Carnaval de máscaras
Não sei quando há de ser
mas algum dia irei embora desse carnaval cheio de máscaras
e olhares escondidos por trás da iris petrificada
no teatro multicor que tu chamas de vida.
Somos obrigados a usar máscaras nuas
que chamamos realidades temporais
Máscaras sem sentimentos ou culpas
informações destoantes do que fomos e somos.
Os anos passam
as máscaras caem
e as substituímos por fantasias ridículas
amarrotadas de pecados e desidratadas
pelo suor em um emaranhado de culpas imprescritíveis.
Por vezes me aparece uma espécie de saudade aguda
pois os montes e as ruas continuam as mesmas
e o céu está sempre lá a nos esconder do que vivemos
e pensamos ter esquecido de forma súbita
Eis a grande farsa de se retornar a um cenário antigo.
Apesar de parecer tudo igual ele já não é o mesmo.
O tempo muda as aparências externas
mas o invisível de nós dois continua
lá dentro no espaço vazios em nós.
Passaram-se muitos anos
ao que me parece e lembro do alivio da manhã seguinte
em que me encontrei desnudo de passado.
Concordo com a ideia de apagar o passado
assim que o tivermos lido de novo nas entrelinhas das palavras derramadas nas tintas que misturamos em nós.
Temos a capacidade de compor o passado
como um reencontro e existem ilhas que Não abandonamos,
isoladas em nós e por nós na realidade empírica que desfrutamos
entre sussurros e olhares comprometedores até o clímax da exaustão.
Voltamos às vezes estarrecidos a esse nichos esparramados de ontem
e alimentamos em um frenesi estúpido o desejo de não ter partido
e não me referi a o querer voltar
mas ao desejar viver eternamente aquele encanto
mas apagamos as luzes e vamos dormir no que somos no momento da viagem desprovida de toques reais.
Quem somos nós nesse carnaval?
Ainda queima alguma chama de vida eterna que nos leva em um efeito ex tunc de viagem sublime em que o espectro do que vivemos permeia o que somos e o que desejamos viver em vida eterna.
Não sei quando há de ser,
mas algum dia irei embora e apenas restará a língua que escreveu em mim palavras de vida eterna
Idilio