sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

O QUINTAL DA TUA CASA





Aquela menina me ensinou

a fazer planos com sorrisos

a amar o meu umbigo

a desnudar meus medos

mas 

egoista que vivi

nem aprendi com seus deslizes

nem perpetuei as brincadeiras

e o futuro não é mais como era

quando a conheci

roçando nossos pés 

no passado do inicio e do fim

da nossa história

eu quis

e amei tanto

que não vi

amor igual

e errei 

que nem sei 

se o vento ainda grita

no nosso litoral

nossa canção 

que agora está tão longe

aqui dentro de mim

mas

foi só o tempo que errou

e a vida continua

e nossos planos

caminharam nus 

nas praias do esquecimento

olha

eu sei que eu era feliz 

tão bem

mas 

terei que viver 

sem você

teu 

serei 

sei

que saudade é dor em liberdade

é fragmento de uma lembrança

saudade é ópio que engole a dor

no escuro do meu carro

reconstruimos nosso idílio

e hoje só apareço quando convém

mas

quero que saibas que

és parte ainda

mas 

tudo bem











domingo, 14 de fevereiro de 2021

VELHO


 Estou diferente do que sonhei só

e neste sonho que sonhei só

envelheci feito realidade virtual


Sonhei ou vivi?

não sei a respostas para as perguntas que chorei

e olha que sei trechos da Bíblia 

na língua

de ponta a ponta


quais as verdades que tenho a dizer?

a declarar?

sou testemunha do amor que se perdeu

do vislumbre das estrelas

do medo 


do blefe das conquistas 

do sacrifício perdido 

da lágrima da injustiça

e você ainda me pergunta

ainda estou em ti?

 e eu sou ocaso profundo

não fico e nem sou parte alguma

nem meio


trago uma história que nem sei contar

sinto saudades e  nem sei se de um lugar

estou velho como a cem anos atrás


e nem quero ouvir o que você tem a dizer






sexta-feira, 7 de agosto de 2020

EITA SAUDADE

Tô com saudades de tu meu pai

saudades de tu

de saber onde tu estais

tô com  de tu meu pai

saudades de tu 

de saber por onde vais

Tô com saudades de tu meu pai

saudades de tu

de saber como tu vais

saudade de tu

saudade de tu


Tô com vergonha do medo

do meu desespero 

de sentir tantos ais

saudade de tu 

quando sinto teu cheiro

entre as dobradiças das portas

e na terra que molha

quando a lágrima se vai


saudade de tu meu pai

tô choramingando nos cantos

quando escuto teu canto

sem saber onde tu estais


Tô com saudades de tu meu pai

saudades de tu

do teu passo arrastado

teu sorriso calado

e as histórias de fado

saudades de tu



terça-feira, 9 de junho de 2020

PRA VOCÊ VIVER EM MIM



Eu fiz uma canção pra você viver mais
aqui em mim
ter em você alguém pra se lembrar
esqueci de tudo
que me fizesse você desaparecer
de mim
e nesse tempo
eu te quis
e  fiz você viver mais
aqui dentro de mim

eu fiz essa canção
pra você
me ter mais
bem perto do fim
assim

e te digo não
nunca esqueças de se apaixonar
e me ligar antes do fim
por isso fiz
assim
uma canção por medo de te esquecer
em fim

terça-feira, 19 de maio de 2020

MEU INFINITO PARTICULAR


Cadê você que abandonou o meu céu
que desceu da escada do meu tempo
deixando apenas um filho e uma imagem tua
Cadê teu espaço e teu negro olhar
no infinito do meu particular

Cadê você que quebrou meu espelho
pintou meu desejo e derramou teu medo em mim
deixando lembranças do teu riso largo
teu retrato
cadê teu largo abraço
no infinito de mim

cadê você que tergiversa
que irrita a minha longa espera
que escorre pela minha face
que entristece a minha noite
cadê você
no infinito do meu particular

Estou aqui sentado olhando
para o céu procurando por ti
o meu infinito particular

terça-feira, 21 de abril de 2020

O mundo perdido de Suzana


A coragem dos gestos de encontro
o todo dos diálogos em partes
na expectativa  do conhecimento
a tua postura e a minha dúvida

o dizer o que sempre esteve
mas que ainda não foi dito
a recusa de representar
e apresentar sentimentos

a tua forma de atribuir sentidos
os movimentos que se encontram
inusitadas diferenças
no teu colo e no meu pensar

como poderia o meu sentir
falar sobre o teu querer
sem estar dentro de ti
sem explicar a magia
que escondes atrás do vestido

que mundo perdido teu espelho não vê
se a cegueira que escondes
não fala nada sobre nós
nem sem nós sobrevive

de Idílio para Suzana





segunda-feira, 6 de abril de 2020

Através do espelho


E eu com saudades de tu
que me aquecestes no berço
da minha espera
que derrubastes Golias e me destes um nome
e  escrevestes meu medo
e eras minha viagem
quando subia  a serra
só pra ouvir o teu espanto

é tão esquisito ficar sem você
o teu segredo sempre foi escassez
e tuas piadas gritantes demais
mas ainda assim eu ali com você
estava nos braços de um pai

e hoje a minha espera é inverno
as ladeiras são tuneis vazios
e já não me refaz teus segredos
nem me aquece tua ausência

posso saber por onde andas?
que espaços frequentas?
ou em que  noites me encontras?

se é que existam ruas
se é que existem saudades
se é que existem noites

até amanhã meu bem
até amanhã
se é que existe amanhã

idilio




domingo, 10 de março de 2019

VAZIO

Queria falar sobre o amor sacrificial
nada de carnal ou outro vendaval
sim, quando se arranca o coração
e se perde e se encontra longe
assim em qualquer estação

queria cantar o espaço arrancado
torná-lo poesia
torná-lo algo visível ao sacrifício
mas ainda assim
quedo lerdo e sem olhos
para fora
e o que vejo?

queria gritar o vazio que vês
e tão repleto de angústias e medos
mas ainda assim
quero torná-lo poesia
e entendê-lo
pois já não posso mais lê-lo

queria escancarar a minha janela
e compreender o livro que visualizo
em uma iris turva
que me espelho

queria assim
refazer cada pedacinho
cada curva
mas ainda assim tropeço

e já não sinto
já não vejo
o sacrifício
de amar assim

idílio

terça-feira, 9 de outubro de 2018

BRASIL

Brasil
um filho teu não foge
e luta pelos filhos seus
a família
a moralidade
a normalidade
Brasil
verde e amarelo
um filho teu
vai arrancar do teu peito
o vermelho que escorre
da tua bandeira
vai replantar a ordem
em meio ao teu povo
e fixar a cruz do cristianismo
no palácio da alvorada
arrancada pelos pagãos
sem pátria

Brasil
a mistura de tintas do teu povo
é o teu galardão
a mistura de línguas
da tua fala
será a gramática nua
e desnudará
os que te desejam
destruir
viva a minha Pátria amada
Brasil
Idílio Araújo

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A TUA VINHA

Leva-me e seguirei após ti
e em ti
com razão
resplandece sobre mim
o teu estandarte
e os lírios do teu amor

vê! já passou o inverno em mim
o tempo de cantar chegou
em nossa terra
e antes que caiam as sombras
faze a minha cama
e levantar-me-ei suave
e não temerei os tremores noturnos

Quem és
que despertas como selo
sobre o meu abraço
e os miasmas da minha solidão
são quiasmos que se completam
no final do dia

olho perdido o teu luto
e já não faz sentido
contemplar  a tua vinha
se ausentes estais

hoje és quimera
ou luz em outro abraço
despertas em mim
ou permita-me seguir
que navegarei em águas rasas
e não olhes para o fato
da minha dependência
do teu laço

Idílio

domingo, 8 de julho de 2018

O contador de histórias




Acorda amor meu
por que navegas em terras estranhas
e ainda impões pretextos conestativos
para a tua partida

Volta! ainda que por um átimo
aporta em nossa casa
e deixa a melodia do caminhão
despertar o dia

dilacera a penumbra que nos separa
e volta pra casa
um instante
e meu coração fixará a certeza
da tua eternidade

mas
te ver assim
como uma gramática nua
ou um verbo sem direção
entristece o meu tormento
de seguir inventando sofismas

acorda amor meu
por que partistes no sonho?
e ainda disfarças
com teu sorriso calcificado na face

Idílio

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Ao menos Diz

O tempo e os dias
contam as noites
que partistes
tu
disseste-me uma vez
que serias a última quimera

serias o naufrágio
da nossa primavera
e seria lindo
tocar o amor
em um tempo perdido

ao menos diz agora
se tu retornaras da última viagem
ainda uma vez

o tempo e os dias
cantam nas noites
em que me diz
que tu
partistes e ainda assim
não se quis

ao menos diz


quinta-feira, 7 de junho de 2018

AS PORTAS QUE NÃO ABRI



Perguntai pelas veredas antigas
estradas da vida que percorri
encostas e planos que não senti
perguntai pelos medos
e ainda assim me encontraras
escondido em mim

perguntai pelos tempos
e ainda assim não me encontrei por lá
pois de tudo que vivi
apenas reflexos no hoje
vislumbro no horizonte
de mim

perguntai pelas minhas crenças
que se perderam além do que fui
e ainda assim
ainda hoje caminho entrementes perdido
no que fui e sou

perguntai pelos amigos que visitei
e por entre espaços que loucamente permiti adentrar
mas não poderia dissimular
nada de novo

ainda assim estou aqui
sentado diante de mim
e não posso dizer do que sei

Perguntai mesmo assim


terça-feira, 7 de junho de 2016

DESPERDÍCIO DE PASSADO


O problema que me aflige
é escrever algo como condição da felicidade
mas que não reduza a realidade
da esperança

É o desconforto de amar as contribuições
e viver em desapego
No que respeita à promessa de amar eternamente
vivendo em descaso e enumerar várias paixões
e breves problemas que refundam a ansiedade
já seria suficiente para nos causar desconforto
quando nos deparamos com o passado
e com a lembrança desse passado a influenciar
a necessidade do antagonismo
de viver o realismo desesperado de uma espera

Como fazer falar o silêncio
se o silêncio é passado que não pôde ser desenvolvido?
como necessidade impronunciável da ausência
como amor ferido e não resolvido
pelo desespero ou como tragédia pessoal conhecida

A atitude , o hábito de proclamar princípios
o desapego da dor passa a ser realidade empírica
plural, porém conformista
que se detém  na fronteira da expectativa de voltar

como se o  olhar fixo no ontem eliminasse  aqui
além do consenso e do impulso de lutar contra ele
e viver por excesso de passado
morrendo na lágrima que não derrama
materializando a depressão do desperdício de passado.







sexta-feira, 13 de maio de 2016

espasmos perdidos

Longe assim
os caminhos fragmentam
a minha dor


esconder pra quê?

Repetir partir
surgir em novo horizonte

longe assim
esconder aqui
perto ou longe

da boca
de canto a canto
sem pranto
mas esquecido
como espasmos perdidos

DESATENÇÃO

O mundo deseja apenas o retorno
da mão que efetua  o desejo de dividir a soma contrária
caminhos se cruzam como pontes
que desintegram a esperança de uma alma esquecida
voltar é apenas o inicio de um novo fim
viver na esperança efêmera
vaidade de seguir cantando
vantagens compartilhadas
esperas fadadas ao fracasso de uma nova esperança
fado e descaso
de um querer em estragos
Voltas que a vida dá
esperas que o entrementes perdido
avoluma a escada da eterna desesperança
voltei e vi o mundo em estragos divididos
e perdas acumuladas pela desatenção  do acaso
Voltei apenas sei
que desatento caminhei perdido
entre efêmeras amizades com vácuos
entre o querer e o dividir espaços

quarta-feira, 30 de março de 2016

EFÊMERIDADES

Nada é coerente
o mundo deseja apenas o retorno
da mão que efetua o desejo
de dividir a soma contrária
caminhos se cruzam
como pontes que desintegram
a esperança de uma alma esquecida

voltar é apenas o início
de um novo fim
viver na esperança da efêmera
vaidade de seguir cantando

vantagens compartilhadas
e esperas fadadas ao fracasso
de uma nova esperança
fado e descaso
de um querer em estragos
 Voltas que a vida dá
esperas que o entrementes perdido
avoluma  a escada da esterna desesperança

Voltei e vi o mundo em estragos divididos
em perdas acumuladas pela desatenção do acaso
voltei apenas sei que desatento caminhei perdido
entre efêmeras amizades com vácuos
entre o querer e o dividir espaços

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

LEMBRANÇAS DAS PERDAS


O que Seria do meu coração sem a caixa
que guarda as lembranças das perdas ?
Teria espaço para  a dor que em mágoa dilacera a alma
onde ficaria guardada para sempre?

O que seria da minha espera sem a caixa
que guarda a trepidez da  minha fé?
teria espaço para a angústia que em mágoa enfada a alma
ou restaria esquecida  para sempre?

Seria coração que pulsa sem esperanças
seria espera vazia sem a lembrança das perdas

O que veria a minha alma sem a caixa
que amarga as lembranças das perdas
Veria como lusa fusca que explode e ofusca
a esperança depositada
na caixa das lembranças das perdas.

Idílio



segunda-feira, 7 de setembro de 2015

a rosa pequenina




Eu que vivia
em mel e sina
voltei menina
quando tu me destes a rosa pequenina

guardei  na boca
o beijo e a língua
naquele dia
quando tu me destes a rosa pequenina

molhei a flor
esqueci a menina
naquela boca
e a rosa pequenina

e eu que vivia
em mel e sina
engoli a flor
suguei a menina

pela boca
do mel
da rosa pequenina

domingo, 30 de agosto de 2015

Teu sabor em mim

Toco o clima além do vestido
desnudo a lua
que grita meu nome
em gemidos
expurga o cheiro da terra
e derrama-se por entre
os dedos do ar

inundo teu céu
em fragmentos
deposito no teu colo
a semente do lar
e volto como espasmos
de mãos vazias

prendo o lábio em mim
e oculto o teu querer
entre as penas da libertação
e encosto em vão
teu sabor em mim

idilio

domingo, 23 de agosto de 2015

Entretantos


plantei sementes
em corpos e vales
inundei ruas e  mares
e ainda posso te encontrar

andei em prantos
em outras línguas e cantos
e no entanto
ainda posso te encontrar

estava aqui pensando
se entre tantos entretantos
ainda posso te encontrar

se ainda vamos namorar as bocas
que deixamos
arranhar os cantos do nosso descanso

plantar os filhos que deixamos
nas fileiras do desencanto

meu amor

estava aqui
pensando
se ainda posso te encontrar

nas filas das praças vazias
em tantas esperas vadias
na flor que molha o engano
entre as pernas do encanto
e entre tantos entretantos

ainda espero te encontrar

meu amor


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

TEMPORAL



É só mais um temporal
é só a chuva lavando o mal
antes que seja tarde
é só a pungente tristeza da lembrança
Natali
é o receio aflitivo da perda
entremeados da felicidade mínima
é só uma contorção transitória
na face do tempo
é mera tolice
a luz que se finda
é só uma lágrima pagã
ou saudade do teu rosto
no ecrã da tela
é só uma peculiaridade
da mente acerca do espanto
do protesto esquecido
é só o amor
aprovado e desobedecido
é só o guardião da moralidade
afinal
parece devastador
mas
é só mais um temporal

idilio

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Orurubá

Moacir

terras entre serras
cantei as matas passadas
amei o viço agreste
serpentes de lá
sentei calçadas
na imensidão do lugar

desenhei o por do sol
sentado ao luar
fui rei do meu lugar

cantei prosas e cotovias
amei o cheiro e o lugar
arranhei esperanças
fui assim
Moacir do Ororubá

Hoje não resta
nem calçadas nem praças
hoje nem sei onde é o lugar
apenas gritei pelo nome
que me via por lá

Moacir vem pra cá
fecha os olhos
o cheiro do mato
a terra molhada a derramar
nostalgias pelo ar

A minha Pesqueira
e eu pala praça

Moacir vem pra cá
sai dessa esperança
a vista alcança
alí não é mais teu lugar

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Negra

Tua pele negra
que engole o dia que há em mim
negras fontes que umedecem
as matas por onde andei

Tua pele negra
que espanta o que ofusca
quando buscas
outras bocas
que encantam o laço
no ocaso
entre o morrer e o renascer
do desejo

tua pele negra
teus fantasmas
e a réstia do que fragmentou
a tua estrada

tua pele negra
e a sombra do secreto
que o dia deixou
sem sentir

prefiro tua negra luz
teu encanto
teu silêncio
e o teu enlaço
e em ti
peco-me
descalço

idilio

Deus está

Deus está aqui
e aqui é um lugar
dentro assim
em mim
em ti
em nós

Deus está aqui
por mim
por ti
no espelho
que é o outro
que reflete
que ele somos nós

Deus está aqui
no amor
na dor  que purifica
o andor

E em tudo que há
em ti
em mim
em nós

Deus está aqui
quando a música acabar
quando o trem passar
Ele nunca partiu
nem chegou
Ele está
aqui

idilio


quinta-feira, 14 de maio de 2015

ISA





Resta a tua presença
teu espaço em novos afagos
que te dei

resta a tua volta
em notas dos espelhos que nos viram
e a dúplice vontade de te ter
entre os braços

resta reinventar tua história
em novas esperas
do nosso longo afago

resta te amar longamente
feito fragmentos
e pedaços de mim

resta a tua presença
teus beijos
e meu grito por ti

Isadora

50 anos


Aportei aos 50
com o corpo molhado de histórias
de marcas
de sonhos rasgados
mas não desfeitos
de saudades das águas mornas
que escorriam em mim
das línguas exiladas
e das desocultadoras mentiras
negadas
cheio de desesperanças na espera pura
da cura das frias tumbas das casas da justiça
consequência e razão do imobilismo
e da descrença

aportei aqui
movido pela esperança
com incontida necessidade
de vomitar restos e vilipendiar
os testemunhos da desfaçatez
e da vergonha
cheio de reencontros e concretude
de histórias vãs

amei cada segundo da minha sensatez
sem se quer poder negar o privilégio de amar
sucumbi na pura espera vã
da alma secreta e devaneios da opressão
posterizei meu enlace e eternizei a desocultação
do meu idílio em tantos outros
idílios que inventei

quinta-feira, 16 de abril de 2015



Tudo é frágil
o dia reflete a efemeridade da vida
todo o esforço quebra no simples gesto
e em um átimo
a dor

frágil
a felicidade espalha medo do fim
o amor
ah! o símbolo real do descaso programado
a dor

todo o tempo desprendido
perdido
num instante 
e a espera quebra 
a dor do fracasso




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A ausência que seremos



Qual a ausência que seremos?
ou queremos não ser ausência
mas seremos

todavia o que importa
é saber se seremos a ausência
que queremos
mas já somos e seremos
ausência

qual a ausência que seremos?
para quem queremos ser
e quem derramará alegrias na ausência
que seremos
ou não haverá quem de presente sinta
a ausência que seremos
ou quem sinta
a presença da nossa ausência

eu quero derramar presença na ausência
esparramar meu sorriso nas lágrimas da ausência
pois não desejo ser lembrança e sim
andanças presente na ausência que serei

idilio

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Gramática nua

Como poderia reinventar a linguagem do amor
em nome dos obsoletos estágios de quietude da minha'lma
se de fato vivo em tormenta e em perplexidade emancipatória da saudade
Seu nome?
repetições do desejo dos extremos que desaparecem como metáforas
de 23 dias de um dezembro qualquer
amei e amo a relação que se inverteu e que por teórica preencheu vazios
na cultura do meu tempo segundo
inventei um nome e uma fábula do teu cheiro
que escorria entre os dedos da gramática nua 
e tu, mera luz que se insinuou na fragmentação da minha indiferença
e do meu desespero
fomentou como imposição a melancolia e declarou o fim da estrada
quando por igualdade humana 
desapareceu como excentricidade 
na cidade extrema da minha aventura e agonia
idilio

domingo, 14 de dezembro de 2014

Casa Forte

Caminhando na tua praça
parei na tua porta
mergulhei na tua escada
no teu passado

saudade é dor que não se mede
páginas que não se repetem
e então
cadê você?

caminhando na tua praça
voltei ao teu colo
de menina flor
das vozes ôcas
do nosso amor

das promessas
do beletrismo
e do cinismo da descrença
dos incaultos

de loucas trocas
de liras e patricias
da lágrima da incompetência
do beijo da espera

caminhando na tua praça
me perdi no meio do nada
no espaço de toda uma vida
que não construi
e nada
só o vazio dessa estrada
são tantas histórias
que levam ao nada
são tantas mágoas
que o homem busca
e no fim
só resta a praça
nem nome nem nada
só o vazio atras da porta
e a casa vazia

a tua casa alí
na mesma esquina
a igreja
e eu que vejo a tua espera
e a minha chegada
eu que lave a alma
ao te imaginar
perdida
na praça.

idilio



sábado, 15 de novembro de 2014

Teologia da Indiferença

O desprezo do assistencialismo
a vocação natural da passividade e da domesticação
a canalhice do porco e a mão de Alice
a falta do gosto da comprovação e o gozo da hipocrisia
a permeabilidade da teologia e o sonho da mansidão
a preguiça do rebanho e a máscara do pastor para enganar o lobo
e a esterpe da palavra esvaziada de realidade
os cegos e os loucos
a alienação  e a batalha da humanização
a disseminar fantasia estéril e o gosto da comprovação
da invenção da hermeneutica.
a aspiração da eternidade
e o potencial autoritário da responsabilidade
pela desconexão da consciência moral
o caráter manipulador e a indiferença
e eu e tu
alí sentados
a visualizar a fome da multidão

idilio


terça-feira, 9 de setembro de 2014

assim assim

Partindo a noite
andando
dentro de mim
feito língua
que  dança
e gira
dentro do céu

umedeceu
andando
o canto do olho
feito lágrima
que escorre
e grita
e sai de mim

cantou
a voz rouca
que explodiu
feito espasmos
loucos
e por pouco
fiquei em mim

idilio

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os quereres

Quisera beijar tudo que me alegra
e amar cada gota da minha felicidade
petrificar a lágrima do esquecimento
e ser livre na necessidade de continuar

quisera ser mera comédia escrita
a quatro mãos
e caminhar passo a passo sem espera

quisera esquecer o futuro e amar o passado
como desdita de quem parte
mas viver dia a dia é suficiente
não ser alegre nem triste
apenas poeta

quisera manter-se com a alma jovem
que sonha a alegria da busca infinda
e arranhar o corpo languido nas pedras
da procura

quisera acordar e ser milhões
e sorrir em busca da esperança

quisera
quisera

saudades

Saudade não é desejo
saudade é espaço
preenchido no passado

e de tão completo que ficou
que nada substitui a dor
de contemplar o medo de voltar

depois das histórias vividas
saudade passa a ser distancia
efêmera que não se toca com as mãos
mas que se sente com o coração

saudade é espaço
preenchido no passado
e que a alma insana
não por desejo de voltas
mas por nostalgia
revive sem desejo da volta

saudade machuca
mas retorna o espirito cativo
da vida vivida com intensidade
de um poeta que espera
a utopia do horizonte
do ontem

saudade tem nome
tem sobrenomes que esconde
o segredo da felicidade vitalicia
de ter passado
e uma janela
na volta da lembrança
do amor de uma amizade
que superou o nexo
do plexo  e do complexo
binal de ser homem e mulher

saudade é espaço
preenchido no passado.

idilio

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Rosa Flor de Oliveira


Teu sorriso morto
e esse corpo de menina flor
e o prazer que escondes atrás do vestido

a flor que exala desejo
e o beija flor atrevido
relembra teu grito atrevido
anjo do gosto da lira da tarde

teu sorriso morto
e esse gosto de menina flor
e o prazer que explode
atrás da língua

a flor que embalas
entre as tardes e lírios
e o beijo na orquídea pequenina
relembra o mínimo infinito

Rosa flor de oliveira

quarta-feira, 11 de junho de 2014

amores da rua

Amores a esmo
externos e mais eternos
que outros amores
secretos

amores reféns
tão curtos
que vivem aquém
do medo
de se eternizarem
no além

amor que vai
amor que não parte
amor que vem
amores
que descansam
que espantam
e encantam
quando vem

 idilio

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Vida breve

A tua presença faz
Olvidar quem sou
desejando sugar teu cheiro
para dentro
em mim
como se fosse  alma
a vivificar um templo
morto

Sentir teu gosto
em um átimo
foi prazer divino
mesmo que proibido
o tempo da volta
mesmo que unilateral
o lábio que beija o púlpito
do teu consentimento

desejo sim
mas que tempos
que costumes
eles amam
nós
desejamos

 idilio

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Ausente



Como externar o que se sente
se às vezes a verdade mente
e de tanto que se sente
que por palavras não se ressente
o que se mente

Por vezes
e direi apenas para os que sentem
é bem mais suave ser ausente

como viver  e não ser alegre
nem triste
ser apenas demente
refém mas nunca descrente

Por vezes
e direi apenas uma vez
ausente

idilio

segunda-feira, 24 de março de 2014

quimeras

estou eu a te olhar
e te ver chegar é tão seguro
que esqueço que vejo o passado
por entre sonhos e fados

o beijo que te dei
foi tão real
que senti medo
em teu olhar

e eis que esqueço
mais uma vez
que foi só a volta
pro passado
de uma mente
que sente a ausência
do  cheiro
que tua espera exala

fecho meu espaço
e hodiernamente escapo
pros teus braços
meu tudo
meu colo
meu cansaço

terça-feira, 11 de março de 2014

Ladeiras


Terezas
ladeiras e músicas
lagoas pequeninas
lagoinhas
e tua boca nua
Suzana e ruas
pra se namorar no trigo de um rei
nada já que na lua não há mar
e um grande bem e um violão
um beijo
pai e mãe
e uma morena do cor do Brasil
e uma dor de uma ilha pernambucana
de um lábio com gosto de céu
cá entre estou em um dia de abril
oito rosas marias
um dia de sol em minha vida
e quem fugiu ressurgiu
numa noite de verão
em qualquer São João
com salsa e manbo
luz do mar e lucila de varoniladeus
de mais e mais eloy baby
ioná a dama do mar
e fugiu pro mato
lá além do ororubá
mas rosa maria é o meu grande bem
alma gêmea que ruiu
jogos de amar
carícias
e o meu mundo num vai e vem
Waine o amor que giga nunca sentiu igual
talvez uma luz se abrirá
talvez a índia que Paula bela
rua me deu
em amores ilhas e quintais
jovens demais
flores de lácio núbias e jane las
carmins
pesqueiras
ladeiras
ladeiras

O invisível de nós dois


a espera longa maculou o sonho
teu sorriso e a minha alegria
não pude te reter nos lábios e braços
mas
ainda assim
não fui infeliz
e não haverá respostas
na porta para o universo
nem em meus versos
mas ainda assim
o nosso amor vai além do efêmero
e existiu
o tempo suficiente para ser feliz
digo te
amor
continuo amando
o invisível de nós dois

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A dor que não se mede

Qual a medida de uma vida?
um segundo
tudo termina
qual o valor do viver?
um segundo
toda uma vida
em outro rumo

Qual Senhor
o tempo de uma vida?
um segundo
um outro mundo

Toda a construção rui
todos os planos
todos os segredos
toda dor
em um segundo

Qual o termo de uma vida?
Senhor do Universo
Qual a vida que escolhestes
para Teus filhos

em um segundo
se é tão sutil
mas  é eterno
aquele átimo
da dor que não se mede

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

TERNURA




Descanso da paixão
porto
solidão
colo dos amores
espaço
refrão

silêncio dos espasmos
espera
reflexão
boca da lira
espaço
refrão

memória dos amantes
procura
questão
desejo insano
espaço
refrão

prazer depois do prazer
gosto
paixão
colo dos amores
espaço
questão

idilio




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Meu Tempo superficial

Escrever  é uma questão de procura
e existe um tempo superficial nesta busca
que torna a alma pobre na cobiça e não reduz as posses
mas limita o desejo sano das descobertas
Esse vazio das certezas deprime a sentinela
e não existe ternura no descanso da espera
apenas se angustia a ansiedade pelo fim da responsabilidade
e o novo saber  não repara o medo da próxima hora


idilio





terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Rosas





Rosas amareladas
ainda são rosas
e exalam mansidão
de quem não viveu em vão

Rosas com pétalas toscas
são belas quando caem nas docas
pois renascem
para outras histórias

Rosas pintadas nas faces
de outras rosas
são rosas que enroscam
beijando-me a face

Rosas por que partes
sem rosas ?
por que não esperas
uma nova aurora
e descansas no colo
de Teodora ?

Rosas amareladas
descalças na serra
sem caule despétalas
mas voltas para o jardim
do Senhor

Rosa
eis que tu flores nos jardins
que desenhastes por aqui
deixastes teu cheiro
e o teu riso sem fim


para Tia Rosa que agora perfume outro jardim


idílio

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Eikhah

Como está ocaso o  mundo
antes esplendor da luz fusca
repleta de lírios e fadas
tornou-se vassalo entre províncias
mescladas de descaso
e sepulturas

Chora
no exílio minhálma
em fuga da opressão
sem portões e sem descanso
incapaz de encontrar arrimo
nem riso dos faustos
que em tempos antigos
honravam o que hoje desprezam
pois carregam impurezas em suas saias

todo  o corpo geme
e da íris vertem lágrimas de solidão
e o coração
arcaboiço da doçura
convulsiona-se dentro do peito nu
e meus gemidos são mudos

tu chamaste e meus terrores
jazem espalhados em cada esquina
como língua que se levantam
sem princípios seguem
e suas peles enrugam-se sobre a pele
mas caminham vestindo púrpura

os mortos espalham justiça
com suas mãos compassivas
esmagam o próprio peito
como se tivessem sido perfurados
pela espada de Naim
ungidos sob a proteção da Nação

Nós suportamos o peso da culpa
somos governados por escravos
e cauterizamos a nossa fome por justiça
e a alegria desaparece
como a juventude escapa em féretro
das mãos impuras  dos insanos


inútil
inútil


idílio


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Pétalas

Anjo do norte
Rosas amarelas
orquídeas da serra
Pétalas

Menina flor
cheiro virgem
de verdes almas
da rosa pequenina
esquinas da dor

Anjo da serra
flor que exala bruma
que encanta a pedra
e despenca pétalas
por entre dedos e línguas
rosas amarelas

anjo do norte
esquinas da dor
rosa pequenina
pétalas

idilio

Sou o que Sou

Aborrece-me o ódio consumado
não poderia crer em inimigos de fato
todos os meus caminhos
enquadram o meu andar
e lá está o mais profundo abismo
de onde me ausentarei
se tomo as asas da alvorada

Ergo a minha voz
e derramo bálsamo sobre queixas
e dentro de mim
quedam as armadilhas ocultas
da terra dos viventes

Levanto as mãos
e o meu coração se vê turbado
em uma terra sedenta
que me esconde a face
e como a sombra que passa
disperso a mentira
do poder dos estranhos

e meu lamento
divulga as faces notórias da maldade
e invoco a vontade dos que temem
e dos que esperam
e destrancam as portas das fronteiras
que fazem de mim
uma nação

idilio

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Dor suprema

Dor suprema
alma esquecida
e a mentira da ausência
e o consolo do desespero

Dor que se instala
e a paz doente
a vida que mente
e o fim da espera

dor que encarcera
e o desprezo do amanhecer
abandono da voz da esperança
lágrima de cera

dor suprema
alma esquecida
pedaço de mim
voltas enfim

idilio

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Orquídea da serra

anjo do norte
rosa amarela
orquídea da serra
pétalas

menina flor
cheiro virgem
da rosa pequenina
esquinas da dor

anjo da serra
florzinha que exala bruma
que encanta a pedra
e desperta o monte

menina que saliva
a rosa
e entorta
a  porta do cantor


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Nós dois


Desenhamos um filho
e vivemos nós dois
fizemos a história
e mudamos  depois

nós dois
aplacamos o tempo
escrevemos  bons momentos
e mudamos depois

apagamos os sonhos
de quem veio no antes
em nóis
construímos depois
nosso tempo e vivemos
nós dois

e mudamos de roupa
mudamos de  medo
e vivemos as gotas
que caiam de nós
em nóis

e hoje
bem um tempo depois
só desejo te ver feliz
nós dois
nos dois nóis

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Gosto



Um toque
e a boca derrama
e o cheia de espanto
engole o medo e de tanto
partir e chegar
grita por encanto

Um beijo
e o olho morto
derrama
gotas pelo chão

Um cheiro
e o despertar
e a explosão
da lira

Um toque
e o encharque
da ira
e o sufoco
da rosa
que despetalas
num gemido surdo

Um toque
um beijo
um cheiro
um gosto

idilio

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Verde




Verdes
livres da esperança da volta
longe
que entorta o azul
que te dou

leve
quando escondes
o desejo de me ver chegar

verdes
atrás da íris negra
da aliança que pactuas

mesmo que nua
não é minha
nem tua
a gruta que esconde a fala
do desejo que me enlaça

úmida
a porta da minha volta
e do meu prazer em te-la

verde
tua boca
é verde da cor do meu pecado
quando disfarço
meu desejo de respirar
teu hálito
e beijo de soslaio
teu nome

verde

Serei tua

Serei tua
por toda uma eterna manhã
apenas desço da solidão do ontem
e vivo as línguas da juventude
emaranhadas na visão
sublimada da menina na praça

serei tua
por toda a manhã de nós
das bocas que calam
e eternizam o não como um sim

serei a primeira
mas aquela manhã
foi a vida inteira

serei tua
por toda a eterna manhã
das desculpas
e dos meus nãos
quando era namorada
mais que amada

serei tua
apenas na manhã
de nós
não mais das tardes que somos
nem das noites
que nos esperam

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Tu és

Tu és

minha fala e estrada
e o que espero
todo dia
no limite do meu espaço
quando rasgo
a solidão
pelo teu braço

meu regresso
e meu descanso
o meu fado
quando sozinho
escuto e silencio
e grito mudo
por teu abraço

o meu resto
quando tudo é desperdício
e efêmero

eterno e meu
Universo
quando pequenino
te espero
todo dia

cura da melancolia
e meu verso
quando triste
desperto
e fico bem perto
do anverso
do resto

domingo, 10 de novembro de 2013

Jejuar

Jejuar é sofrer consciente
mas uma dor efêmera
consequente da ação insana
e perdida

jejuar
é compreender a sede
no deserto da dor
é a materialização do arrependimento
é o auto perdão

jejuar é o ápice da oração
é a gratidão
é a memória do coração

que abdica da revolta
e do desespero

jejuar é a resposta
que prepara a alma
é o pleito que não implora
mas agradece e chora

é o amor
é a porta

Duas

Duas
e uma só boca
uma só estrada

duas
e um só medo
uma só volta

como beijos
que nunca te deixam

duas
o conforto
e o mergulho
a fome
e o desprezo da voz

a certeza
e o azul infinito
como ninhos
além das fronteiras
de algum lugar

duas
e a porta que esconde o dia
e enclausura a fala do cantor
que morre de asfixia
das emoções e da dor

duas
apenas uma escolha
e uma saída
e nada na língua
além da fala
que emudece a alma

O beijo





O beijo que você me deu
me deu
não foi um beijo
meu
foi teu
e teu
e eu
gostava tanto
de te ter

o beijo
meu bem
enroscou
no passado
o beijo
que você
perdeu
foi meu
e meu

o beijo
que você
esqueceu
na boca
da serra do mar
no ororubá
foi um beijo
que me perdeu
o teu
e o meu
na  catedral
e Águeda
abençoou
o beijo
que você me deu

sábado, 2 de novembro de 2013

Querubim

Chorei!
pois perdi
a voz

a lágrima
a última fala
a fala de quem
já não tem voz

chorei!
e mudo
imitei a língua
implorei
volta!

Chorei!
e a vida escorreu
por brechas
que desenhei

Chorei!
e mudo
estornei a ala da fala
pois gritei
tão intensamente
que deixei a vida na sala
inerte e cálida

Chorei!
e deixei a voz escorrer
no conformismo da espera
e não mais amei
nem assisti o sol nascer
apenas saí por aí
sem caminhar

Chorei!
e na ilusão
não pude voltar
pra mim
e pintei
um nome
um fim

Chorei!
apenas chorei
querubim

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Memórias do Café Nice

Quero poetizar minha sina
quiçá eternizar a menina
de olhos mágicos
minha namorada agreste

poetizar o espaço
e misturar tintas
nas paredes das ruas da espera

viajar nos mares cinzas da capital
e deixar a luza fusca
derramar nódoas nostálgicas
do Café Nice

não ser alegre nem triste
poetizar e desenhar linhas imaginárias
do infinito

desejar
nem a partida nem a chegada
e desprezar os corvos
e os abutres dos sonhos
que encontrar

suzabear o cruzeiro
não ser alegre nem triste
apenas
poetizar o estreito do ororubá

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Desejos

Desejos flutuam
e não poderia dize que apenas flutuo em ti
pois que  assim o meu querer findaria em ti
Digo-te
necessito de ti
pois que
dia a dia
recupero o desejo pela necessidade
que
longe de ser uma flutuação de desvalor
é o desejável
alicerçando-se na reciprocidade

mas
devo dizer-te
que essa minha necessidade
projeta o desejo
para dentro das fronteiras da troca

é bem verdade que
essa minha necessidade
apaga-se
ao se expor
e é bem possível que desapareça
na sua própria manifestação
pois que não cessa quando velada
e se retira no seu segredo

compreendo que o desejo
está comprometido com a necessidade
mas é exatamente esse caráter descontínuo
que torna
o desejo efêmero
e a necessidade eterna

o que experiência a convivência dos dois
sem haver exclusão
a mobilização do desejo é factual
mas
a necessidade é a auto afirmação
do amor
e é impossível
reduzir o amor
ao silêncio
o desejo não é a expressão
patológica das paixões
e sim exigência da necessidade
necessito
exatamente por desejar todo dia
não como vício
mas como essencialidade
no meu viver

idilio

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Meu nome... Antônio... um pai ... um filho

"...fazia frio naquele campo sagrado
onde fostes sepultado
tu...meu pai...eu...
teu filho"
Antônio Medeiros ( meu pai)  no sepultamento do seu pai Domingos Araújo.


Caro filho!

Hoje é mais um dia nesses meus oitenta anos de uma vida entre alegrias e dores.
Alegrias foram muitas, dores foram infindas, mas não quero aqui nomear ou dissertar sobre elas.
Gosto de passar as tardes a contemplar o universo e me pergunto ainda cheio de dúvidas, se vivo ou se sonho.
Às vezes me pego a pensar nos filhos e sinto uma nostalgia imensa e te digo que hoje choro fácil, pois as lágrimas de velho limitam o desejo de voltar e recomeçar.
Sei que não te amei como sabia e confesso que por não se sábio, errei. Afinal tu bem sabes que sempre fui mal educado e durrão pois não tive as oportunidades que te dei.
O meu amor é limitado pela minha ausência de conhecimento mas é infinito tanto que ainda grito procurando despertar o teu amor por mim.
Faltam poucos anos, quiçá, dias para a minha partida e o cômico é que nessa viagem não posso levar nada daqui nem o meu telefone, perderei contato contigo, se já não o perdi a anos, mas o telefone ainda está lá disponível, e isso me entristece, mas filho, onde quer que eu vá lembrarei de ti, não olvidarei que nestas tardes sentado aqui em frente ao meu portão abonei o medo da tua espera.
Eu queria te pedir perdão, mas sou muito velho pra isso, perdão pelo que não pude ser, mas também queria te perdoar por esqueceres de mim tão perto mas tão longe assim.
Fico sem entender se sou o pai pródigo ou se tu és o filho pródigo, mas nenhum de nós voltou ao lar e nesse meu ocaso descontinuo desconstituo a volta e espero.
Também te imploro migalhas da tua atenção e da tua fortuna efêmera, mas sei que pensas que não posso implorar pelo que não te dei, pois se não te proporcionei conforto na tua infância e juventude tu também não poderás proporcionar conforto na minha velhice e agonia.
Mas te digo que a fonte permanece enquanto a água viva produz o mar e o meu amor é espera e o teu memória. Tu não sabes filho e hoje tenho uma mesa farta ou se o câncer dilacera a minha angústia, nada sabes pois nada procuras e ainda assim espero uma visita que nada cobre apenas ame o resto de mim.
De teu pai.
Que Deus te abençoe.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Extremo amor

Se vou ou se venho
não importa
e importa
se chego
e se estais lá
e serás a minha espera

importa se tenho propósitos
no meu ócio
e se o meu descanso
for o reverso do pranto

e mesmo que olvides
a minha face
não duvides da minha alegria
por ti

e sendo assim
desalegro o desprezo
que me enlaça
quando quedo seguindo
na imensidão da estrada
que me leva
ou me traz
pra perto de ti

idilio

Íntima agonia

Esse riso que implora pela boca
essa íris que chama
e encanta a cama
do teu interlocutor

essa língua que decora a boca
e morde a palavra muda
nada pede
só esconde o desejo
da fala

quem dera
o surdir da tua mudez
contasse 'segredos
de liquidificador"

e o morder da tua língua
ferisse o espaço vazio
da minh'alma
que deseja
a tua íntima agonia

idilio

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Batismo de angústia

É necessário reinventar uma nova história
reaprender a andar por  veredas antigas
cônscio do batismo de angústia
e do plágio esquecimento

dor
metáfora fundadora  da oração
flecha do tempo em espiral
polarização que emancipa o orgulho

o meu apelo é medo
que se esvai na segura possibilidade
de uma eternidade
divorciado do criador

daí a necessidade de reinventar
novos horizontes
mas seguir seguro por terras dantes pisadas
quiçá
derramar desespero pela estrada
mas seguir
como um eterno aprendiz no tempo

imune a obsessão de desconstruir
e fundar um sincretismo acrítico
servir
pois é na servidão
que se celebra a fragmentação
das diferenças

idilio

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A dor em dó

A terra chora a fome e o desamor
e ainda tento plantar a flor

as crianças choram
do outro lado da rua
e aqui
almoço olhando o mar

minha poesia é minha calma
e meu lamento

mas a confusão
dentro de mim
é escárnio

não posso viver o mar
quando a dor canta em dó
a tragédia de viver aqui

creio que a dor
é apenas uma volta

quando tudo está perdido
a lágrima da fome
busca um novo presente

a minha lágrima é esquecimento
e a dor que trago
por saber-me inercial
nesta história
lamento



idilio

O amor é lírio

O amor é lírio
é forte
é frágil

O amor derrama
e enrama
é líquido
e engana
quando flui
espanta

meu amor é simples
descanso
e espanto
quando sem sentir
explode em pranto

meu e teu
é sozinho
esquecimento
mas
por vezes
unguento

meu amor é pleito
mas hoje
segredo
saudade das mãos
e do colo
do descanso

o meu amor é lírio
é frágil
decerto
e outras
deserto
oásis de mim
e meu fim

idilio

domingo, 18 de agosto de 2013

O amor órfão

o amor tem um percurso duplamente estranho
em um primeiro momento antecipa-se bloqueando a razão
em um segundo momento entende que não se deve subverter a ordem
e procede a uma análise crítica da ilusão de viver o sonho projetado pela sua insânia

Eis que é necessário transformar esse poder desigual
do desprezo da razão e a própria razão maquiada que substitui o platonismo inicial
é necessário construir alternativas para o esquecimento e boicotar o amor
desconstruindo a aspiração e desarmando a resistência
em um confronto do esquecimento
afinal o que vem depois só tem sentido se já estava antes
como as ausências e a convulsão das raízes e opções

é um desperdício reconhecer as diferenças e os mundos desiguais
e sentir o amor como se vírus, excluindo as possibilidades do encanto
permitindo o desencanto disfarçado em apropriação transformadora
e a minha luta incessante gera a indolência
mas reconheço demasiadamente tardio
a minha lembrança está longe de restar perdida.

idilio


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Caruaru

O que dirias
das ruas que pisei
estradas e marcas
e aí morei

meus beijos e lágrimas
nostálgicas calçadas e praças
e a casa que vivi

janelas passadas
por onde andei
e em tuas entranhas
depositei filhos e lágrimas

amei amei
tuas largas esquinas
e namorei teus sinos
tua espera e herança

por fim
fica sempre por saber
não te insinuas em mim
pois não posso mais
celebrar a fragmentação
das tuas diferenças

Caruaru
o meu apelo foi
aprender com tu
a necessidade de reinventar
a minha história
e condensei
o teu nome em mim

e hoje
imune à obsessão de desconstruir
oculto a tua relação desigual
de ser meu ontem
e meu fim



idilio

Ventre livre

Tantos janeiros vividos e sonhados
ainda compositor da vida
buscando atalhos perfeitos
na ilusão de um mundo sem mágoas
em estorno por terras dantes pisadas

sem ser o mais o mesmo
ainda sou quem erra
e espera a volta do novo
ou do ladrão

tenho lágrimas pisadas
e difluais que não merecem a atenção
meu canto é surdo
e ainda na contra-mão

se eu clamar
o que você irá escutar
seria o fim de festa
com meus versos
ou ingratidão

cada peça iludida que encenei
cada culpa que vesti
disfarçadamente escrevi
e o que convém
não senti
só busquei quimeras

desprezo a chegada e a partida
mas ainda assim
prenso o meio dia
e sou apenas um andante
por aqui

mas
enquanto a chama arder
serei tudo
e a lágrima que purifica
encharca a dor do mundo
e irei fundo
no ventre da terra

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Pérolas para ostras vazias. Romanos 6:15.23

Somos servos das nossas escolhas
e portanto, na qualidade de servos, devemos obediência.
E exatamente por obedecermos somos servos.
Mas a obediência pela dependência
não é obediência é medo.
A obediência só é obediência verdadeira se for obediência de coração.
Não só por ser servo
mas por amar o seu Senhor.
Amor por amor, não por dependência ou temor.
O cristão é servo do Cristo Jesus
e portanto na qualidade de servos devemos obediência
e exatamente por obedecermos somos servos.
Mas a obediência é amar
e amar acima de todas as coisas e todas as coisas.
Quem é verdadeiramente servo?

Pérolas para ostras vazias - Mt 6.12

"Perdoa as nossas dívidas
assim como nós temos perdoado
aos nossos devedores"


É interessante entender a diferença básica entre a desculpa e o perdão.
Evidente que só se tira a culpa de alguém pela desculpa, pois que desculpar
é dizer , olha você não tem culpa, eu compreendo que você agiu assim por
este motivo, um motivo que eu entendo.
Com relação ao perdão você diz: você fez isso, você tem culpa mas eu aceito o seu pedido de perdão; jamais vou lançar isso em seu rosto e tudo entre nós será exatamente como era antes.
C S Lewis, diz que a existência de uma desculpa é a existência de uma circunstância atenuante. A desculpa atenua a culpa.
Perdoa-se o indesculpável e essa é a atitude esperada de um cristão.
Jesus vincula o merecimento do perdão ao próprio perdão ou seja, Jesus diz na oração dominical, olha você só será perdoado na exata medida que também perdoa, e não olvide que perdoar  é esquecer.

idilio

o inconformismo da banalização

Vivenciamos o inconformismo da banalização
e essa verdade que se visualiza nas ruas da cidades
é uma representação transparente da realidade

Mas a verdade não pode ser uma separação absoluta
entre a tragédia e o inconformismo
a verdade deve superar essa dicotomia
e ir além em uma necessidade de reinventar
a realização pratica de valores morais

a verdade não deve transitar entre o sim e o não
entendendo o sim como uma metáfora do desejo humano
basta
essa é a nossa bandeira e pleiteamos o fim
não de uma sociedade injusta
mas o fim da banalização da corrupção e do excesso

idilio

a nossa canção

olha
nós não tivemos a nossa canção
nem paixão em nosso toque
mas
tivemos razão e o porque
de um amor assim assim

e eu posso até esperar
você voltar
e quem sabe assim
te invento uma canção
e será então
nossa canção

olha
nós inventamos um mundo
descartamos o espaço
iludimos o tempo
mas
não tivemos
a nossa canção

e eu me pergunto
nessas serras
tão longe de casa
será que andas descalça?
será que pensas em mim?
assim assim

e eu fico a te esperar na janela
apenas é uma espera
e não uma canção

a canção que eu inventei
pra ela

quinta-feira, 9 de maio de 2013

murmurações

Meu coração está ferido como látego
e vencido pela frutificação da iniquidade
e da maldade
Os servos encharcados
e os iníquos cheios de exalão
com seus rebanhos em demasia.

Me pergunto tresloucado
porque jaz os filhos do altíssimo
em desastre e dor?
Seria ingratidão servir ao Senhor Deus
e não viver em escravidão
já que os filhos da depravação
ostentam suas riquezas
e suas escamoestações.

Ah! Senhor dos desgraçados
onde o teu cajado e tuas promessas
para os filhos de Sião
por que Deus da miséria
não amenizas a dor dos teus filhos
que clamam por perdão
Serias o caminho da salvação
mas postergas para além da perdição
as dádivas das promessas juramentadas
pelo chão

Ah! filhos da lamentação
murmuras por conversão
inquietos deitas e não buscas o pão
jaz feito dor que exparge e não quebra
mas que é carniça por estagnação
Filhos da imaginação
te indignas, gritas e até adormeces  em oração
mas não voltas à casa do perdão.

terça-feira, 30 de abril de 2013

PERTINHO DO MEL

vem
deita aqui
sou tua
beija aqui
pertinho do mel

vem
e joga o gosto de tudo
na minha boca

sou tua
morde aqui
bem perto do fim

morde em mim
enfim

sou tua
lua nua
tua espera

vem
mas feche a porta
que enrosca em ti

sou tua
lua nua
que grita em ti
sou tua volta
mas
não espera
morde em mim

sou tua voz
chora em mim

machuca
mas não chuta
só gosta em mim

sou tua
beija aqui
bem perto do fim

sou gruta e espaço
que espera por ti
vem
deita
bem aqui
deixa a rua molhada
mas fecha a porta
que enrosca em ti
vem

FERA

o meu amor é descanso
é meu
mas não se resume em mim

nasce aqui
mas se derrama
pelas fendas do mundo

o meu amor é tudo
mas se divide
pelas ruas dos amores
é silencio quando espera
mas verbera
quando chega
e explode
pelas teias que enreda

o meu amor é frágil
eis que despedaça
e por vezes quebra
mas que
rasga a carne
e às vezes é fera
quando em pedaços
dilacera

PERDOAR

Perdoar a quem perdeu
sou eu
sou eu

perdoar a quem sofreu
e eu
e eu

perdoar
mesmo que o depois
seja o único motivo
para chorar

mesmo que amar
seja descansar
e meu
e teu
despertar

perdoar
e rasgar o ninho
da espera

amar
amar

distrair a solidão
da calma
da alma vazia
de amar
amar

perdoar
e de repente
tudo volta pro lugar
que se perdeu
o meu
o teu
e eu
e eu

sábado, 6 de abril de 2013

DEPOIS DO ANTES

quero dançar com você
depois do antes
e acordar no antes
pelo prazer do depois

te espero e te quero
como se ama o que sempre foi
mesmo depois do depois
pois que é eterno
enquanto chama
pois que é infinito
eis que renasce
toda manhã
enquanto queima
e ainda que esquecido
arde sozinho
para renascer no depois

quero esse querer
mesmo que não queiras
querer-me
pois se é leve
eis que flutua
pelo espaço que há
entre o depois e o antes
de nós dois

e depois de você
pra que
pra que

terça-feira, 5 de março de 2013

NO FOSSO DA TUA ESPERA

Você já se imaginou de volta
depois da curva deixada
atras da porta

e na volta
descobrir que não partiu
que tudo não passou
de uma imagem torta
no fosso da tua  espera

Você já fechou os olhos
querendo apagar o teu presente
e acordar no teu passado

já  sonhou viajar sem porto
em direção ao infinito do ontem
sem perdas e danos

já ficou quieta
esperando a lágrima fugir de dentro
bem pra longe de ti

e nessa espera
esqueceu de  desejar a volta
e que valeu a pena
tudo
tudo valeu a pena
nessa cena
de uma outra história

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O peixe e o pássaro

Um dia, um peixe ousado, por contemplar o céu e sonhar com aquele imenso azul, imaginou-se pássaro e sonhava noite e dia naquele céu.
Não seria diferente, seria indesculpável a temeridade de se expor, mas asilou a tentação de voar.
Qual estivesse amparado por estranha força invisível, depois de beijar enternecido o ar, mergulhou quase que seguro naquele estranho e desconhecido mundo, mas seu mar.
Todas as tardes dividia o olhar entre o firmamento cintilante e as águas tranquilas, e sempre abismava-se em profundas indagações que nenhum outro peixe poderia sondar.
Morrer mil vezes, mas um dia deixaria esse mar, voaria e mesmo que tortura fosse assim sonhar e por menor que fosse esse padecimento em frente ao céu, não despojaria viver só para o mar.
Pobre peixinho, não obstante a fortaleza de sonhar, quando por vez primeira ouviu aquele pássaro cantar, cedeu a tortura que antecede o desalento, e entre a paixão inacessível, tentou fugir daquele cantar, mas em vão cedeu a fadiga de voltar bem próximo às margem, arriscar só para sentir aquela voz, aquele cantar.
Venceu a inquietude e a solidão o compelia a recuar, mas ainda assim todo ocaso estava lá, aquela paixão que lhe conspurcava a paz de sonhar e desejar ser passaro só para voar. Já não era ele, que sonhava, aquele pássaro já era ele e ele não sabia explicar, e nem sabia se cantava ou estava só a escutar.
O peixinho compreendeu que vivia em um mundo e aquele que ele via na lusa fusca e que mergulhava por vezes e sentia-se voar era outro mundo outra vida, que ele um dia estaria por lá, seria pássaro, cantaria da nostalgia de querer voltar para o mar.
Aquela paixão entre dois mundos tão próximos mas tão distantes pois que um não poderia permanecer no mundo do outro se não por instantes, apenas instantes e no depois seu mundo ainda era o mar.
Amar, amar, o pássaro e o mar, ambos pertenciam a ele, e ele era às vezes pássaro às vezes era mar. Mesmo em corpos diferentes, mesmo em mundos diferentes, mas o tempo, o tempo essa medida do que não há, o tempo era por vezes o medidor de mundos, era sim, aquilo que lhe dizia, que ele podia ser ao mesmo tempo, pássaro, peixe e mar, tudo se resumia na vontade de materializar, de se ver em um mundo ou em outro lugar, tudo era possível na ideoplastia de materializar a vontade aqui e acolá, o que importava era sentir e sentir às vezes até que não se encontra em qualquer lugar, sentir é algo que mora no lado de cá, no lado de cima do coração quando se esprai em sonhar.
Ser peixe por ora, ser pássaro sem demora, tanto aqui como lá, são mundos reais, pois é real também sonhar, imaginar , desejo que torna-se vontade pelo acionar, pela ação de querer, o desejo passa a se materializar do lado de cá.
Ah! o peixinho estava apaixonado, e paixão é o climax da ideoplastia, pois materializa o objeto da paixão de tal forma que não se sabe mais o que é peixe e o que mostra-se fora do mar, pásssaro que voa ou peixe que ama, tudo, tudo é um só lugar.

Acordou ainda noite, estava em um galho bem próximo a face limpida do lago azul. Apertou bem os olhos e conseguiu visualizar no ocaso do acordar, aquele peixinho bem próximo,quase a lhe tocar e de repente olhou bem para as suas asas e inventou um vôo.
Mesmo voando ele não conseguia distinguir se ele era passáro que havia sonhado ser um peixe ou se era um peixe sonhando voar. Sentiu a carícia do vento e o beijo deslizava por entre seu bico e penas, mas ainda assim, não sabia se era peixe, passáro ou mar. Mas sabia e sentia que amava e amava aquele peixe e aquele mar e não importava se ele sonhava ou estava do lado de lá e sim importava que sentia e sentir é viver todo dia é ser peixe, é ser passáro e mar, é ser vento e céu é ser tudo, tudo que há, é sempre estar em algum lugar.


 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

desaviso

E se eu disser que te amei
acreditarias em minhas lembranças?
se não busquei a eternidade do nosso vislumbre
vaguei em solilóquio doloroso

mas eis que tu vagueias em mim
como querobim desavisado

sigo amando teu espento
de não te ter por descanso

e se eu disser que sigo
e é  reflexivo o meu desaviso

e amando e amando
por vezes te escuto em verde e rosa
me querendo tanto

Parou naquela estação
o prazer que explodia
a nossa emoção

conta-me a tua vida
por agora
tua filha que chora
quando escapa teu seio
e das horas que cantas
e encantas  o beijo de agora
do espaço molhado
entre o céu e o teu laço
da tua nova esperança
da tranca quando tranças
a porta atras de ti

idilio

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

lusa-fusca

Dirias
idílio
e nada respoderias além do eco em mim

tudo é tão átimo
e nem represento que hoje
é o ágora
se meus olhos fecham
e nem sei se o presente é o que se quis

Dirias
Deus
e nada responderias
além do desejo de vive-Lo
é fusca a lusa da minha viagem

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

o ano que morreu


Meu bem

Tudo de repente sumiu

E olha que nem é primeiro de abril

Mas esse teu olhar no meu

Foi teu desejo

E não seu

Meu bem

Hoje o ano sumiu

E olha que nem assim

Você ressurgiu

Mas o meu pensamento

No teu

Foi desejo meu

E não teu

Meu bem

Leia

teu passado no meu

e olha que nem sou teu

nem eu

sou assim

como o ano que morreu

meu bem

 

 

 

cicatrizes

meu corpo de guerreira
esculpido pelas cicatrizes de guerras
expostas em mim

minha pela derrama o suor
das conquistas
e cada vitória
será sempre um novo
recomeço

e nessa lusa-fusca
que ofusca as dores da batalha
ah! ilusória natureza
que cegao gesto
de recusar-se a ver
que a vida não é conquista
é recepiente vazio
mas que tragicamente sublime

o que torna majestosa
a beleza frágil
do viver

a janela dos mortos

Triste espaço no compasso a dois
os corpos são frêmitos da desordem
e as almas desfrutam caminhos opostos

conviver conspira o desmando da maldade
lados e espaços vazios
átomos que nem por um átimo
sustentam as janelas dos mortos

insegura
a dura certeza da despedida
que por desnuda
despe a vida em dois

triste a conspiração da maldade
que por ser pública
torna impudica
o amor


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

mentiras e outras ilusões

estou cansado de ser mar
cansado das variáveis e das mentiras da lua
que teima ser cheia quando se é igual
a nova ou meia
minguante inteira
mas que é sempre a mesma
nua lua

cansado da ilusão efêmera
que se repete
e que inunda a fantasia
e entorpece a íris
mas eis que queda
a mesma
lua nua e sem rosto

cansado de olhar-te e nada ver
além de uma fantasia que silencia
a mentira de estar lá
inteira
e por er a mesma
não pode ser nova ou cheia
nem minguando será inteira

cansado por saber que voltas
sem nunca teres partido para alguma chegada
e ainda creio que voltastes do nada
que teu semblante denuncia
vazia
lua inteira

eis tua mentira
e enganas os tolos
eis-me a acreditar
em tua ilusão desmedida
que estais sempre aqui
bem perto do fim




sábado, 1 de dezembro de 2012

Manuela

Sou tua marisia
e queria ser tua
nem queria ser só minha
mainha
queria sim
ser só tua
mandinha
e você ser só minha
maninha
queria morar na tua história
pra você escrever a minha
queria sim
por isso vim
e sento em teu colo
e lambuzo teu peito
queria
queria
por isso vim

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

JANELAS

Todas as lembranças
são encontros com o passado
pela janela do coração

se sou poeta
ou artista em minha vida
só serei
pela janela que abri
e vi
o tempo escorrer
no vazio de mim

e mesmo a tristeza tem janelas
mas procuro dizer a esta
sempre
jamais olharei pela tua fresta

se sou janela
por vezes serei espaço
em teu ser
ou serei o grande abismo
que afasta por amor
as coisas que deseja
pelo amor de desejá-las

e por vezes
de tão perto
os que dele nada sabem
pensam que o possuem
pois que vêem apenas sombras
do que vivi e vi
pelas janelas que abri

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A reconstrução do templo

Eu vi a tua primeira casa
mas aquela casa não era a tua
aquele templo não era o teu
aquela glória não era embastada
era glória gasta

quem viu aquela casa
na sua primeira glória
o que vê hoje
é sepulcro caiado

o que te foi tirado foi templo gasto
recomeça a construção do novo templo
porque sou Eu convosco
e a glória desta última casa
será maior que a primeira

Aquela casa não era a tua
e não desejo devolve-la
como teu encanto primeiro

Edifica teu novo templo
e me faz guia
não desprezes o humilde recomeço


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

SAUDADE

Saudade éa dor em liberdade
não é só uma palavra gasta

saudade é mágica que se espalha
na ferida causada pela distância
entre nós

saudade é ópio
é engodo da dor

é neblina que adormece a iris
mas é mera luz
na escuridão da dor

saudade é a minha dor em lamento
é vento que se espalha
é fragmento de uma lembrança

saudade
saudade

sábado, 3 de novembro de 2012

tempo perdido

Se não carpinas onde visito
e és espuma que flutuas
em minha vida

se já não sentas mais
na minha esperança
nem esperas mais
a minha volta

que faço eu na tua sala
se já não nem enfado a tua cama?

e nessa desdita em arremesso
nem sei se é hora de partir
ou de mentir

apenas imito a tua boca de outrora
e sigo sem espaço
no teu compasso
de moça velha

se já não desperto teu sarcasmo de mulher
esqueça
pra que morar na tua cãmara
e não ser primeira?

tempo perdido
esse que embalei o teu vestido
e te fiz dama
entre tantas
que enganam
entre falsas esperanças
de moça velha

MEU DESEJO

eu desejo que você saiba
que por vezes me pego
amando você

que sou a sua voz
quando grita
e a gruta que empossa
teu nome

que não esqueço
o pouso da minha mão
no teu quadril

eu desejo que você saiba
da necessidade de te ter comigo
nas coisas que se tornaram instáveis

da sofreguidão do meu apetite
desarraigada com o crescer dos anos
e que desde então
ninguém seguiu o curso de minha vida
tão bem

eu desejo que você saiba
que as coisas ínfimas
também deleitam
mas não suportam a solidão

que o meu desejo
e o medo de o perder
tornou apático o meu dia

eu sinceramente desejo
que você saiba
que a místura de sílabas
na sua boca
foi meu paráclito consolador
e minha lágrima
de despedida

sábado, 27 de outubro de 2012

Deus

Teus impulsos e meus pecados
minha desdita e Tuas promessas
Teus planos e minha história
minhas lágrimas e Teu jejum de Pai
meu desespero e Tua espera
minha súplica e Teu descaso

serei eu pedinte e Tu ouvinte ?
ou És esbolço e eu fumaça
És soberano ou fado ?
pois sou tristeza que se renova
e ainda assim não me deletas

então És dúvidas e eu solidão
porque flutuas em meu espaço
serei vazio sem teu Espírito
ou apenas riso
na boca dos faustos

ainda assimserei dependente
serei crente na minha escolha
e mesmo que morra sem meu espaço
serei fiel serventuário
e direi que Deus é para os fracos
não para os falsos intinerários