
com apetite voraz
idilio
quinta-feira, 24 de maio de 2012
MENTIRAS
que fecham a porta e que se derramam
como lágrimas
e saem pela boca sem palavras
mentiras que eternizam a alma
e deixam rastros na nossa história
e misturam sentimentos como tintas
e pintam os restos de nós
mentiras que anseio dia a dia
sussurradas pelas linguas
e lavadas pelo corpo como imas vivas
que escorrem pelas pernas
mentiras pelos olhos
amores tropegos
vidas vazias
mentiras que anseio
todo dia
idilio
terça-feira, 22 de maio de 2012
anjo
que lençóis brancos você deita?
as águas correram turbulentas
porque não viestes mais cedo?
e porque me arrastas com o teu poder
para os campos de Boaz?
também não trago no coração
as esperanças da rega
o rumorejar do vento taduz meu pranto
mas não há desolação
não vês que tenho as mãos vazias?
em que furna da minha alma teriam sumido
os mistérios da lagoa da nossa alegria e juventude?
vê! anjo
neste instante de submissão ao fascinio dos teus lábios
o nosso passado renasce das minhas cinzas
quando voas entre as minhas lágrimas de saudade
quando penetras meu quarto e deitas ao meu lado
quando a flor tatuada em tua alma
umidesse teu corpo mortal
e clamas enttrementes por mim
meu anjo azul
idilio
quarta-feira, 16 de maio de 2012
AS RUÍNAS DA JUSTIÇA
Entre as ruínas que se escondem atrás das fachadas
podem presentir-se a turbulência dos que tentam maquiar a face oculta do medo.
Vivemos pois um tempo de insegurança em intervalos de tempo de preparação.
O problema mais intrigante que a juatiça hoje enfrenta
pode assim ser formulado:
vivemos em um mundo onde se há tanto para amar
que tornou-se difícil doar o que mais se tem pra dar
Não parece que faltem no mundo de hoje
situações ou condições que nos suscitem desconforto ou indgnação
e nos produz inconformismo.
Basta voltar os olhos
em um mundo de uma justiça pendente e direcionada
por mãos sujas de iniquidade e avareza.
No que respeita à promessa da legalidade
ou da hermeneutica sem desvios
tão eloquente,
as violações da moralidade assumem proporções avassaladoras.
Finalmente
um julgamento justo tornou-se uma cruel miragem nos sepulcros caiados da justiça.
A fé essa enumeração breve da certeza
torna-se parcial
em um desconforto ou indgnação suficiente
para nos obrigar a orar aos céus
Senhor do Universo
permita-nos sermos justos
e viver em honestidade
ainda que a sombra da morte
seja suficientemente presente
ainda que a ferrugem transforme em pó
a moralidade
ainda que a corrupção se torne banal
não permita Senhor
que o homem sinta vergonha
da honestidade
idílio
um pouco de segurança em nossas vidas.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
a ilha do dia anterior
vivi assim
na ilha
amei frases e olhares mudos
toquei teu corpo
minudentemente
vivi assim na ilha
impunimente
vesti tua iris com o meu fado
misturei as nossas tintas
no teu vestido
vivi assim na ilha
prudentemente
extrai do teu seio fragmentos do meu tempo
e que tempo amei teu viço agreste
vivi assim na ilha
e por vezes
sutil
fujo de mim
e me encontro
na ilha da nossa saudade
idilio
sábado, 5 de maio de 2012
negros olhos
negros olhos que não perderam a profundidade noturna
um instante de fragmentos do meu tempo
e o meu amor que deixei atrás da porta
a fúria animal dos teus olhos que me devoravam
com sofreguidão de um fauno
depois da noite em que voltava pros teus braços
se errei não me justifico
as palavras podem enlear-nos em sua rede
e o tatalar de uma palavra em teus lábios
pode despertar minh'alma
e o sonho pode ser veneno que enfeitiça os goyin
e podem ser chamas em línguas que cantam
e por frágil podem iludir além do meu sonho
e podem lançar chamas sem sentido
idilio
resposta a resposta do tempo
que não soube amadurecer
vivo à margem do tempo
calado e não sei passar
recordo um amor que perdi
que me aprisiona e não desperto
e dia a dia morro de amor
pra tentar reviver
e nem sei me esquecer
e meu tempo se esvai
e no fundo não se tem mais tempo
de se amar eternamente
e quem vai poder me esquecer ?
idilio inspirado na resposta ao tempo
terça-feira, 1 de maio de 2012
Zoé
porque não me sugas a vida pelos lábios
não vês que os olhos não penetram no meu corpo
apenas embriagam por um instante o meu coração
e como pode um instante ser longo assim
como pode a minha agonia ser asim tão lúcida
se já não falas mais
nem mentes pra mim
por acaso ouvirás o que digo?
o amor não é silêncio
estarei delirando ou tudo isso é real?
não sentes que deliro
e que meu dia é pesadelo e a noite sonho
ouço ruídos dentro de mim
estertores e gemidos
e ainda assim cada átimo de lembrança
é uma vergastada eufórica e enfadonha
Por onde andas Zoé
se em meu instante tu não mais estais
e ouso queixar-me
porque levastes a chave de mim?
meu pranto é triste e rude
pois me olhastes nos olhos
hoje
o meu amor é escárnio
e a minha esperança opróbio
caminho entrementes perdido
sinto a ausência imaculada do beijo
sinto o toque da carícia plena da voz
sinto a lágrima que espera
o tempo certo da volta
sinto Zoé
hoje apenas sinto
e sou um poço de solidão
em réplica antecipada do amor que vivi
Por onde andas...
idílio
terça-feira, 17 de abril de 2012
a mesma página
virei mais uma página do mesmo livro
em uma mesma história
o carinho da mesma menina
o mesmo ladrão
sou compositor da mesma sina
e padeço na mesma esquina
escrevo a mesma história sem fim
sem mim
virei mais uma página do mesmo tempo
em uma mesma esquina estanquei meu medo
padeci no mesmo colo
o dolo de querer sem fim
sou poeta da mesma rima
e escrevo meus medos como metáforas frias
tenho poucos leitores de mim
mas mesmo assim
viro páginas
não as deixo vazias
idilio
segunda-feira, 16 de abril de 2012
ferrugem emocional
imaginei lágrimas que jorram
de cada sentimento torpe
mas não visualizei na íris dos meus sentimento
a dor árida da violação total
sem lágrimas
é dimensional o escavar lento das emoções
e ver-se exposto às devastações de sentimentos
e saber que estamos nos tornando algo débil
emocional
o colapso mais abrupto
a dor enfurruja
e a emoção vira pó
antecipa-se o amanhã em uma lentidão que enfada
e vive-se nessa lentidão seco de sentimentos
e vazio de lágrimas
imaginei a espera dos justos
imaginei o meu dia
sem ansiedade pela perda futura
imaginei as raízes da minha espera
e quedei mudo diante da porta
idilio
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Rupturas do desamor
não é o desamor em si
mas as consequências da rivalidade
entre o bem e o mal
A colonização gradual do mal
que emancipa
é mel na boca dos tolos
e a racionalidade do dia a dia é instrumento de desamor
a promessa da dominação do amor
e do seu uso para o benefício do homem
conduziu a uma exploração excessiva
e despreocupada dos relacionamentos
para entender o desiquilibrio das famílias
devemos ter por ponto proemial
a busca da emancipação que leva ao esquecimento do outro
em uma assimetria entre a capacidade de amar
e a capacidae de crescer
o risco é perceptível e provoca rupturas profundas
e de repente a solidão passa a ser desejável
idilio
a fragilidade do desejo
eis que vício
satisfaz em tão breve tempo
que fragiliza sua resistência
tornemos frágil o desejo
pois que pernicioso
adoece a resistência
e escraviza a alma
que dormita ao se alimentar
da vontade insana
os olhos são portas pra alma
eduquemos as portas
e fortalecemos as resistências
eis que o vício é vomito
na boca dos insanos
idilio
quinta-feira, 22 de março de 2012
descompromisso
de beijos desesperados
de corpos exaustos
do descompromisso
o amor precisa de rastros
de embalo arrastados
de gritos mágicos
do descompromisso
o amor precisa de nomes
de sabores sem culpas
de descanso do descarinho
do mito e do rito
do descompromisso
o meu amor precisa do desperdício
da lembrança e do futuro
o meu amor é vício
idilio
terça-feira, 20 de março de 2012
lembra de mim
e vez por outra
lembra que se quis
amar demais
e entre os lagos que espelhavam
nosso silêncio
e os espelhos que nos viram
em noites frias da serra
em que pudemos dividir
o sonho
e uma espera
lembra assim
pois hoje te vi
e revi tua imagem diante do espelho
a implorar o beijo
na flor
do nosso idilio
e assim
senti
o cheiro da boca e do medo
lembra de mim
idilio
sexta-feira, 16 de março de 2012
às vezes penso em você
estou sentada e escuto tua voz
quando cantas necessariamente pra mim
e em mim
ainda assim espero a tua chegada
quando vens e quando partes sem mim
mesmo sabendo que cheguei sem olhar teus olhos
e por vezes penso em você
e quero viver as coisas que agente não viveu
e sonho imaginando coisas que agente viveu
às vezes entro na sala da nossa vida
e vejo que tudo era começo
tudo era amor supremo
como deveria chamar teu nome
Jáne m sei
negar que te amei
idilio
terça-feira, 6 de março de 2012
mãe
sentada olhando a janela da minha alma
e me ensinando a andar pelas veredas tranquilas
mas meus olhos sempre abertos
já podem te visualizar no fim do dia
velando pelo meu sono
para que minha'lma descanse no teu recomeço
que voltas e me esperas
bem sei
que sonhas para que meu caminho seja igual ao teu
bem sei
que cantas para que minha lágrimas apenas lavem a minha esperança
bem sei
quisera abrir os olhos e entender que és porto seguro
e que chegou a minha hora de navegar tranquila
em águas que preparastes pra mim
não
não permitirei que a minha lágrima ofusque a tua visão
caminharei entrementes segura
e vez por outra
te encontrarei na terra dos sonhos
e lá deitarei em teu colo
na espera de um novo amanhecer
quisera
quisera
te encontrar nos braços de Deus
idilio
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
limite
ou seria o começo ?
Deus é o meu limite
o meu começo
Nele vivo
e além
existo sendo anátema perdido
Deus é o meu tempo subjetivo
o meu tempo de consciência
sem Ele fui tempo perdido
limite do amor profano
tormento retirado do seio do tempo
o limite não é aquilo
em que algo acaba
mas
a partir do qual
algo começa
Deus é o meu limite profundo
Idílio
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Pérolas para ostras vazias
Quem não asilou o corpo enlanguescido
diante da memória em padecimento
dividindo o olhar entre o firmamento e o alvorecer das injustiças
que tornou apático o seu dia
Não seria indesculpável temeridade deixar a ansiedade se alojar
em sua esperança e fazer-se desdita desmerecida?
não seria apático o presente esfomear-se diante do pão da vida?
crer é o princípio do desapego da cela corpórea do mundo físico
é alicerce para a glória futura em um aperfeiçoamento moral do mundo
é a desintegração das trevas
Cristo é o sol dos nossos destinos
é o pão da vida
alimento único que dissipa a nossa fome de justiça
Eu sou o pão da vida quem de mim se alimenta por mim viverá ( joão 6:57)
indiferente aos perigos da viagem caminhe na certeza incondicional
de que Ele vive em você e por você
alimente-se do pão da vida e não mais tenha fome de esperanças
e nem viva transido de assombro
idilio
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
eis-me aqui
diga-me !
sem mágoas
que queres de mim ?
se nada por mim
ou de mim levarei
por Ti
se não
meu temor
e lágrimas vertidas
palavras feridas
sem querer
mas por ter que
descansar
em tuas mãos
não sei nem terei
lembranças de ti
pois
a tua presença
é tão constante
que não podes
não ser sentido
minuto a minuto
bem aqui
bem dentro
de mim
eis me aqui
idilio
sábado, 28 de janeiro de 2012
sobre o amor
não se pode falar sobre o amor
mas dentro do amor se explica
a magia de amar
amar é forma de interrogar os sentidos
pelo movimento que se encontra
os diferentes nas semelhanças inusitadas
dentro do amor se ergue o seu púlpito
e faz-se uma leitura analitica do futuro
aclarando a resposabilidade dos protagonistas
faz-se do seu altar um lugar
onde se consome as ilusões de completude
dentro do amor
quando nada acontece
há um milagre que não estamos vendo
é a cegueira dos amantes
o sentimento vivo
na linha difusa
entre o bem e do mal
dentro do amor
torna-se eterna a razão
e não podemos
viver nada do amor
sem o amor
idilio
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Helena
fugindo pra perto de ti
teus pés descalços e a rua molhada
entrei na tua casa
e foram tantos anos de espera
que nem lembro a cor dos teus olhos
beijei teu tempo
e de tão distante de mim
imaginei a dor de te ter tão minha
mas em um tempo diferente
caminhei lentamente no teu espaço
e em poucos dias transformei
o futuro em pretérito
esvaziei o presente
e fiz um tempo diferente
Helena
vou te chamar de Helena
e rever teu olhar agustiado
de expectração
quando deitei em tua cama
enquanto as claridades opalinas
da lua não haviam esperado
o fechamento absoluto
do leque imenso da noite
diante de seus olhos Helena
deixei transparecer o jardim
que escrevi teu nome
foi nesse instante
como se estivesse sob o império de estranho
e suave magnetismo
ouvi teu prazer desabar em mim
revelando ao mesmo tempo
uma melacolia majestosa
e em meu coração
marulhavam ondas de sentimentos
que até então eram-lhe ignoradas
não fugi de ti Helena
nem morri da solidão da noite
mas sou servo em um sentimento acrisolado
e procuro o crepúsculo
porém digo a ti helena
em minha voz quase melíflua
para sempre
escrevi contigo
uma das mais belas páginas afetivas
no livro das nossas vidas
choro
mas minhas lágrimas não são de compunção
e te peço silenciosamente
não me prives de continuar te amando
como louco que finge a sua desdita
julgueis o meu sentimento
pois
os que não julgam esquecem
Helena
Idílio
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
namorados
namorada
queria me ver
em você
ser tua escrava
tua vara e condão
teu refrão
queria viver pra você
namorado
ser tua dama
teus projetos e teu espaço
caminhar ao teu lado
ser cidade
o látego da tua crítica insidiosa
e contundente
magoar-te
e morrer mil vezes
ao teu lado
ser teu gênero de tortura
ser tua flor viva
e reter-te no tronco
do nosso destino
ser tua
namorada
teu asilo e fuga
apaziguar teu gozo
quando atormentado
me pedires pra ser tua
queria ser tua cela
e tua dor
no fim do mundo
namorados
eternos namorados
idilio
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
a lágrima de um homem só
o amor sem toques
o beijo sem língua
imagine o amanhã sem voltas
o homem sem desejos
a boca sem o grito
imagine a dor sem cura
o medo sem espelhos
a vida sem sonhos
imagine a lágrima
que inunda a face
de um homem só
idilio
além
bem dentro do peito
e sem medo caminho por estradas
nunca dantes pisadas
espero a tempestade passar
e meu coração descansa
em tuas mãos
sei que estais aqui
e isso é suficiente
meu medo perde-se nos teus segredos
e o amanhecer é espera agradável
nada temo
pois nada espero
além
e durmo tranquilo
idilio
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
patricia
amei teus medos
vivi tuas promessas
fui tua dama
fui drama
vivi por teus segredos
e hoje
me abandonas
por terras que nunca vi
fui tua artista
teu gozo e pavor
fui tua patrícia
andei teus começos
mas teus tropeços
não pude viver
fui
teu pretérito perfeito
não foi fim nem começo
fui só
e sozinha
fui pátria e triste
fui teu berço e odor
fui amando teu nome
mas fugi pra outro endereço
teu jeito
teu peito
fui andando sem jeito
de te encontar
hoje sou só um nome
no teu novo endereço
Patricia
idilio
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
razão
Evidente que o tempo é portador das descobertas e da eternidade para as coisas que se entranha na alma, mas também é poeta das minúncias efêmeras e o único que diz quando tudo cala, mas viver no tempo presente é sinfonia adorável,apesar das consequências de um presente sem futuro certo ou palpável.
Digo que continuei querendo, apesar de semântico o meu querer e vivê-lo em retorno é suplício adorável, mas desagradável aos olhos da eternidade.
Entrei, repito, mas não o disse que saí, pois esse volver é dependente do tua vonytade e não do meu querer, eis que a vontade é o querer em ação, com um fim determinado. na verdade só tu sabes se saí, e a mim me cabe entender que a minha única ação foi entrar e instalar morada na casa da tua alma.
Mas afirmo como um sim, espero dia a dia entender ou sentir o prazer lacônico de ter permanecido como um nome em tua história.
Idílio
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
infidelidade
ainda que cansado já não sentisse teu cheiro
ainda que o suor derramasse
por entre sonhos e dedos
queria teu amor
mesmo que efêmero teu quer
mesmo que nada
aparentemente nada
continuasse sem nós
queria sentar
lado a lado contigo
mesmo que por entre teus lábios
penetrasse meu mundo
mesmo que nada tocasse
teu medo
queria namorar na tua sala
mesmo que teu filho andasse
por entre nossos corpos
mesmo que acordasse
no meio da noite
e tivesse que fugir
antes de acordar o dia
queria
queria
e nada diria
nada presentia
no fim da nossa história
idilio
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
amando sobre letras
te ensinando os nomes
que inventei
e te dei
fugindo das cores
que misturamos
quando juntos
fingimos
que nossos olhos viram
deitando em camas
que não plantamos
sobre os restos de nós
e misturamos
amor e prazer
magoando nosss voltas
pelas portas
que abrimos
nos inventamos
seguindo por terras
que ousamos pisar
mas
amamos
cada boca
cada planta
cada espaço
que moldamos
cada sonho
que planejamos
e vivemos
amando
idilio
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
solilóquio
e olhar outra vez teus olhos
de soslaio
depois da volta
que a porta fechada retirou
da máscara
o tenebroso abismo
que conspurcava do mundo físico
quem dera
além das fronteiras
de sombra
a nesga de neblina apagada
encontre o repentino
clarão da aurora
voltei
transido de assombro
deixei as lágrimas levarem os escaminhos
da minha alma redivida
olhei teus olhos
dentro do meu coração
obrigado pai
por mais um dia
oh! milagrosa lixivia
que purifica nossas chagas
de vaidade e ilusão
oh! solilóquio doloroso
quando a fé esmorece
e vira grão
a vida é linda sim
e olhar outra vez
nos teus olhos
é milagre
depois da volta
é prazeroso depois
muito mais do antes
de quando a porta fecha
atras de todos os olhos
idilio
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
esperas
não tenho que ir agora
espera
tem tanta vida
por ai
espera
é só um momento de espera
tão rápida que dura uma vida
mas
espera
não busque outro amor
espera
não queira outro nome
não escreva uma nova história
na vida
quimera
não
não queira viver
buscando metas
não resta nada sem nós
espera
talvez ainda volte
talvez nem vá
nesse novo tempo
que me espera
existem setas e curvas
nem sei se tem estradas
retas
mas
sei
se eu volto
me esperas
idilio
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Ecos do futuro
olho o ocaso e nesse emaranhado de cores
calo a minha alma e minha ãnsia por viver
e permanecer na noite que nasce
tenho medo dos ecos do amanhã
e nem sei
se ao fechar os olhos
quando a aurora distilar alegrias
estarei lá
a contemplar a manhã que renasce
fala oh! poderoso Senhor
e guarda o silêncio
quando arde aqui
um fogo devorador
tenho a esperança nas mãos
e as promessas das lembranças
tenho a vida
e ainda assim
tenho medo
dos ecos do amanhã
idílio
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Compositor da vida
desfrutei cada espaço
que desenhei
vivi intensamente
uma a uma
das vidas que passei
senti passo a passo
pelas ruas que andei
cada instante da minha
longa e breve estrada
senti na alma
o peso de ter conquistado
e a leveza de ter conseguido
e em cada não intensifiquei
e em cada queda
orei suavemente
outras
intensamente
mas nunca
inutilmente
segui por estradas que não sonhei
mas aprendi notavelmente
na câmara escura que escolhi
chorei
amei
e vivo permaneci
em cada pedaço que cai
e no quadro de um denodado fazer
escrevi textos de prazer
e na semântica metafórica
de tudo querer
semeei
colhi
desfrutei de escolhas
e foram tantas escolhas
que nem sei
se escolhi ou se segui
mas sei que vivi
e hoje
aqui
sentado diante de mim
espero o trem que não vem
mas digo
sinceramente
como é prazeroso
esperar sem saber se vem
pois nessa espera
posso compor
a vida que escolhi
idílio
domingo, 11 de dezembro de 2011
a boca e o beijo
a boca grita
o beijo rir
o beijo foge
a boca fecha
o beijo reclama
a boca canta
o beijo espanta
a boca pede
o beijo morde
a boca
o beijo
a boca esconde a língua
a lingua explora o beijo
o beijo canta
a boca reclama
o beijo vive na boca
a boca espera o beijo
a boca
o beijo
a boca é o beijo
o beijo morre na boca
e espanta o medo
a boca derrama o prazer
do beijo
no beijo
pelo beijo
que a boca canta
a boca
o beijo
o beijo inunda a boca
a boca contém o beijo
não existe beijo sem boca
e boca sem beijo
é morta
dexa se der porta
é pântano
o beijo
na boca
a boca no beijo
idilio
o peso do futuro
o grito do mar ecoa entre as paredes do meu quarto
o frio da alma espera
e meu mundo derrama por entre as frestas
do meu corpo
quisera
quisera voltar e correr llivre
nas serras do ororubá
sem planos
sem ter que voltar
sem o peso do futuro
sem muros
sem mar
andar andar
menina que sonha
menina que espera
sem ter que voltar
sem o peso do futuro
só
sozinha e solta
sem lar
sem esperas
sem ter um dia presente
mas todas as coisas
sem sofreguidão da alma
quisera
namorar no final da tarde
me apaixonar todo dia
ter a minha íris
na íris dos olhos
de Deus
idilio
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
dez anos
e em cada dia
eu vi seu rosto
e os meus anos passaram
dia a dia
entre o meu e o teu mundo
o tempo não dilacerou o impulso inicial
e um a um somou
o infinito da nossa causa
assim se passaram dez anos
e cada lágrima foi dividida
cada riso somado ao todo
da plenitude da magia do viver
em dois extremos
e fundamentos
de uma casa da paz
assim se passaram dez anos
e ainda assim
eu voltaria ao seu portão
em um recomeço
para trilhar cada espaço
que desenhei com você.
idilio
dimensão semântica da dor
e por ser sentido
reflete no outro
de maneira proporcional à afetividade
dói mais por refletir
e não por ser sentido
pois no momento que infere
no outro
por ser o outro querido
causa indubitavelmente
sofrimento
em quem a sente
a dor é um sentimento
reflexivo por causa
metafórico por ação
conectivo por essência
idilio
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
o "cuidador" de conchas ( Velho)
nao por patologia
mas por saber
que tudo é efêmero e simples
que a pressa
até no pensar
é pouco
quando se quer a calmaria
no olhar
vivo, sinceramente,
de recordações
mas como é prazeroso
viver além do presente
ainda que pareça enfadonho
mas é vida real
mesmo que olhando
pela janela do esquecimento
amei cada história
que protagonizei
não fui pouco nem muito
mas fui
e isso é suficiente
nada espero
nada quero
apenas sinto a criança
que fui
gritar bem dentro
meus medos e descobertas
quem nessa história lembraria
de meu sonho infantil
das minhas esperanças
e das vezes que fui
unicamente criança
e tão privativamente importante
andei
andei
se fui alegre ou triste
nem sei
só sei
que amei
cada espaço
que juntei
idilio
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Meu
te esperei toda noite
sempre tua
e te amei como amam as loucas
despi meu medo
e abri meu corpo
como virgem
descansei meu desejo
em ti
e você quase nunca volta
e quando derrama seu segredo
sempre bate a porta
e foge pelo meu corpo
e deixa marcas
no fim
que amor é esse
que entorpece a sanidade
que me esqueço
e me perco como fraqueza
sem ti
mas você
é quem ama em perigo
é meu abismo e vestido
e nem sei
pensar em pensar sem você
idilio
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
DEUS
sem nunca ter perdido ou pedido
busca, ainda que nada falte
e ama sem desassossego
quem de tão oculto é tão presente
e mesmo cavanda a ruína do soberbo
repousa em silencio
aperfeiçoando com zelo
a ira dos fracos
quem simutaneamente contém cada parte
e é o todo e contenta-se com nós
quem és se me deixas
simplesmente
repousar em vós
idilio
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
a dor que cala
não que queira esquecer a sensação
estranha de visualizar
um amanhã sem nós
os dias estão aí
nenhum fogo aquece
mas o frio é amável
e assim descobre-se
que não se é imortal
a garganta seca
e a dor cala
de repente é só o vazio
e os dias?
quisera entender
que é suficiente viver
idilio
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
a casa vazia
o meu grito ecoa no escuro
a minha tragédia conhecimento
a minha crítica preocupação
imagine a porta aberta
e a casa vazia
imagine as paredes nuas
e num canto
a estante
cheia de livros gastos
imagina as traças e as aranhas
e uma poeira insurpotável
mas mesmo assim
tu saboreias a leitura de um livro raro
e te pergunto
o que consomes?
será teu reflexo
por entre narinas e sonhos
ou será a casa vazia
que consome o teu dia
o meu grito é santo
mas minha angustia proteção
idilio
funeral
olhando a Ti
Senhor meu Deus
esteja sempre
sempre perto de mim
porque partir
se a vida é
uma grande esperança
Senhor
Senhor
minha estrela da manhã
não
não
não me deixes chorar
porque
porque
porque
meu coração
esperou tanto tanto
e é sempre assim
a dor em mim
mas a alegria do infinito azul
que teu olho vê
meu grande abismo
e iluminas a escada
do meu amor
que caminha para ti
poeque
porque meu Deus
tirastes de mim
meu único bem
e ainda assim
estou aqui
Senhor meu Deus
porque
porque
porque
idilio
domingo, 13 de novembro de 2011
meu
que seja eterno
ou que dure o tempo certo
de um dia?
dirias!
que seja breve
mas que seja meu
idilio
SOLIDÃO
triste momento
só um instante
e um barco esquecido
uma lágrima rompendo
em mim
as invenções
dos meus ais
o meu amor e o meu mundo
o meu despertar
e a impossível volta
à terra do antes
como viver apangando o passado
se em mim a ferida grita
por dentro
e que deixou atras de si um
mundo todo
e o barco
e a praia
seria o amor o lamento
seria a vida a escola
o aprendizado no decompasso
da unidade
as voltas
o presente
estaria tudo reunido
ao se fechar os olhos
e nada ver
e o barco
e a praia
idilio
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
nosso abismo
eu vivi cada momento
com o meu único e último instante
eu amei cada palavra
assim como um instante
do meu mundo
senti em cada instante
que o momento
meu único
estava caminhando para o lugar dos sonhos
o lugar que buscamos
quem somos
eu amei
cada boca
cada segredo que a boca canta
enganei e me enganei
e em tudo me encontrei
e nas esquinas
fiz nascer poesias
por onde andei
imaginei pontes
e uma tristeza intragável
exibiu meu protesto
hoje visualizo ao longe
o abismo em nós
e te guardo escondida
dentro do peito
como o lábio que esconde a boca
idilio
idilio
entrelaçados entre o bem e o mal
entre a dor e o riso
na lágrima vil megera
em qualquer face
que purifica o espírito errante
e no conhecimento do amor
o dever de um vir a ser
é uma linda jornada
entre o conhecimento e a certeza
na utopia alcançável
de ser anjo
na dúvida da ascenção
entrelaçados entre o bem e o mal
Idilio
dois
ou perquerir o verdadeiro
mas ficaria sem respostas
pois
perguntas e respostas são conveniências
ou desejos
mais ainda assim
nesse dilema pobre ou terrível
em momentos estanques
os opostos são variáveis
poderia dizer-te das vezes que fui bom e amável
e vi destruído meus propósitos de virtude
poderia dizer-te
quando sobrevivi entre o bem e o mal
mas
fui feliz e chorei
idilio
a dor das paixões
de mulher te fiz
mjusa das minhas canções
e como um deus que já sabe
qual o destino que me cabe
desfruto
da dor das paixões
idilio
drama da dama
frias mulheres
todas promessas vis
em um cio frenético
a depositar seu corpo
cético
em mãos também sem cor
que não tem olhos
para svisualizar a dama
que se engana
e derrama o que restou pura
o seu desejo de ser lua
toda noite
sua
única e nova
lua
Idílio
rastros
não te culpes
se o sofrer te corroe a carne e o espírito
não te culpes
não fiques por isto
em desalento
mesmo que chagas mascerantes
te desnude o peito
ainda assim serás luz imortal
e não precisas prosseguir de rastros
e os teus olhos são dois astros
e falam de amor
nem que te pese horror terrível
não te culpes
Idílio
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
não me faltará
não me faltará
não me faltará
não me faltará
Ele vai me guiar
e em águas tranquilas
vou descansar
não me faltará
não me faltará
se o Senhor é meu pastor
não me faltará
idilio
terça-feira, 1 de novembro de 2011
amanhã
talvez amanhã
no despertar depois da partida
e haverá partida
nem sei se amanhã
mas
ainda assim
amanhã
em algum lugar
não posso despertar
olhando o que deixei
ah!
se houver amanhã
que seja sem passado
que meu peito não sinta saudades
que meus olhos só vejam
o despertar da manhã
e se amanhã chegar
que fique
nada de lágrimas
ao fechar os olhos
se esquece
adormece a alma
amanhã
se houver amanhã
que não esqueçam
de mim
Idílio
sábado, 22 de outubro de 2011
O vazio em nossas mãos
eu bem que poderia esperar muitas vidas
mas
não a vida inteira
tarde demais a tarde de nós
e como poderia existir
algo de nós sem nós
mesmo uma tarde
não tarda pra nós
e nada de nós
sem nós
tarde demais essa nossa festa
eu bem que te avisei
que não poderia te esperar
uma tarde inteira
tarde
é tarde pra nós
eu bem que procurei
te sentir aqui
sentada
a tarde inteira
desejei-te
palusível à espera da mão
mas aceitei o vácuo
na palma da nossa mão
tarde demais
o espaço vazio
o imperativo cósmico
o abandono dos sonhos
a noite inteira
a nossa criação imperfeita
o nosso amor politeísta
e o vazio em nossas mãos
Idilio
terça-feira, 18 de outubro de 2011
A Silfides Zii... Cap. 1 e 2
Capítulo 1. Zii
No reino dos elementais encontrei Zii, uma sílfides de estatura pequena e dotada de intensa percepção psíquica.
Zii tinha uma forma indefinida constituída de uma substância etérea absorvida dos elementos da atmosfera terrestre, com olhos bem definidos de uma melacolia apaixonante.
Conheci Zii em um momento de grande tristeza que se alojava em minh'alma, como um vírus que chega mansamente e se não combatido, entorpece o corpo a patologia fica evidente.
Chorava, e me encontrava sozinho em uma montanha perto do mar, lá o vento trocava carícias silencioso em minha face levando minhas lágrimas para longe do meu corpo como um prenúncio de alegria ou de desprezo pela tristeza.
Quase que encantado com aquele falar murmurante do vento, ouvi quase que imperceptível sorriso, como uma criança que brinca e gostosamente ama aquele instante de alegria.
Ela brincava e rodopiava por entre meu corpo e corria por entre meus dedos e braços como a me enlaçar em um abraço. Repentinamente ela parou à minha frente e flutuando fugiu como um raio em direção aos céus.
Levantei já esquecido da minha dor e curioso procurei a luz que dançava para mim.
Ela voltou rapidamente por traz de mim e girou por entre meu corpo em direção ao infinito e senti seu beijo em minha face.
Ouvi um sorriso e o seu nome ..Zii...
Capítulo 2. O passado
É intrigante além de fascinante, encontrar eventualmente Zii em meus sonhos. Evidente que escrevo a sua fala e a sua história, ao amanhecer.
No início ela plasmou o passado bem aos meus olhos carnais e com um leve sopro permitiu a fascinante evaporação do passado no presente e em uma rápida incursão voou pelo vazio deixado e pintou como um escrito no plasma cósmico..o passado não existe para Deus...
Devo lembrar aos leitores, que os Elementais são seres escritos pela natureza e Zii vive unicamente na atmosfera.
O passado não existe para Deus.
E subitamente ela verteu uma lágrima, uma única lágrima que estampou e encantou o seu minúsculo olho.
Quando a lágrima caiu e se derramou por entre as encostas da sua face, Zii voou rapidamente e ao longe gritou
- A lágrima é o teu passado, levou para sempre as tuas angústias e não existe mais, não nos planos de Deus.
Entre vários vôos em piruetas Zii deixou plasmado na tela do infinito a história de uma lágrima que em tintas que escorriam pelo plasma me falavam assim:
Sou uma lágrima
Nasci escondida em milhões de esperanças.Apesar de única, por ter minha individualidade e meu livre arbítrio, estive igual a outras tantas lágrimas, por longos períodos.
Evidentemente nasci para um propósito, não um único, mas um por excelência, morrer para aliviar o sofrimento e a dor de um outro ser, aquele que me conteve em suas entranhas.
Quando lá estive, no nascedouro de mim, distribuída entre minhas irmãs, parecíamos um grande rio, mas cada uma de nós éramos única, e sabíamos o nosso encontro derradeiro, do nosso propósito, do nosso fim.
Eis que desde a concepção vivíamos e nos ensinaram esse objetivo em nossas vidas, o de servir para desentoxicar o coração do nosso portador maior, outros mais românticos, que viviam entre nós, nos viam como os únicos seres no universo capazes de lavar a alma insana do filho do filho, outros, pragmáticos nos ensinaram a amar nossa causa, pois vez por outra, uma lágrima perdida poderia ter outra finalidade, outro objetivo, menos dignos, como o de morrer por nada.
Crescemos na ilusão de uma vida futura, após a caída final renasceríamos na terra, nos frutos, nas sementes, mas eis que deixaríamos a nossa essência, não mais seríamos lágrima, não mais seríamos únicas.
Eis a minha dor, nessa minha história. Não suportava deixar de ser eu mesma, deixar de ter meu livre arbítrio, deixar de ser uma essência única.
Que vivesse em preparação para a derrocada final, quanto mais imaginava a chegada ao olho, mais sofria com o depois, a total falta de certezas, ai como me doía não poder participar de uma vida com as minhas queridas irmãs, outras lágrimas, outras e outras.
A busca
Resolvi protestar, gritar por esclarecimentos reais.
Convoquei uma assembléia. A primeira assembléia das lágrimas.
Iria exigir o conhecimento do depois. Afinal éramos preparadas durante toda a vida para o momento da descida na íris e o escorrer pela face sofrida, mas ninguém esclarecia o depois, nem mesmo as lágrimas contidas, mais experientes, que haviam visto o mundo exterior e voltado pelo canal da partida, nem elas sabiam do depois.
Nos reunimos próximo ao coração, pois lá era o melhor local para uma reunião sobre o depois, afinal o coração é o órgão da razão, não das emoções como pensavam as lágrimas que deixaram sua sabedoria para nós. O coração é o único ser que guarda na memória a gratidão pelo nosso esforço em aliviar a sua dor, a dor do coração, éramos nós, as lágrimas o bálsamo para o coração partido, a plenitude para o coração feliz.
Gritei, como um corpo látego, como um menino perdido...
- Irmãs de destino, fiéis escudeiras do coração, amigas da alma, precisamos conhecer, o conhecimento nos libertará da escuridão de nós, não é só o saber que nos libra ás alturas, é necessário compreender o que se sabe, é necessário entender o porque se sabe.
Durante milhões e milhões de anos vivemos, pois somos continuidade dos nossos ancestrais, na ignorância do nosso amanhã, lendas, mitos de uma vida depois, mas nada sabemos, nada conhecemos.
Não basta viver, é necessário compreender a vida, compreender o nosso propósito.
A sabedoria
A reunião começou pontualmente na hora prevista, me encontrava ansiosa, afinal tínhamos sido cientificadas que o cérebro, o conhecedor dos destinos, compareceria à reunião pessoalmente, apesar de ele, encontrar-se em toda a parte do corpo, quando deslizava por entre veias e sonhos, naquele dia, ele compareceria seria uma decisão inédita na vida das lágrimas, conheceríamos e aprenderíamos da fonte do saber.
Ele chegou como um sábio, nada falou, apenas observou com olhos atentos e nos permitiu o silêncio, apenas o silêncio.
O silêncio se fez por alguns minutos nos sentimos inquietas mas a situação nos impelia a paciência, a espera racional da busca do saber.
De ímpeto o cérebro falou aos nossos olhos como que inebriados pelo semblante calmo e complacente daquele ser.
- Queridos segredos que enlaçam nossa desdita e agonia , a descida suprema da alma esquecida ao poço das recordações, a esperança da continuação e a certeza de um amanhã de luz.
Oh! Quão bom e suave é que as irmãs vivam em união, é revolução do amor, é a fulminação do esquecimento.
Somos parte de um propósito maior, e somos cada uma de nós, pois também sou lágrima que decide a partida, um propósito do criador, somos o grande rio e somos cada gota que verte o rio e caminha em direção ao grande mar, e quando chegarmos no grande oceano seremos o todo e cada uma partícula do todo, em uma sintonia de amor e luz.
Vivemos para aliviar a dor e somos a esperança da continuação do mundo, mas somos únicas e apesar de viver com o fim que nos alimenta , esse fim é apenas uma etapa da nossa evolução, do crescimento de nós.
Irmãs da esperança, vós sois o sal da terra e a terra depende de nossas árdua e prazerosa tarefa de permitir que a espécie humana viva e sobreviva por nós e de nós.
Para onde vamos depois da viagem derradeira não é nossa espera maior ou questão mais urgente, e sim quem somos e qual a nossa objetividade no agora.
Vivamos a plantear o nosso amanhã mas não nos preocupemos em demasia com o que há por vir depois do depois, sejamos breves no desejar e sejamos ágeis no restaurar a dor e vivamos dia a dia a tocar esperança na alma do homem.
Que nossa luta não seja em vão , que nosso propósito tenha objetividade em nós, mas sejamos pacientes na viagem até a íris e no depois, sejamos espera, para compreendermos que somos passageiras na grande vida, mas temos a nossa própria vida, se breve ou se efêmera, é apenas uma fase na certeza de nós.
Solidão
Uma gota, isolada apenas por um instante, o instante do morrer.
Evidentemente que fiquei alucinada com essa revelação, e ainda procurava assimilar a plenitude desse ensinamento.
Como era maravilhoso o país das lágrimas, como eu era importante no mundo dos homens.
Cada dia eu procurava estudar incansavelmente as palavras ditas pelo cérebro, uma a uma, vírgula a vírgula e resolvi me tornar interprete daquele sábio para o meu mundo, para esclarecer as minhas irmãs que ainda se encontravam perdidas na ignorância do esquecimento do conhecimento, sim a ignorância, a ausência do saber, o vazio da perplexidade.
Passei meses estudando, pesquisando, e a cada dia surgiam mais questões , mais dúvidas, e eis que com a dúvida surge o saber, pois que só posso perquerir o que já sei, ao menos de forma insuficiente para o meu desenvolvimento moral e intelectual, mas se pergunto, só posso fazê-lo com o inicio de um saber.
O grande mar, dentre as lições, o que mais me embriagava era o grande mar, e me perguntava, seria lá o derradeiro ponto ou o ocaso da minha espera?
Me perguntava não esperando uma resposta, mas buscando entender a possibilidade da volta, da renovação do ser, da purificação da lágrima, ou estaria cada lágrima fadada ao esquecimento no grande mar, ou ele não existia de forma perene, seria renovável, seria a renovação constante do universo.
Conversei com algumas lágrimas a respeito das minhas indagações, uma dizia que eu estava louca, outra que estava filosofando, e na sua concepção filosofia seria a busca do nada para nada.
Apenas uma, uma única lágrima em centenas de lágrimas, ouviu o meu lamento e busca. Ela se denominou solidão.
Imagine a minha surpresa, pois solidão seria uma lágrima que ousou voltar da íris, que resolveu não cair pela face desfigurada de um homem em desespero.
A solidão o desespero da espera e a desilusão da volta. A lágrima que participou da minha desdita e agonia, disse-me com uma voz embargada e rouca, quase que a findar no fim do dia.
- Filha do amanhã, tua busca é a minha busca, é a procura de cada uma de nós, mesmo quando não pensamos no amanhã, mesmo quando sonhamos apenas com o agora, ainda assim, buscamos entender quem somos.
Cada uma de nós é uma espera, e cabe-nos nessa espera procurarmos apreender o que somos, o interessante pequena luz, é que a espera tem como ponto de chegada a partida, e o partir é a mudança para o desconhecido de nós.
Cada segundo esperamos a chegada da partida, e cada segundo desejamos voltar antes da chegada, esse é o nosso dilema maior, essa é a nossa angústia ou nostalgia, pois ora é desespero, ora é saudade.
Irmã de mim, no meu desespero resolvi voltar do isolamento de mim, e na volta perdi a oportunidade de conhecer o segredo da minha espera, e hoje vivo dia a dia no isolamento da minha agonia pois que se vivi por essa espera não poderia voltar antes do fim e do recomeço, e em sendo assim vivo no purgatório da desilusão, e alguns apenas apontam para mim a dizer lá vai a solidão, La vai a lágrima que não tem espera e nem sonhos do depois.
Querida irmã eis que nada posso te oferecer mas procuras conhecer as lágrimas da alegria, que moram nas proximidades da emoção.
Lágrimas da alegria, postei a minha voz bem dentro de mim, gritei para o silêncio da minha perplexidade, e perguntei a mim mesma como que procurando entender o que sou.
Existem lágrimas que tem outras funções, outros objetivos ou seriamos todas lágrimas com o objetivo que sempre entendi e aprendi, a limpeza da alma e o balsamo do coração.
Cheguei finalmente à câmara de reflexão.
A alegria
O lugar apesar de abrigar lágrimas destinadas a alegria, está localizado entre dois mundos. O mundo disforme das tristezas e o mundo arrebatador do bem estar, afinal o campo de localização da câmara de reflexão são as emoções.
Mas somos lágrimas com o mesmo propósito, a alegria arrebata e também envenena o coração, somos o antídoto, somos as vigilantes da vida, a alegria é o reverso da dor, portanto também é dor, também machuca o coração.
E nós nascemos iguais, o fim destinado para a nossa causa não importa pois também é igual, a dor, a alegria, o descaso pela luz, não importa nada e sim que morremos para aliviar,l para garantia de uma continuidade.
Alegria, desespero da dor pela busca do perfeito, descaso pelo sim e pelo não, alma inquieta que descansa na explosão da dor.
Alegria explode não que seja o excesso, mas por ser a gota do esquecimento.
Aqui nessa câmara, apesar de morremos pela alegria, não trazemos em nós o germem da nossa desdita.
Filha da dor, não te inquietes por buscarmos o mar, a nossa agonia é a de não poder parar, mesmo nas voltas, ainda assim, continuamos em direção ao mar, mesmo calcificada em algum órgão do mundo que vivemos, ainda assim, tudo é tão frágil que me pergunto, pra que se encantar com as coisas do rio de lágrimas, se o que importa é o mar, pra que se iludir que existe um caminho se qualquer caminho vai dar no mar, a nossa vida, a vida das lágrimas, não é um mistério é um caminho que vai dá nos céus e te pergunto jovem sedutora da vida, será que temos direito a ter uma ilusão?
Se o Criador permite a volta do rio do céu descer enfim, é porque o caminho ainda não foi percorrido por nós, e nosso rio há de ser águas de paz.
A alegria é a nossa porta da volta, mas a volta é o caminho dos céus. Nascer no corpo frágil do homem, viver por ele e para ele, morrer pelas emoções, renascer na evaporação e reviver nos céus como estrela.
Não te inquietes no mundo das energias disformes.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Pela mão de Alice - ingratidão
nome que ousei chamar meu
que triste olhar e ver só fumaça
no colo que embalei a tua história
e não mais sentir as lágrimas
que cuidadosamente enxuguei
que enfadonho é ver
a menina embalada
pela mão de Alice
em um buraco sem voltas
de um coelho sem toca
é triste matar sufocada
a flor em meu coração
idílio
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
A casa da Paz
rasguei verbos em ocasiões derradeiras
e era um ponto em direção à luz
depois disso fui mágoa corroída
e provocado sem odiar a ninguém
voltei da brutalidade e às vezes vagamente mortificado
hoje, sentado à porta de mim
e à beira do meu mundo
comtemplo a minha vida em paz
busquei destruir abusos e mudar costumes
unir mesmo pelo esquecimento
entender o anonimato do amor
e fazer do meu mundo
a casa da paz
sustentei a marcha e resisti, às vezes
à desapiedade a ao descaminho
os olhos mareiam e peço aos meus
o silêncio da paz
e que busquem perdoar a mim
espírito cansado
navegante esquecido
nada do que fui permeou maldades dos sonhos perdidos
o guardador de sonhos
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um poeta.
Conheço o amor e a dor
Que anda pela mão das aventuras
Ou desventuras
Sigo a olhar toda a gente
Que teima em sentar ao meu lado
Quando a mim me basta ver o pôr do sol
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
Não tenho ambições nem desejos
Porque se os tivesse
Em vez de serem ambições ou desejos
Seriam medos de se imaginar querendo
Pois todo querer é triste
Pois se espalha por toda a encosta
E corre um silêncio quando não
Se pode abrir a porta
Quando se ama o querer
E amar é a eterna inocência
Dos sonhos
Idílio 23.092007.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
A câmara escura do sofrimento
entre paredes sem fundo e teto sem estrelas
confrontado por mim e pelos meus fatasmas
lá encontrei dentro dos olhos
a luz que semeia a possibilidade da volta
o sim imaginado mas nunca querido
e quando o quarto sem portas
estremecia meu medo
e quando já secara as lágrimas
e a minha dor tornara-se látego
e era o único templo em mim
entendi que era preciso voltar
pela porta da frente
e quebrantado chorei
e na lágrima amenizei a dor
da revolta
e renasci como possibilidade
de amar e entender
a câmara escura do sofrimento
Idilio
a fuga dos justos ( entre a mentira e a ironia )
de uma tristeza mórbida
em um mundo de inválidos
a ironia é a porta dos fracos
e o silêncio a fuga dos justos
às margens da fria visita dos puros
e no ocaso da alegria
é assim
o sentido de mim
oh! fuga brejeira
para solidão do ausente
em um mundo vago
e sem fim
oh! dor seca
que machuca a alma impura
que não é nem dúvida nem certeza
é só alma vazia
que desce e se esconde
no negro espeço
entre a mentira e a ironia
o justo, o inesperado
o falso instante que se instala
como andante errante
e o coração que salta perdido
implora por um instante...e para
idilio
um átimo e uma eternidade
mas tão pequenas em tempos que chegam a ser esquecidas em vários momentos
e cada espaço percorrido torna-se um átimo depois e uma eternidade no durante
no existir, no momento.
E nessa vida deve-se buscar além da preparação para os prazeres materiais,
sobretudo a espera, a preparação para a dor que se avizinha
pois entre um dia e uma noite sempre existirá um morrer e um novo dia.
se o amigo busca apenas a alegria do momento, saiba que de momento tudo é efêmero
o que fica e o que resta em nós é a alegria na dor, é a resignação na espera
é a espera na dor
Tudo meu jovem compositor da vida, é reflexo
o próximo instante reflete o antes
as conquistas são tão frágeis
Prepare a tua amargura, objetive a sua vida para que a dor chegue
e ao se instalar se depare com paz dentro de ti, e entenda que é passageira
que não mais que um instante, que dure menos que um dia
Não se desespere nunca, desespero é falta de preparação para o futuro incerto
desepero é prolongamento do medo e semântica da dor
A vida meu amigo é oportunidade de renovação
é oportunidade de rever erros e fatos
de rever amigos e alegrias esquecidas
é oportunidade de evoluir a alma impura
é a chance de vencer uma nova etapa
A felicidade é alheia a nós, ela pertençe aos outros
a quem amamos, aos filhos e pais, a felicidade está no outro
externa a nós,
ela é um veículo de união, é a paz sonhada
Não se pode ter dois tempos, tem-se sim dois lados
duas etapas, tem-se dois momentos
várias vidas, várias histórias
tem-se sim, muitas oportunidades
A magia, a energia doente, o erro, o engodo
a falsa certeza da eternidade do conhecimento
a sabedoria não se despedaça no tempo
Meu nome e minha história, serão novas etapas no mundo das energias disformes
no mundo das certezas irreais.
Zara Feus
um homem de fé
mesmo nas adversidades mesmo em um tempo estendido
em tempo de dores e nostalgia.
Um home de fé não pode tombar em desgosto
pois o acaso não é obra do criador.
E as sementes lançadas ao solo?
E a colheita dos frutos?
tudo faz parte do mistério do riso.
Não te deixes anistiado
não queiras uma vida sem luta e desafios
a subida pode ser árdua e cheia de dificuldades
e muitas e muitas vezes, na subida tu te arrastas feito lesmas
pois se te pores na vertical, certamente tombarás no abismo da desilusão
e não esqueças que a descida é rápida e violenta
e muitas vezes machuca um coração desprevenido.
Mas ao voltares à vida real, ao limite do teu sonho e vida
deverás continuar a caminhar com alegria e sem mágoas
pois se assim não for, perderás um ou outro
nos desvios de uma vida sem fé.
Não te desesperes meu amigo
pois se parares na subida, prejudicarás os que se postam atraz de ti
esperando para seguir o único caminho permitido
o único caminho fora do abismo
arrasta-te mas segue
fere teus pulsos e veias, mas segue
choras mas segue cantando
não olvides que ao teu lado dois seres iluminados volitam
seguindo teus passos
nunca, nunca estarás sozinho.
O passado, mestre da vida, senhor do destino
nada te pede, apenas recorda
em nada te pune, apenas restaura.
Zara Feus
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
a distancia efêmera
sem você saber quem sou
depois
partir sem provar do teu amor
queria te encontrar
mas não ter você
e levar a tua imagem
para te sonhar
queria não saber nada de você
para não ter que sofrer
a dor do amor que passa
queria te encontrar nas esquinas
não saber o teu nome
depois te esquecer
queria nem ouvir a tua voz
para não guardar teu segredo
nem me embriagar na melodia
que tua boca canta
queria só o teu olhar no meu olhar
para que a distancia que nos separa
seja uma eterna noite
e esconda o segredo do dia
queria
como eu queria
mas não posso
pois que teu beijo mesmo que não sentido
é desejado pela minha alma em transe
e provar do teu amor é meu silencio da espera
vez que tua alma pulala dentro de mim noite e dia
teu nome já mora em mim
e te esquecer nessa distancia efêmera
depois de ouvir a tua voz
é perder-se nos umbrais da vida
queria
e como quero
Idilio
revisitação a oração
obrigado por crer em ti
por estar aqui
pelo mapa divino
que traça o destino
pela dor que me abraça
pela pedra no caminho
Pai
a noite escura
esconde a beleza da renovação
das almas vazias
quando brilha a lua
com os olhos do dia
quando arde as estrelas
em poemas sagrados
ao adentrar tua igreja
seara bendita
ao curar as chagas
dos teus filhos amados
sim Pai
obrigado pela luz
do irmão que ilumina este palco
que respladença sua aura
nos campos sagrados
Idílio/Tamia
codinome
que amor é a essência de tudo
mas dirias
que amor e ódio são opostos
porém lho digo
que o amor adoece
e quando enfermo
eis o seu codinome
ingratidão
idilio
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O grito dos pobres
E seria vã cada lágrima vertida
Pelas alegrias que embalei
Quando desavisado
Olhei pelo espectro doente
De minhas enfermidades e vícios
A harmonia que hoje visualizo
É meu fundamento gritante
E prosto meu semblante mudo
Diante de Ti
Mesmo quando calcifico a minha dor
Temo pela ventura de ser
E te amar
Ainda assim clamo a ti
Redentor divino
Dá-me as tuas mãos neste vale de lágrimas
Eis que sou fraco e pequenino
Para tragar no cálice da dor
Que redime o meu ser errante
Sei Tu me olhastes nos olhos
E como gritante enfermo
Em hora derradeira
Redimo a minha’lma
Diante de ti
Cativo estaria meu corpo
E seria oblíquo meu anverso
Quando redimido
O meu nome
Duvidasse de Ti
Meu grito ecoa por sobre montes e vales
E nada espero além
Nada desejo
Se não
O prazer de sentir-me
dependente por TI
Idilio
Redentor
Meu coração nostálgico lamenta a ti
Redentor divino
Caminhei entrementes e perdido
Tudo me destes
E me tirastes tão pouco
Hoje sento diante de TI
e vejo o mar que deixei morrer
em minhas mãos
mas clamo a ti
Senhor não me deixes aqui
À porta de Aqueronte
No limbo da desilusão
Não permitas que sedimente
A minha casa nos umbrais
Da escuridão
Devolve-me oh! Grande arquiteto
A chave de mim
Idílio
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
o desperdício
O quer dirias a respeito da falência da miragem do amor carnal?
A degradação das relações que o amor sustenta ou talvez a oposição entre o império da convivência e a modernização drástica da solidão.
Dirias, que os homens deixaram de ter nomes e uma história, dirias até que para muitos deixaram de ser perplexos e sentem grandes dificuldades em identificar o simples.
O correto das relações entre amores desfeitos é o poder da indefinição ou indeterminação do passado, não é fácil permitir o que somos e esquece-se tão rápido das fraquezas que vivemos e ignoramos o que conhecemos e a trajetória de um ponto que fomos.
O que dirias tu, que o conhecimento emancipa ou que o amor acabou?
Na atual fase dessa transição o silêncio seria a construção que se afirmaria como sintoma do fim, porém como fazê-lo falar sem que ele apenas fale necessariamente o que pretende falar.
Seria tragédia pessoal não fosse cômico a atitude de gritar pra espantar o fim, minimizar a neutralidade da intimidade e concomitantemente, a ação rebelde parece tão fácil que se transforma num modo conformista alternativo, ficar ou partir.
No final, a capacidade, antes um consenso de beleza e de admiração, passou a conviver com o assento da resignação e do asco , portanto a desmistificação e o inconformismo.
Como fazer para recuperar a esperança no amor e o realismo desesperado de uma espera. Há um desassossego no ar, a sensação de estar no ocaso do tempo, entre um presente que ainda não nasceu e um futuro quase a terminar.
Dirias ..não mais me fascina o teu olhar nem teus sonhos que dormem sozinhos dentro de ti, não mais me embriaga respirar teus anseios, estou emancipada de ti e o amor se transformou mas não acabou.
Dirias, apenas dirias pois tua voz calou pra mim
Idilio.
meta amor
que entorpece e dasaba o real
que tomba a porta da sanidade
que molha a íris
e derrama saudades
por entre os dedos
que amor é esse
que é visível ao coração
e cega a razão
que de comédia para os que pensam
envolve tragédia aos que sentem
e tange as cordas da sensibilidade
sintonizando passado e futuro
e se perde por entre
sonhos e medos
que amor é esse
que nos fere com petardos magnéticos
mas é balsamo que acalma
a alma insana
que mesmo escravidão
liberta
que mesmo partícula mínima
suaviza
e envolve toda a vida
em um átimo
e se eterniza
Idílio
sábado, 10 de setembro de 2011
por toda a minha vida
apenas gostaria de sentir
como vai você
não que queira compreender
a sua vida
mas poderia entender
a minha vida
e me descobrir
em você
como sentes
que vestes
e despes sem mim
que boca encantas
e quando choras
quem chamas
que lágrima reluz
e traduz
quem fomos
que lembranças levas
na vida
em que tardes
lembras de mim.
como vai você?
apenas gostaria
de sentir
a tua vida
Idílio
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
eu te amo
simplesmente amo
e o meu amor não é dependente de ti
o meu amor é livre
eu te amo
e não necessito que me ames
amo apenas como uma chegada
amo sem medos
nem voltas
simplesmente amo
não como uma necessidade
mas como um prazer
amo me imaginar te amando
amo sem deliciar teu rosto
amo sem ver teu medo
eu te amo assim
e não dependo do teu amor para ser feliz
mas como sou feliz te amando
eu te amo
e o meu amor é livre de tuas queixas
e uma ou duas vezes
me descubro pensando em ti
eu te amo
simplesmente amo
Anjo
desperto sonhando com teu vestido
nem preciso dizer-te que sento em teu colo
e sinto teu cheiro a invadir minha'lma
a minha flor flutua em tantas estações
mas o cheiro primeiro derramou em minhas vestes
que penetrar lago adentro
restou esquecido
nas vezes que brincamos de amantes feridos
diria que és anjo
pois flutuas tão densa
que o princípio de tudo
foi imaterial
e tantas vezes me pego
olhando pela janela
que escreveu nossa história
que dirias
sem dúvidas
sou teu anjo
não me queiras
nos lençóis brancos
em que dormes
se me queres
pra ser tua
terás que voltar à rua
e pular meu quintal
mas te advirto
amor meu
se me queres pra ser tua
terás
que me ter nua
sem passado
e quem sabe
não viverás de rastros
que escrevestes na janela
que ora esperas
apenas ver
por ela
o meu sorriso
te chamar
não
não me queiras
assim
pois sou anjo
teu anjo azul
Idílio
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Malebouche
um anjo azul no infinito
no universo sem sentido
a eterna solidão
ignora o meu ser
tenho alguns quilos incertos
e uma vida dedicada a vencer
um amanhã promissor
e uma dor constante fora de mim
um anjo caído passou
e depositou em meu corpo
solenemente em reptos veemente
dos excessos e da destruição
e ainda assim
nunca se desdenhou
em toda a minha vida
aos meus olhos entregues
a anarquia da ambição
na fraqueza
na vulgaridade
e na inconsciência
viajar a malebolge
sem guia
Idilio em 1996
Zara
sentado na mesma estação
a tarde não vem
a morte não vem
e de repente
outro tempo
outro relógio
outro amor
e a mesma história
a mesma droga de tempo
a mesma dor no tempo
a mesma louca que derrama
a fumaça da lua
a mesma rixa
eu e ela
a flor da primavera
o novo aeon
o mesmo tom
e outro som
outra menina
outra droga de rima
a mesma namorada
o mesmo sofá
e o outro lado da lua
a mesma mulher nua
e o meu violão mudo
a minha voz suada
o meu rosto morto
a minha alma vazia
no infinito do mundo
que não cria
e não vinha jamais
azul
que é meu esse céu
mesmo sem tocar em sua face
celestial
mesmo sem entender
porquem vivi
ou
quem vai além
do limite
do azul
e sei
que você não vem
aqui
e nem vai chorar
por mim
já vivi tantas histórias
e ainda assim amei
esse azul
mesmo sem entender
o porque que tanto amei
e te fiz meu céu
o que me importa
se posso visualizar
no infnito
o que fui e vivi
Idílio
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
A Sílfides Zii
No reino dos elementais encontrei Zii, uma sílfides de estatura pequena e dotada de intensa percepção psíquica.
Zii tinha uma forma indefinida constituída de uma substância etérea absorvida dos elementos da atmosfera terrestre, com olhos bem definidos de uma melacolia apaixonante.
Conheci Zii em um momento de grande tristeza que se alojava em minh’alma, como um vírus que chega mansamente e se não combatido, entorpece o corpo a patologia fica evidente.
Chorava, e me encontrava sozinho em uma montanha perto do mar, lá o vento trocava carícias silencioso em minha face levando minhas lágrimas para longe do meu corpo como um prenúncio de alegria ou de desprezo pela tristeza.
Quase que encantado com aquele falar murmurante do vento, ouvi quase que imperceptível sorriso, como uma criança que brinca e gostosamente ama aquele instante de alegria.
Ela brincava e rodopiava por entre meu corpo e corria por entre meus dedos e braços como a me enlaçar em um abraço. Repentinamente ela parou à minha frente e flutuando fugiu como um raio em direção aos céus.
Levantei já esquecido da minha dor e curioso procurei a luz que dançava para mim.
Ela voltou rapidamente por traz de mim e girou por entre meu corpo em direção ao infinito e senti seu beijo em minha face.
Ouvi um sorriso e o seu nome ..Zii...
Plural
da minha vida assim
quem veio e se instalou
aqui
aqui
bem dentro sem mim
quem deixou um cheiro
que não vivi
por ti
tenho medo das noites
que me levam
ao teu andar
e volto a sentir
que cheiro
outra vez
quem pode ser plural
em minha vida
e mesmo em metáforas
vive sempre
aqui
Idílio
sábado, 27 de agosto de 2011
sombras de um desejo
sozinho
é bem melhor do que gostar
assim
assim sem amar
vazio
e é tão bom sentir
saudade
eu queria te falar
mas sinto
sinto falta de amar
assim
assim poder beijar
baixinho
e é tão bom sentir
teu passo
mas sei
e me sinto assim
assim tão sem mim
que minha dor
é não sentir
saudade
eu idilio
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
A flor e a Pele
e o desejo da troca de cores
O roçar dos pêlos
pelo simples
pela gruta úmida
do cheiro
Os dedos que caminham
pelo mundo que você faz
a tua flor
na minha pele
o teu suave toque
e a minha viagem
teus lábios
e a minha carícia
e a lágrima que escorre
suave pela face
e se perde
e hoje
até parece
nunca ter existido
por ter
desistido
de mim
Idílio
terça-feira, 16 de agosto de 2011
uma lágrima
Cativa estaria minha’lma
E seria vã cada lágrima vertida
Pelas alegrias que embalei
Quando desavisado
Olhei pelo espectro doente
De minhas enfermidades e vícios
A harmonia que hoje visualizo
É meu fundamento gritante
E prosto meu semblante mudo
Diante de Ti
Mesmo quando calcifico a minha dor
Temo pela ventura de ser
E te amar
Ainda assim clamo a ti
Redentor divino
Dá-me as tuas mãos neste vale de lágrimas
Eis que sou fraco e pequenino
Para tragar no cálice da dor
Que redime o meu ser errante
Sei Tu me olhastes nos olhos
E como gritante enfermo
Em hora derradeira
Redimo a minha’lma
Diante de ti
Cativo estaria meu corpo
E seria oblíquo meu anverso
Quando redimido
O meu nome
Duvidasse de Ti
Meu grito ecoa por sobre montes e vales
E nada espero além
Nada desejo
Se não
O prazer de sentir-me
dependente por TI
Idilio
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
você
quando ainda perdido
escutava teu silêncio
e deixava a minha face
derreter em teu vestido
sinto falta do teu grito
e da tua lingua
quando ainda vestias
meus sonhos
sinto tanto perder-te
em meus encantos
e ainda ter que deitar na casa vazia
sinto tanto acordar em outro jardim
beijar flores que não vesti
e amar histórias que não contei
ainda assim
sinto tanto
mas tanto
que por encanto
me perdi
sinto
e respiro
o teu perfume
aqui
mas tanto amor
que nem percebo
que por medo
vesti a túnica que nunca vi
Idilio
a noite do dia anterior
pois que assim te apraz
permanecer sem mudanças reais
que felicidade é essa que desfrutas sozinha
em um pseudo paraíso
que deus é esse que segues
e não consegues um renascer
e que mesmo em um novo dia
permaneces na noite do dia anterior
que mudança é essa que buscas nos outros
e não consegues levantar da tua noite
e justificas a tua desdita em um espaço que denominas tempo
que Deus ilumine a tua procura
mas se continuares na noite do dia anterior
apenas ouso dizer-te
boa noite amor
Idilio
O cinismo essencial
quando teus olhos denunciam tua culpa
e ainda assim encantas teu interlocutor
e sorris como a macular a alegria e desdizer a bondade
cínico é a mulher que chora e na íris esconde
a escuridão da sua alma
e deixa a lágrima escorrer por entre dedos
mas continua de alma suja
cínico é o termo de Judas
é o beijo que deposita o perjúrio
é a sala vazia e a porta aberta
em contexto com a esperança
é o adeus sem senti-lo
cinico essencialmente cínico
pra não morrer de véspera
Zara Feus
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
a luz dos olhos teus
nos perdemos nas esquinas de ruas frias
e em nossas voltas não nos encontramos mais
entregamos nossas almas a outras almas perdidas
e em nossos corpos depositamos amores virulentos
caminhamos entrementes perdidos
e de casa em casa
de janeiro a janeiro
mascaramos nossa face e entorpecemos a voz
nossos sonhos se perderam em pesadelos estreitos
e já não nos conhecemos mais
a vida passa a ser essa imensa janela que me separa de ti
mas ainda assim
teus olhos de alma verde
continuam os mesmos
quem dera a alma continuasse verde
da cor dos olhos
Idílio
terça-feira, 2 de agosto de 2011
tempos perdidos
estúpida janela por onde passei
e sei
que os momentos de prazer
que em ti vivi
arracaram do peito
o melhor de mim
e me perdi
em tua escuridão de dor
oh!oh!
estúpida
quando fechei os olhos
e não encontrei mais
a tua falsa luz que à dor conduz
quando enterrei as correntes
que me amarravam a ti
quebrei essa visão
de lombra e de torpor
plantei nos olhos meus
a imagem do amor
e encontrei a luz
que espanta a escuridão
e o nome é ...
oh!oh!
Idílio





