quinta-feira, 22 de março de 2012

descompromisso

o amor precisa de abalo
de beijos desesperados
de corpos exaustos
do descompromisso

o amor precisa de rastros
de embalo arrastados
de gritos mágicos
do descompromisso

o amor precisa de nomes
de sabores sem culpas
de descanso do descarinho
do mito e do rito
do descompromisso

o meu amor precisa do desperdício
da lembrança e do futuro
o meu amor é vício

idilio



terça-feira, 20 de março de 2012

lembra de mim

lembra de mim
e vez por outra
lembra que se quis
amar demais

e entre os lagos que espelhavam
nosso silêncio
e os espelhos que nos viram
em noites frias da serra
em que pudemos dividir
o sonho
e uma espera

lembra assim
pois hoje te vi
e revi tua imagem diante do espelho
a implorar o beijo
na flor
do nosso idilio

e assim
senti
o cheiro da boca e do medo
lembra de mim

idilio

sexta-feira, 16 de março de 2012

às vezes penso em você

entro na sala de uma ladeira
estou sentada e escuto tua voz
quando cantas necessariamente pra mim
e em mim

ainda assim espero a tua chegada
quando vens e quando partes sem mim
mesmo sabendo que cheguei sem olhar teus olhos

e por vezes penso em você
e quero viver as coisas que agente não viveu
e sonho imaginando coisas que agente viveu

às vezes entro na sala da nossa vida
e vejo que tudo era começo
tudo era amor supremo

como deveria chamar teu nome
Jáne m sei
negar que te amei

idilio

terça-feira, 6 de março de 2012

mãe

quisera fechar os olhos pra te ver aqui
sentada olhando a janela da minha alma
e me ensinando a andar pelas veredas tranquilas

mas meus olhos sempre abertos
já podem te visualizar no fim do dia
velando pelo meu sono
para que minha'lma descanse no teu recomeço

que voltas e me esperas
bem sei
que sonhas para que meu caminho seja igual ao teu
bem sei
que cantas para que minha lágrimas apenas lavem a minha esperança
bem sei

quisera abrir os olhos e entender que és porto seguro
e que chegou a minha hora de navegar tranquila
em águas que preparastes pra mim

não
não permitirei que a minha lágrima ofusque a tua visão
caminharei entrementes segura
e vez por outra
te encontrarei na terra dos sonhos
e lá deitarei em teu colo
na espera de um novo amanhecer

quisera
quisera
te encontrar nos braços de Deus

idilio


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

limite

seria o limite o fim
ou seria o começo ?

Deus é o meu limite
o meu começo

Nele vivo
e além
existo sendo anátema perdido

Deus é o meu tempo subjetivo
o meu tempo de consciência

sem Ele fui tempo perdido
limite do amor profano
tormento retirado do seio do tempo

o limite não é aquilo
em que algo acaba
mas
a partir do qual
algo começa

Deus é o meu limite profundo

Idílio

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Pérolas para ostras vazias

João 6: 48. Eu sou o pão da vida.

Quem não asilou o corpo enlanguescido
diante da memória em padecimento
dividindo o olhar  entre o firmamento e o alvorecer das injustiças
que tornou apático o seu dia

Não seria indesculpável temeridade deixar a ansiedade se alojar
em sua esperança e fazer-se desdita desmerecida?
não seria apático o presente esfomear-se diante do pão da vida?

crer é o princípio do desapego da cela corpórea do mundo físico
é alicerce para a glória futura em um aperfeiçoamento moral do mundo
é a desintegração das trevas
Cristo é o sol dos nossos destinos
é o pão da vida
alimento único que dissipa a nossa fome de justiça

Eu sou o pão da vida quem de mim se alimenta por mim viverá ( joão 6:57)
indiferente aos perigos da viagem caminhe na certeza incondicional
de que Ele vive em você e por você
alimente-se do pão da vida e não mais tenha fome de esperanças
e nem viva transido de assombro

idilio

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

eis-me aqui

eis-me aqui !
diga-me !
sem mágoas
que queres de mim ?
se nada por mim
ou de mim levarei
por Ti
se não
meu temor
e lágrimas vertidas
palavras feridas
sem querer
mas por ter que
descansar
em tuas mãos

não sei nem terei
lembranças de ti
pois
a tua presença
é tão constante
que não podes
não ser sentido
minuto a minuto
bem aqui
bem dentro
de mim

eis me aqui

idilio

sábado, 28 de janeiro de 2012

sobre o amor


não se pode falar sobre o amor
mas dentro do amor se explica
a magia de amar

amar é forma de interrogar os sentidos
pelo movimento que se encontra
os diferentes nas semelhanças inusitadas

dentro do amor se ergue o seu púlpito
e faz-se uma leitura analitica do futuro
aclarando a resposabilidade dos protagonistas
faz-se  do seu altar um lugar
onde se consome as ilusões de completude

dentro do amor
quando nada acontece
há um milagre que não estamos vendo
é a cegueira dos amantes
o sentimento vivo
na linha difusa
entre o bem e do mal

dentro do amor
torna-se eterna a razão
e não podemos
viver nada do amor
sem o amor

idilio



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Helena

Passei em frente à tua calçada
fugindo pra perto de ti
teus pés descalços e a rua molhada

entrei na tua casa
e foram tantos anos de espera
que nem lembro a cor dos teus olhos

beijei teu tempo
e de tão distante de mim
imaginei a dor de te ter tão minha
mas em um tempo diferente

caminhei lentamente no teu espaço
e em poucos dias transformei
o futuro em pretérito
esvaziei o presente
e fiz um tempo diferente

Helena
vou te chamar de Helena
e rever teu olhar agustiado
de expectração
quando deitei em tua cama
enquanto as claridades opalinas
da lua não haviam esperado
o fechamento absoluto
do  leque imenso da noite

diante de seus olhos Helena
deixei transparecer o jardim
que escrevi teu nome

foi nesse instante
como se estivesse sob o império de estranho
e suave magnetismo
ouvi teu prazer desabar em mim
revelando ao mesmo tempo
uma melacolia majestosa
e em meu coração
marulhavam ondas de sentimentos
que até então eram-lhe ignoradas

não fugi de ti Helena
nem morri da solidão da noite
mas sou servo em um sentimento acrisolado
e procuro o crepúsculo
porém digo a ti helena
em minha voz quase melíflua
para sempre
escrevi contigo
uma das mais belas páginas afetivas
no livro das nossas vidas

choro
mas minhas lágrimas não são de compunção
e te peço silenciosamente
não me prives de continuar te amando
como louco que finge a sua desdita
julgueis o meu sentimento
pois
os que não julgam esquecem
Helena


Idílio

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

namorados

queria ser tua
namorada
queria me ver
em você
ser tua escrava
tua vara e condão
teu refrão

queria viver pra você
namorado
ser tua dama
teus projetos e teu espaço

caminhar ao teu lado
ser cidade
o látego da tua crítica insidiosa
e contundente
magoar-te
e morrer mil vezes
ao teu lado
ser teu gênero de tortura
ser tua flor viva
e reter-te no tronco
do nosso destino

ser tua
namorada
teu asilo e fuga
apaziguar teu gozo
quando atormentado
me pedires pra ser tua

queria ser tua cela
e tua dor
no fim do mundo
namorados
eternos namorados

idilio

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

a lágrima de um homem só

imagine a espera sem porto
o amor sem toques
o beijo sem língua

imagine o amanhã sem voltas
o homem sem desejos
a boca sem o grito

imagine a dor sem cura
o medo sem espelhos
a vida sem sonhos

imagine a lágrima
que inunda a face
de um homem só

idilio

além

Sinto o teu cheiro aqui
bem dentro do peito
e sem medo caminho por estradas
nunca dantes pisadas

espero a tempestade passar
e meu coração descansa
em tuas mãos

sei que estais aqui
e isso é suficiente
meu medo perde-se nos teus segredos
e o amanhecer é espera agradável

nada temo
pois nada espero
além
e durmo tranquilo

idilio

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

patricia

fui tua patrícia
tua queixa e vício
amei teus medos
vivi tuas promessas

voltei e não te encontrei 
havia apenas esperas

fui tua dama
fui drama
vivi por teus segredos
e hoje
me abandonas
por terras que nunca vi

fui tua artista
teu gozo e pavor
fui tua patrícia

andei teus começos
mas teus tropeços
não pude viver

fui
teu  pretérito perfeito
não foi fim nem começo
fui só
e sozinha
fui pátria e triste

fui teu berço e odor
fui amando teu nome
mas fugi pra outro endereço

teu jeito
teu peito

fui andando sem jeito
de te encontar

hoje sou só um nome
no teu novo endereço

Patricia

idilio 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

razão

Entrei, não porque deixastes a porta aberta, mas sim por tê-la desejado e atendendo a um pedido do teu olhar, também para satisfazer meu coração que pulsa descompassadamente ao teu encanto de mulher, eis que não posso descartar teu cheiro que se aninha pelo vestido e tatua a alma de quem o sente.
Evidente que o tempo é portador das descobertas e da eternidade para as coisas que se entranha na alma, mas também é poeta das minúncias efêmeras e o único que diz quando tudo cala, mas viver no tempo presente é sinfonia adorável,apesar das consequências de um presente sem futuro certo ou palpável.
Digo que continuei querendo, apesar de semântico o meu querer e  vivê-lo em retorno é suplício adorável, mas desagradável aos olhos da eternidade.
Entrei, repito, mas não o disse que saí, pois esse volver é dependente do tua vonytade e não do meu querer, eis que a vontade é o querer em ação, com um fim determinado. na verdade só tu sabes se saí, e a mim me cabe entender que a minha única ação foi entrar e instalar morada na  casa da tua alma.
Mas afirmo como um sim, espero dia a dia entender  ou sentir o prazer lacônico de ter permanecido como um nome em tua história.

Idílio

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

infidelidade

queria a infidelidade do teu beijo
ainda que cansado já não sentisse teu cheiro
ainda que o suor derramasse
por entre sonhos e dedos

queria teu amor
mesmo que efêmero teu quer
mesmo que nada
aparentemente nada
continuasse sem nós

queria sentar
lado a lado contigo
mesmo que  por entre teus lábios
penetrasse meu mundo
mesmo que nada tocasse
teu medo

queria namorar na tua sala
mesmo que teu filho andasse
por entre nossos corpos
mesmo que acordasse
no meio da noite
e tivesse que fugir
antes de acordar o dia

queria
queria
e nada diria
nada presentia
no fim da nossa história

idilio

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

amando sobre letras

amando nos bancos
te ensinando os nomes
que inventei
e te dei

fugindo das cores
que misturamos
quando juntos
fingimos
que nossos olhos viram

deitando em camas
que não plantamos
sobre os restos de nós
e misturamos
amor e prazer
magoando nosss voltas
pelas portas
que abrimos

nos inventamos
seguindo por terras
que ousamos pisar

mas
amamos
cada boca
cada planta
cada espaço
que moldamos
cada sonho
que planejamos
e vivemos
amando

idilio

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

solilóquio

A vida é linda sim
e olhar outra vez teus olhos
de soslaio
depois da volta
que a porta fechada retirou
da máscara
o tenebroso abismo
que conspurcava do mundo físico

quem dera
além das fronteiras
de sombra
a nesga de neblina apagada
encontre o repentino
clarão da aurora

voltei
transido de assombro
deixei as lágrimas levarem os escaminhos
da minha alma redivida
olhei teus olhos
dentro do meu coração
obrigado pai
por mais um dia

oh! milagrosa lixivia
que purifica nossas chagas
de vaidade  e ilusão
oh! solilóquio doloroso
quando a fé esmorece
e vira grão

a vida é linda sim
e olhar outra vez
nos teus olhos
é milagre
depois da volta
é prazeroso depois
muito mais do antes
de quando a porta fecha
atras de todos os olhos

idilio

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

esperas

Meu amor espera
não tenho que ir agora
espera
tem tanta vida
por ai
espera
é só um momento de espera
tão rápida que dura uma vida
mas
espera
não busque outro amor
espera
não queira outro nome
não escreva uma nova história
na vida
quimera
não
não queira viver
buscando metas
não resta nada sem nós
espera
talvez ainda volte
talvez nem vá
nesse novo tempo
que me espera
existem setas e curvas
nem sei se tem estradas
retas
mas
sei
se eu volto
me esperas

idilio

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ecos do futuro

tenho medo dos ecos do futuro
olho o ocaso e nesse emaranhado de cores
calo a minha alma e minha ãnsia por viver
e permanecer na noite que nasce

tenho medo dos ecos do amanhã
e nem sei
se ao fechar os olhos
quando a aurora distilar alegrias
estarei lá
a contemplar a manhã que renasce

fala oh! poderoso Senhor
e guarda o silêncio
quando arde aqui
um fogo devorador

tenho a esperança nas mãos
e as promessas das lembranças
tenho a vida
e ainda assim
tenho medo
dos ecos do amanhã

idílio

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Compositor da vida

amei cada espera
desfrutei cada espaço
que desenhei
vivi intensamente
uma a uma
das vidas que passei
senti passo a passo
pelas ruas que andei
cada instante da minha
longa e breve estrada
senti na alma
o peso de ter conquistado
e a leveza de ter conseguido
e em cada não intensifiquei
e em cada queda
orei suavemente
outras
intensamente
mas nunca
inutilmente
segui por estradas que não sonhei
mas aprendi notavelmente
na câmara escura que escolhi
chorei
amei
e vivo permaneci
em cada pedaço que cai
e no quadro de um denodado fazer
escrevi textos de prazer
e na semântica metafórica
de tudo querer
semeei
colhi
desfrutei de escolhas
e foram tantas escolhas
que nem sei
se escolhi ou se segui
mas sei que vivi
e hoje
aqui
sentado diante de mim
espero o trem que não vem
mas digo
sinceramente
como é prazeroso
esperar  sem saber se vem
pois nessa espera
posso compor
a vida que escolhi

idílio