terça-feira, 23 de novembro de 2010

a anfibratura implacável de amar

Os meus olhos pulverizam
a dor de uma liberdade presa

Ainda assim, não choro
a lágrima calcificou a íris

A dor da solidão só é sentida uma vez
uma única e dolorida vez

O homem não vive
sem se perder uma ou duas vezes na noite
e  se embriagar em um sorriso

Alegrias
tristezas
um dia e uma noite

é assim o viver
As dores são noites eternas lembranças
e o prazer de se viver banaliza a dor
que  enfermiça a alma
que de luto chora e chora

Os anos passam como o trigo e o pão
o que resta a cada um de nós
não é a lembrança do que fomos
é a certeza do que poderemos ser

Da janela se vê ao longe
mas sempre se vê o que já existe
é necessário  se olhar com os olhos do futuro


e o que se foi?
foi , apenas se foi
É necessário viver
mas o viver não é um dia atrás do outro
sem motivos, sem direção

Um homem não pode viver sem motivos
sem a responsabilidade do querer
sem a anfibratura implacável de amar
e não permanecer na cãmara escura do sofrimento

que o Senhor não me impute
o pecado de não querer vencer

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