segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

ANDAR ANDAR


Seguimos

invariavelmente seguimos


Dia a dia a música toca 

O trem não para

A menina agora é mulher

A chuva cessa e o sol ainda é o mesmo


O cabelo perde a melanina

A pele escalpa


A dor enlaça e a lágrima pesa

Seguimos e não tem como parar 

A fita 


O amor acaba

A dor descalça

Os anos deixam estradas


A velhice acalma

A lágrima petrifica

O amor escapa


Seguimos e bem perto do fim da estrada

A visão perde a graça 

A moça passa 

E a morte chega


IDÍLIO

O PLATONISMO QUE INVENTEI

Andei em mundos disformes 

Dismundos solenes e retóricos 


Andei por veredas antigas

Estradas e vales


Subi montes e serras 

Cansei na estrada

Perdi o norte de mim


E andei a colher sementes e frutos

Da semeadura livre

Entortei meu canto

Isolei meu espanto


Perdi vidas e pranteei meus versos

Chorei sem plateia

Engoli a dor do descaso e do esquecimento


hoje 

deito na rede da solidão

vago feito alma aflita

e

Perdida


Amei tão intensamente 

que planifiquei a minha espera

e calcifiquei a minha saudade

no ralo que escorre desejos


Estou só no platonismo que inventei

Mas por descanso 

Durmo tranquilo


Idílio

SAUDADE DOS MEUS APAIXONADOS


Saudade

Dos meus únicos 

Meus oportunos individuais

Da rede

Do meu descalço 


Saudade 

Quando iludia a fome

Do magro pedaço 

Quando só tinha o sonho

Do fausto 

Quando aqueronte era só um rio

No espaço quadrado 


Saudade do furo 

Que resfriava o sapato 

Do cheiro de mato

Do descaso


Saudade da rua

Do meu imaginado

Quando rompia a fortuna 

No meu descalabro 


Saudade é fato

E hoje é espaço 

É mistura pra todo lado


Saudade do meu apaixonado

Quando chorado 

Não tinha nem lado

Mas corria calado

E era rei e soldado

Não tinha nada 

Mas tinha a certeza

Que a vida era fado 


Saudade 


Saudade

Do olhar desejado

Do pedaço 

Do pequeno espaço 

Da conquista 

Da dor de ter chegado


Da despedida 

No campo sagrado

Da esperança de ter desperdiçado 

Saudade da brisa da serra

Do viver infinitamente 

Desprendido do mar


Saudade do bar

Da igreja e do sino 

Saudade do menino 

Que corria no ororubá


Saudade é não poder voltar

Saudade é fado


Idílio

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Amores leves

 De repente e mais que de repente

A ruga aparece e o cabelo esquece que tem cor 

A voz cala e o sonho permanece

A preocupação com o amanhã desaparece

E a vida fica mais bela 

Pois vive-se a cada dia sem esperas

A noite chega 

O desejo de correr mundo

adormece

Você prefere beijos 

E amores leves 

Sem pesos da produção de prazer

Você percebe a curva 

E torna-se detalhista

Digo

É

Prazeroso envelhecer

Tornar-se solidão 

e tendo como princípio básico 

A sua própria satisfação 

Envelhecer é assim

Nem pense ser o começo do fim 

É o começo do  comprazer

Que é a delícia do saborear 

A experiência do perceber

Andar andar

 Andei em mundos disformes 

Dismundos solenes e retóricos 

Andei por veredas antigas

Estradas e vales

Subi montes e serras 

Cansei na estrada

Perdi o norte de mim

E andei a colher sementes e frutos

Da semeadura livre

Entortei meu canto

Isolei meu espanto

Perdi vidas e pranteei meus versos

Chorei sem plateia

Engoli a dor do descaso e do esquecimento

E hoje 

Deito na rede da solidão

E vago feito alma aflita

E

Perdida

Amei tão intensamente 

Que planifiquei a minha espera

E calcifiquei a minha saudade

No ralo que escorre desejos

Estou só no platonismo que inventei

Mas por descanso 

Durmo tranquilo

Saudade do meu apaixonado

 Saudade

Dos meus únicos 

Meus oportunos individuais

Da rede

Do meu descalço 


Saudade 

Quando iludia a fome

Do magro pedaço 

Quando só tinha o sonho

Do fausto 

Quando aqueronte era só um rio

No espaço quadrado 


Saudade do furo 

Que resfriava o sapato 

Do cheiro de mato

Do descaso


Saudade da rua

Do meu imaginado

Quando rompia a fortuna 

No meu descalabro 


Saudade é fato

E hoje é espaço 

É mistura pra todo lado


Saudade do meu apaixonado

Quando chorado 

Não tinha nem lado

Mas corria calado

E era rei e soldado

Não tinha nada 

Mas tinha a certeza

Que a vida era fado 


Saudade 


Saudade

Do olhar desejado

Do pedaço 

Do pequeno espaço 

Da conquista 

Da dor de ter chegado


Da despedida 

No campo sagrado

Da esperança de ter desperdiçado 

Saudade da brisa da serra

Do viver infinitamente 

Desprendido do mar


Saudade do bar

Da igreja e do sino 

Saudade do menino 

Que corria no ororubá


Saudade é não poder voltar

Saudade é fado

terça-feira, 5 de julho de 2022

Andar andar

 Andar andar

Seguimos invariavelmente seguimos

Dia a dia a música toca 

O trem não para

A menina agora é mulher

A chuva cessa e o sol ainda é o mesmo

O cabelo perde a melanina

A pele escalpa

A dor enlaça e a lágrima pesa

Seguimos e não tem como parar 

A fita 

O amor acaba

A dor descalça

Os anos deixam estradas

A velhice acalma

A lágrima petrifica

O amor escapa

Seguimos e bem perto do fim da estrada

A visão perde a graça 

A moça passa 

E a morte chega

De repente


De repente e mais que de repente

A ruga aparece e o cabelo esquece que tem cor 

A voz cala e o sonho permanece

A preocupação com o amanhã desaparece

E a vida fica mais bela 

Pois vive-se a cada dia sem esperas

A noite chega 

O desejo de correr mundo

adormece

Você prefere beijos 

E amores leves 

Sem pesos da produção de prazer

Você percebe a curva 

E torna-se detalhista

Digo

É

Prazeroso envelhecer

Tornar-se solidão 

e tendo como princípio básico 

A sua própria satisfação 

Envelhecer é assim

Nem pense ser o começo do fim 

É o começo do  comprazer

Que é a delícia do saborear 

A experiência do perceber


Idilio

domingo, 12 de junho de 2022

SAUDADE É SOLTAR A INÚTIL QUEIXA

 Saudade 

dos meus únicos

meus oportunos individuais

da rede

do meu descalço


saudade 

quando iludia a fome

do magro pedaço

quando só tinha o sonho

do fausto

quando aqueronte era só um rio

no espaço quadrado


saudade do furo 

que resfriava o sapato

do cheiro do mato

do descaso


saudade da rua

do meu imaginado

quando rompia a fortuna

no meu descalabro


saudade é fato

e hoje é espaço

é mistura pra todo lado


saudade do meu apaixonado

quando chorado

não tinha nem lado

mas corria calado


e era rei e soldado

não tinha nada

mas tinha a certeza

que. vida era fado


saudade


saudade do olhar desejado

do pedaço

do pequeno espaço

da conquista

da dor de ter chegado


da despedida

no campo sagrado

da esperança de ter desperdiçado

saudade da brisa da serra


do viver infinitamente 

desprendido de amar

saudade do bar

da igreja e do sino

saudade do menino

que corria ladeiras

no ororubá


saudade

saudade é não poder voltar

é soltar a inútil queixa

é o encerramento do tempo


saudade 

saudade





quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Vinho antigo

Posso até parecer ausente

encostar nas estrelas

poetizar as nossas canções 

ter amado freneticamente o teu colo

ter borrado nossos beijos de dentro de mim

posso até parecer amargo por instantes

mas não se reescreve histórias

não se materializa verdades do dia anterior

toda vida é ausente

não existe felicidade perene

não existe futuro e nem passado

só tempo presente

viver é reinventar novos portos

abrir novas portas

amar novos espaços

mas é permitido olhar pelas frestas do dia anterior

apenas para iludir o dia 

e lavar a alma despida de alegrias



REVISITANDO MEU PAÍS

Ando a revisitar o meu país

observando as flores do meu jardim

rosas pálidas outras quimeras

rosas desertas outros jasmins

revisito a saudade outras felicidades

e ainda assim o gosto de amora invade as entranhas

da terra molhada

ando a revisitar Santa Águeda e a rua Araújo Maciel

Casa forte 

retiro as algemas do futuro e descalço

piso semanticamente pelo jardim do meu país

tropeço pelas ladeiras da serra das pedras 

que vi por lá

desço minudentemente pelo passado

e visualizo ao longe 

as rosas desfeitas e o jardim consumido pelas quimeras

continuo caminhante

na boléias do meu espanto

e quantos janeiros rolaram

e derramaram pelas fendas dos dedos nus

teu corpo nu e outros idílios

pisei esquecido no meu país

estrangeiro no meu jardim ainda sou 

a grama úmida já não é tão verde

e minha alegria dilui o pranto

e no meu país sou viajante 

passageiro de mim

enfim

revisitei meu jardim e meu país já não estava lá



terça-feira, 23 de novembro de 2021

Duas

Que dor trago a corroer a minha alegria e juventude

que se esconde nos escombros da minha alma vazia de felicidade?

que fiz por merecer um ocaso assim tão núbio e divorciado da alegria

sem colo e apatrido de amor?

onde dormirá o meu amor desfeito dentro de mim?

nas ruelas do meu passado? 

nem assim pois a íris não visualiza as lembranças vazias 

que esfumaçam a minha alma de escarpo e espinhos

Saudade do futuro? 

seria enlaço e permaneceria descalço de mim

só queria sentar. e olhar bem nos olhos e sentir o amor  no toque

tão cheio de mim que permaneceria criança de tanto amar enfim

só queria deitar no colo

deixar o amor levar 

mas onde o colo e o pranto?

onde a casa e o recanto?

eis que me encanto quando canto

e espanto a solidão em mi

queria flutuante ser 

como um sopro 

ser louco e partir 

porém

não existe partida sem porto de destino e nem caminho sem fim definido

e eis que quedo calado

no mesmo lugar apenas por desejar e não viver neste lugar

que dor trago e me embriago na solidão do amargor que desce na boca

e ainda assim trago

pois me engano imaginando o sabor da dor que estrago 

por não saber deliciar quando trago

que fiz por receber tal mérito 

por ser descrédito nas bocas que ainda balbuciam nódoas sem sentido

por decreto

ser só mas ser eterno

queria

ah! como eu queria

encostra em um peito

sentir o coração de quem ama 

sem despertar lembranças 

eternizar 


sábado, 9 de outubro de 2021

QUANDO EU NAVEGAVA MAIS

Quando eu vivia a desbotar caminhos

a sonhar nódoas e contramãos

e andava neste mundo sem saudades 

quando eu corria sozinho

sem estranha necessidade de olhar pra traz

e sem navegar em entranhas e nem túmulos úmidos e perdidos

eu era feliz e até sabia

como jovem me perdia mas navegava muito mais

quando eu era só correnteza 

ou folha desnuda do tronco e nada sentia

eu podia até ser perdido

mas navegava muito mais

hoje vivo livre na teoria

atropelando sentimentos e ais da minha solidão coletiva

navegando em mão única e com uma estranha necessidade de voltar 

navegando em entranhas que derramam e ninguém vê

desejos e dançando sem som

com bocas mas mudo

abro os braços e me abraço sozinho com gostos de batons que ninguém deu

tudo tão esquisito e fico surdo sem nome pra dizer meu

e vida?

se hoje sou feliz?

você duvida?



segunda-feira, 6 de setembro de 2021

eu te amei

 estava cansado e sagrava a ferida em mim

e me encontrava na saudade 

de uma lembrança


o que me leva?

a musica suave da estrada que você pintou ?

ou a fronteira que desenhastes quando partistes  sem mim


a estrada e a saudade derramam feito destino

e as curvas não inventam uma nova dor

são caminhos que tenho que seguir na tua falta


vejo gritos como lembranças

vejo e nada posso deleitar

pois tu partistes como quem volta

e a mim restou o coração

ou o meu lembrar 


me leve

ou me deixe te levar

aqui 

na emoção


e se ainda assim não possas tu levar

vais e me leva na canção

mas não permitas que me perca na razão

voce  machucou meu coração

e meu sofrer  está mumificando em vão





terça-feira, 1 de junho de 2021

DOR

 Não há dor que não se acabe

se transformando em pranto

não há canto que derrame estrelas

quando o encanto desaba

e da janela se espera um novo encontro

não há espanto no desencanto

do vazio que a íris petrifica regando

não há prazer neste deslavo

do escapo deixado na sala vazia

não

não me fale em reencontros

em fadas e gnomos

apenas deixa-me aqui

sozinho a contemplar a saudade 

do futuro do abraço apertado 

chorando



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

O QUINTAL DA TUA CASA





Aquela menina me ensinou

a fazer planos com sorrisos

a amar o meu umbigo

a desnudar meus medos

mas 

egoista que vivi

nem aprendi com seus deslizes

nem perpetuei as brincadeiras

e o futuro não é mais como era

quando a conheci

roçando nossos pés 

no passado do inicio e do fim

da nossa história

eu quis

e amei tanto

que não vi

amor igual

e errei 

que nem sei 

se o vento ainda grita

no nosso litoral

nossa canção 

que agora está tão longe

aqui dentro de mim

mas

foi só o tempo que errou

e a vida continua

e nossos planos

caminharam nus 

nas praias do esquecimento

olha

eu sei que eu era feliz 

tão bem

mas 

terei que viver 

sem você

teu 

serei 

sei

que saudade é dor em liberdade

é fragmento de uma lembrança

saudade é ópio que engole a dor

no escuro do meu carro

reconstruimos nosso idílio

e hoje só apareço quando convém

mas

quero que saibas que

és parte ainda

mas 

tudo bem











domingo, 14 de fevereiro de 2021

VELHO


 Estou diferente do que sonhei só

e neste sonho que sonhei só

envelheci feito realidade virtual


Sonhei ou vivi?

não sei a respostas para as perguntas que chorei

e olha que sei trechos da Bíblia 

na língua

de ponta a ponta


quais as verdades que tenho a dizer?

a declarar?

sou testemunha do amor que se perdeu

do vislumbre das estrelas

do medo 


do blefe das conquistas 

do sacrifício perdido 

da lágrima da injustiça

e você ainda me pergunta

ainda estou em ti?

 e eu sou ocaso profundo

não fico e nem sou parte alguma

nem meio


trago uma história que nem sei contar

sinto saudades e  nem sei se de um lugar

estou velho como a cem anos atrás


e nem quero ouvir o que você tem a dizer






sexta-feira, 7 de agosto de 2020

EITA SAUDADE

Tô com saudades de tu meu pai

saudades de tu

de saber onde tu estais

tô com  de tu meu pai

saudades de tu 

de saber por onde vais

Tô com saudades de tu meu pai

saudades de tu

de saber como tu vais

saudade de tu

saudade de tu


Tô com vergonha do medo

do meu desespero 

de sentir tantos ais

saudade de tu 

quando sinto teu cheiro

entre as dobradiças das portas

e na terra que molha

quando a lágrima se vai


saudade de tu meu pai

tô choramingando nos cantos

quando escuto teu canto

sem saber onde tu estais


Tô com saudades de tu meu pai

saudades de tu

do teu passo arrastado

teu sorriso calado

e as histórias de fado

saudades de tu



terça-feira, 9 de junho de 2020

PRA VOCÊ VIVER EM MIM



Eu fiz uma canção pra você viver mais
aqui em mim
ter em você alguém pra se lembrar
esqueci de tudo
que me fizesse você desaparecer
de mim
e nesse tempo
eu te quis
e  fiz você viver mais
aqui dentro de mim

eu fiz essa canção
pra você
me ter mais
bem perto do fim
assim

e te digo não
nunca esqueças de se apaixonar
e me ligar antes do fim
por isso fiz
assim
uma canção por medo de te esquecer
em fim

terça-feira, 19 de maio de 2020

MEU INFINITO PARTICULAR


Cadê você que abandonou o meu céu
que desceu da escada do meu tempo
deixando apenas um filho e uma imagem tua
Cadê teu espaço e teu negro olhar
no infinito do meu particular

Cadê você que quebrou meu espelho
pintou meu desejo e derramou teu medo em mim
deixando lembranças do teu riso largo
teu retrato
cadê teu largo abraço
no infinito de mim

cadê você que tergiversa
que irrita a minha longa espera
que escorre pela minha face
que entristece a minha noite
cadê você
no infinito do meu particular

Estou aqui sentado olhando
para o céu procurando por ti
o meu infinito particular

terça-feira, 21 de abril de 2020

O mundo perdido de Suzana


A coragem dos gestos de encontro
o todo dos diálogos em partes
na expectativa  do conhecimento
a tua postura e a minha dúvida

o dizer o que sempre esteve
mas que ainda não foi dito
a recusa de representar
e apresentar sentimentos

a tua forma de atribuir sentidos
os movimentos que se encontram
inusitadas diferenças
no teu colo e no meu pensar

como poderia o meu sentir
falar sobre o teu querer
sem estar dentro de ti
sem explicar a magia
que escondes atrás do vestido

que mundo perdido teu espelho não vê
se a cegueira que escondes
não fala nada sobre nós
nem sem nós sobrevive

de Idílio para Suzana





segunda-feira, 6 de abril de 2020

Através do espelho


E eu com saudades de tu
que me aquecestes no berço
da minha espera
que derrubastes Golias e me destes um nome
e  escrevestes meu medo
e eras minha viagem
quando subia  a serra
só pra ouvir o teu espanto

é tão esquisito ficar sem você
o teu segredo sempre foi escassez
e tuas piadas gritantes demais
mas ainda assim eu ali com você
estava nos braços de um pai

e hoje a minha espera é inverno
as ladeiras são tuneis vazios
e já não me refaz teus segredos
nem me aquece tua ausência

posso saber por onde andas?
que espaços frequentas?
ou em que  noites me encontras?

se é que existam ruas
se é que existem saudades
se é que existem noites

até amanhã meu bem
até amanhã
se é que existe amanhã

idilio




domingo, 10 de março de 2019

VAZIO

Queria falar sobre o amor sacrificial
nada de carnal ou outro vendaval
sim, quando se arranca o coração
e se perde e se encontra longe
assim em qualquer estação

queria cantar o espaço arrancado
torná-lo poesia
torná-lo algo visível ao sacrifício
mas ainda assim
quedo lerdo e sem olhos
para fora
e o que vejo?

queria gritar o vazio que vês
e tão repleto de angústias e medos
mas ainda assim
quero torná-lo poesia
e entendê-lo
pois já não posso mais lê-lo

queria escancarar a minha janela
e compreender o livro que visualizo
em uma iris turva
que me espelho

queria assim
refazer cada pedacinho
cada curva
mas ainda assim tropeço

e já não sinto
já não vejo
o sacrifício
de amar assim

idílio

terça-feira, 9 de outubro de 2018

BRASIL

Brasil
um filho teu não foge
e luta pelos filhos seus
a família
a moralidade
a normalidade
Brasil
verde e amarelo
um filho teu
vai arrancar do teu peito
o vermelho que escorre
da tua bandeira
vai replantar a ordem
em meio ao teu povo
e fixar a cruz do cristianismo
no palácio da alvorada
arrancada pelos pagãos
sem pátria

Brasil
a mistura de tintas do teu povo
é o teu galardão
a mistura de línguas
da tua fala
será a gramática nua
e desnudará
os que te desejam
destruir
viva a minha Pátria amada
Brasil
Idílio Araújo

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A TUA VINHA

Leva-me e seguirei após ti
e em ti
com razão
resplandece sobre mim
o teu estandarte
e os lírios do teu amor

vê! já passou o inverno em mim
o tempo de cantar chegou
em nossa terra
e antes que caiam as sombras
faze a minha cama
e levantar-me-ei suave
e não temerei os tremores noturnos

Quem és
que despertas como selo
sobre o meu abraço
e os miasmas da minha solidão
são quiasmos que se completam
no final do dia

olho perdido o teu luto
e já não faz sentido
contemplar  a tua vinha
se ausentes estais

hoje és quimera
ou luz em outro abraço
despertas em mim
ou permita-me seguir
que navegarei em águas rasas
e não olhes para o fato
da minha dependência
do teu laço

Idílio

domingo, 8 de julho de 2018

O contador de histórias




Acorda amor meu
por que navegas em terras estranhas
e ainda impões pretextos conestativos
para a tua partida

Volta! ainda que por um átimo
aporta em nossa casa
e deixa a melodia do caminhão
despertar o dia

dilacera a penumbra que nos separa
e volta pra casa
um instante
e meu coração fixará a certeza
da tua eternidade

mas
te ver assim
como uma gramática nua
ou um verbo sem direção
entristece o meu tormento
de seguir inventando sofismas

acorda amor meu
por que partistes no sonho?
e ainda disfarças
com teu sorriso calcificado na face

Idílio

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Ao menos Diz

O tempo e os dias
contam as noites
que partistes
tu
disseste-me uma vez
que serias a última quimera

serias o naufrágio
da nossa primavera
e seria lindo
tocar o amor
em um tempo perdido

ao menos diz agora
se tu retornaras da última viagem
ainda uma vez

o tempo e os dias
cantam nas noites
em que me diz
que tu
partistes e ainda assim
não se quis

ao menos diz


quinta-feira, 7 de junho de 2018

AS PORTAS QUE NÃO ABRI



Perguntai pelas veredas antigas
estradas da vida que percorri
encostas e planos que não senti
perguntai pelos medos
e ainda assim me encontraras
escondido em mim

perguntai pelos tempos
e ainda assim não me encontrei por lá
pois de tudo que vivi
apenas reflexos no hoje
vislumbro no horizonte
de mim

perguntai pelas minhas crenças
que se perderam além do que fui
e ainda assim
ainda hoje caminho entrementes perdido
no que fui e sou

perguntai pelos amigos que visitei
e por entre espaços que loucamente permiti adentrar
mas não poderia dissimular
nada de novo

ainda assim estou aqui
sentado diante de mim
e não posso dizer do que sei

Perguntai mesmo assim


terça-feira, 7 de junho de 2016

DESPERDÍCIO DE PASSADO


O problema que me aflige
é escrever algo como condição da felicidade
mas que não reduza a realidade
da esperança

É o desconforto de amar as contribuições
e viver em desapego
No que respeita à promessa de amar eternamente
vivendo em descaso e enumerar várias paixões
e breves problemas que refundam a ansiedade
já seria suficiente para nos causar desconforto
quando nos deparamos com o passado
e com a lembrança desse passado a influenciar
a necessidade do antagonismo
de viver o realismo desesperado de uma espera

Como fazer falar o silêncio
se o silêncio é passado que não pôde ser desenvolvido?
como necessidade impronunciável da ausência
como amor ferido e não resolvido
pelo desespero ou como tragédia pessoal conhecida

A atitude , o hábito de proclamar princípios
o desapego da dor passa a ser realidade empírica
plural, porém conformista
que se detém  na fronteira da expectativa de voltar

como se o  olhar fixo no ontem eliminasse  aqui
além do consenso e do impulso de lutar contra ele
e viver por excesso de passado
morrendo na lágrima que não derrama
materializando a depressão do desperdício de passado.







sexta-feira, 13 de maio de 2016

espasmos perdidos

Longe assim
os caminhos fragmentam
a minha dor


esconder pra quê?

Repetir partir
surgir em novo horizonte

longe assim
esconder aqui
perto ou longe

da boca
de canto a canto
sem pranto
mas esquecido
como espasmos perdidos

DESATENÇÃO

O mundo deseja apenas o retorno
da mão que efetua  o desejo de dividir a soma contrária
caminhos se cruzam como pontes
que desintegram a esperança de uma alma esquecida
voltar é apenas o inicio de um novo fim
viver na esperança efêmera
vaidade de seguir cantando
vantagens compartilhadas
esperas fadadas ao fracasso de uma nova esperança
fado e descaso
de um querer em estragos
Voltas que a vida dá
esperas que o entrementes perdido
avoluma a escada da eterna desesperança
voltei e vi o mundo em estragos divididos
e perdas acumuladas pela desatenção  do acaso
Voltei apenas sei
que desatento caminhei perdido
entre efêmeras amizades com vácuos
entre o querer e o dividir espaços

quarta-feira, 30 de março de 2016

EFÊMERIDADES

Nada é coerente
o mundo deseja apenas o retorno
da mão que efetua o desejo
de dividir a soma contrária
caminhos se cruzam
como pontes que desintegram
a esperança de uma alma esquecida

voltar é apenas o início
de um novo fim
viver na esperança da efêmera
vaidade de seguir cantando

vantagens compartilhadas
e esperas fadadas ao fracasso
de uma nova esperança
fado e descaso
de um querer em estragos
 Voltas que a vida dá
esperas que o entrementes perdido
avoluma  a escada da esterna desesperança

Voltei e vi o mundo em estragos divididos
em perdas acumuladas pela desatenção do acaso
voltei apenas sei que desatento caminhei perdido
entre efêmeras amizades com vácuos
entre o querer e o dividir espaços

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

LEMBRANÇAS DAS PERDAS


O que Seria do meu coração sem a caixa
que guarda as lembranças das perdas ?
Teria espaço para  a dor que em mágoa dilacera a alma
onde ficaria guardada para sempre?

O que seria da minha espera sem a caixa
que guarda a trepidez da  minha fé?
teria espaço para a angústia que em mágoa enfada a alma
ou restaria esquecida  para sempre?

Seria coração que pulsa sem esperanças
seria espera vazia sem a lembrança das perdas

O que veria a minha alma sem a caixa
que amarga as lembranças das perdas
Veria como lusa fusca que explode e ofusca
a esperança depositada
na caixa das lembranças das perdas.

Idílio



segunda-feira, 7 de setembro de 2015

a rosa pequenina




Eu que vivia
em mel e sina
voltei menina
quando tu me destes a rosa pequenina

guardei  na boca
o beijo e a língua
naquele dia
quando tu me destes a rosa pequenina

molhei a flor
esqueci a menina
naquela boca
e a rosa pequenina

e eu que vivia
em mel e sina
engoli a flor
suguei a menina

pela boca
do mel
da rosa pequenina

domingo, 30 de agosto de 2015

Teu sabor em mim

Toco o clima além do vestido
desnudo a lua
que grita meu nome
em gemidos
expurga o cheiro da terra
e derrama-se por entre
os dedos do ar

inundo teu céu
em fragmentos
deposito no teu colo
a semente do lar
e volto como espasmos
de mãos vazias

prendo o lábio em mim
e oculto o teu querer
entre as penas da libertação
e encosto em vão
teu sabor em mim

idilio

domingo, 23 de agosto de 2015

Entretantos


plantei sementes
em corpos e vales
inundei ruas e  mares
e ainda posso te encontrar

andei em prantos
em outras línguas e cantos
e no entanto
ainda posso te encontrar

estava aqui pensando
se entre tantos entretantos
ainda posso te encontrar

se ainda vamos namorar as bocas
que deixamos
arranhar os cantos do nosso descanso

plantar os filhos que deixamos
nas fileiras do desencanto

meu amor

estava aqui
pensando
se ainda posso te encontrar

nas filas das praças vazias
em tantas esperas vadias
na flor que molha o engano
entre as pernas do encanto
e entre tantos entretantos

ainda espero te encontrar

meu amor


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

TEMPORAL



É só mais um temporal
é só a chuva lavando o mal
antes que seja tarde
é só a pungente tristeza da lembrança
Natali
é o receio aflitivo da perda
entremeados da felicidade mínima
é só uma contorção transitória
na face do tempo
é mera tolice
a luz que se finda
é só uma lágrima pagã
ou saudade do teu rosto
no ecrã da tela
é só uma peculiaridade
da mente acerca do espanto
do protesto esquecido
é só o amor
aprovado e desobedecido
é só o guardião da moralidade
afinal
parece devastador
mas
é só mais um temporal

idilio

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Orurubá

Moacir

terras entre serras
cantei as matas passadas
amei o viço agreste
serpentes de lá
sentei calçadas
na imensidão do lugar

desenhei o por do sol
sentado ao luar
fui rei do meu lugar

cantei prosas e cotovias
amei o cheiro e o lugar
arranhei esperanças
fui assim
Moacir do Ororubá

Hoje não resta
nem calçadas nem praças
hoje nem sei onde é o lugar
apenas gritei pelo nome
que me via por lá

Moacir vem pra cá
fecha os olhos
o cheiro do mato
a terra molhada a derramar
nostalgias pelo ar

A minha Pesqueira
e eu pala praça

Moacir vem pra cá
sai dessa esperança
a vista alcança
alí não é mais teu lugar

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Negra

Tua pele negra
que engole o dia que há em mim
negras fontes que umedecem
as matas por onde andei

Tua pele negra
que espanta o que ofusca
quando buscas
outras bocas
que encantam o laço
no ocaso
entre o morrer e o renascer
do desejo

tua pele negra
teus fantasmas
e a réstia do que fragmentou
a tua estrada

tua pele negra
e a sombra do secreto
que o dia deixou
sem sentir

prefiro tua negra luz
teu encanto
teu silêncio
e o teu enlaço
e em ti
peco-me
descalço

idilio

Deus está

Deus está aqui
e aqui é um lugar
dentro assim
em mim
em ti
em nós

Deus está aqui
por mim
por ti
no espelho
que é o outro
que reflete
que ele somos nós

Deus está aqui
no amor
na dor  que purifica
o andor

E em tudo que há
em ti
em mim
em nós

Deus está aqui
quando a música acabar
quando o trem passar
Ele nunca partiu
nem chegou
Ele está
aqui

idilio


quinta-feira, 14 de maio de 2015

ISA





Resta a tua presença
teu espaço em novos afagos
que te dei

resta a tua volta
em notas dos espelhos que nos viram
e a dúplice vontade de te ter
entre os braços

resta reinventar tua história
em novas esperas
do nosso longo afago

resta te amar longamente
feito fragmentos
e pedaços de mim

resta a tua presença
teus beijos
e meu grito por ti

Isadora

50 anos


Aportei aos 50
com o corpo molhado de histórias
de marcas
de sonhos rasgados
mas não desfeitos
de saudades das águas mornas
que escorriam em mim
das línguas exiladas
e das desocultadoras mentiras
negadas
cheio de desesperanças na espera pura
da cura das frias tumbas das casas da justiça
consequência e razão do imobilismo
e da descrença

aportei aqui
movido pela esperança
com incontida necessidade
de vomitar restos e vilipendiar
os testemunhos da desfaçatez
e da vergonha
cheio de reencontros e concretude
de histórias vãs

amei cada segundo da minha sensatez
sem se quer poder negar o privilégio de amar
sucumbi na pura espera vã
da alma secreta e devaneios da opressão
posterizei meu enlace e eternizei a desocultação
do meu idílio em tantos outros
idílios que inventei