Dor suprema
alma esquecida
e a mentira da ausência
e o consolo do desespero
Dor que se instala
e a paz doente
a vida que mente
e o fim da espera
dor que encarcera
e o desprezo do amanhecer
abandono da voz da esperança
lágrima de cera
dor suprema
alma esquecida
pedaço de mim
voltas enfim
idilio
poesias, prosas, desabafos, comentários jurídicos e outros pontos e contos. Contato: idiliooliveiraaraujo@outlook.com ; idiliooliveira ( Skype ) ; idílio araujo ( facebook )
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Orquídea da serra
anjo do norte
rosa amarela
orquídea da serra
pétalas
menina flor
cheiro virgem
da rosa pequenina
esquinas da dor
anjo da serra
florzinha que exala bruma
que encanta a pedra
e desperta o monte
menina que saliva
a rosa
e entorta
a porta do cantor
rosa amarela
orquídea da serra
pétalas
menina flor
cheiro virgem
da rosa pequenina
esquinas da dor
anjo da serra
florzinha que exala bruma
que encanta a pedra
e desperta o monte
menina que saliva
a rosa
e entorta
a porta do cantor
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Nós dois
Desenhamos um filho
e vivemos nós dois
fizemos a história
e mudamos depois
nós dois
aplacamos o tempo
escrevemos bons momentos
e mudamos depois
apagamos os sonhos
de quem veio no antes
em nóis
construímos depois
nosso tempo e vivemos
nós dois
e mudamos de roupa
mudamos de medo
e vivemos as gotas
que caiam de nós
em nóis
e hoje
bem um tempo depois
só desejo te ver feliz
nós dois
nos dois nóis
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Gosto
Um toque
e a boca derrama
e o cheia de espanto
engole o medo e de tanto
partir e chegar
grita por encanto
Um beijo
e o olho morto
derrama
gotas pelo chão
Um cheiro
e o despertar
e a explosão
da lira
Um toque
e o encharque
da ira
e o sufoco
da rosa
que despetalas
num gemido surdo
Um toque
um beijo
um cheiro
um gosto
idilio
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Verde
Verdes
livres da esperança da volta
longe
que entorta o azul
que te dou
leve
quando escondes
o desejo de me ver chegar
verdes
atrás da íris negra
da aliança que pactuas
mesmo que nua
não é minha
nem tua
a gruta que esconde a fala
do desejo que me enlaça
úmida
a porta da minha volta
e do meu prazer em te-la
verde
tua boca
é verde da cor do meu pecado
quando disfarço
meu desejo de respirar
teu hálito
e beijo de soslaio
teu nome
verde
Serei tua
Serei tua
por toda uma eterna manhã
apenas desço da solidão do ontem
e vivo as línguas da juventude
emaranhadas na visão
sublimada da menina na praça
serei tua
por toda a manhã de nós
das bocas que calam
e eternizam o não como um sim
serei a primeira
mas aquela manhã
foi a vida inteira
serei tua
por toda a eterna manhã
das desculpas
e dos meus nãos
quando era namorada
mais que amada
serei tua
apenas na manhã
de nós
não mais das tardes que somos
nem das noites
que nos esperam
por toda uma eterna manhã
apenas desço da solidão do ontem
e vivo as línguas da juventude
emaranhadas na visão
sublimada da menina na praça
serei tua
por toda a manhã de nós
das bocas que calam
e eternizam o não como um sim
serei a primeira
mas aquela manhã
foi a vida inteira
serei tua
por toda a eterna manhã
das desculpas
e dos meus nãos
quando era namorada
mais que amada
serei tua
apenas na manhã
de nós
não mais das tardes que somos
nem das noites
que nos esperam
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Tu és
Tu és
minha fala e estrada
e o que espero
todo dia
no limite do meu espaço
quando rasgo
a solidão
pelo teu braço
meu regresso
e meu descanso
o meu fado
quando sozinho
escuto e silencio
e grito mudo
por teu abraço
o meu resto
quando tudo é desperdício
e efêmero
eterno e meu
Universo
quando pequenino
te espero
todo dia
cura da melancolia
e meu verso
quando triste
desperto
e fico bem perto
do anverso
do resto
minha fala e estrada
e o que espero
todo dia
no limite do meu espaço
quando rasgo
a solidão
pelo teu braço
meu regresso
e meu descanso
o meu fado
quando sozinho
escuto e silencio
e grito mudo
por teu abraço
o meu resto
quando tudo é desperdício
e efêmero
eterno e meu
Universo
quando pequenino
te espero
todo dia
cura da melancolia
e meu verso
quando triste
desperto
e fico bem perto
do anverso
do resto
domingo, 10 de novembro de 2013
Jejuar
Jejuar é sofrer consciente
mas uma dor efêmera
consequente da ação insana
e perdida
jejuar
é compreender a sede
no deserto da dor
é a materialização do arrependimento
é o auto perdão
jejuar é o ápice da oração
é a gratidão
é a memória do coração
que abdica da revolta
e do desespero
jejuar é a resposta
que prepara a alma
é o pleito que não implora
mas agradece e chora
é o amor
é a porta
mas uma dor efêmera
consequente da ação insana
e perdida
jejuar
é compreender a sede
no deserto da dor
é a materialização do arrependimento
é o auto perdão
jejuar é o ápice da oração
é a gratidão
é a memória do coração
que abdica da revolta
e do desespero
jejuar é a resposta
que prepara a alma
é o pleito que não implora
mas agradece e chora
é o amor
é a porta
Duas
Duas
e uma só boca
uma só estrada
duas
e um só medo
uma só volta
como beijos
que nunca te deixam
duas
o conforto
e o mergulho
a fome
e o desprezo da voz
a certeza
e o azul infinito
como ninhos
além das fronteiras
de algum lugar
duas
e a porta que esconde o dia
e enclausura a fala do cantor
que morre de asfixia
das emoções e da dor
duas
apenas uma escolha
e uma saída
e nada na língua
além da fala
que emudece a alma
e uma só boca
uma só estrada
duas
e um só medo
uma só volta
como beijos
que nunca te deixam
duas
o conforto
e o mergulho
a fome
e o desprezo da voz
a certeza
e o azul infinito
como ninhos
além das fronteiras
de algum lugar
duas
e a porta que esconde o dia
e enclausura a fala do cantor
que morre de asfixia
das emoções e da dor
duas
apenas uma escolha
e uma saída
e nada na língua
além da fala
que emudece a alma
O beijo
O beijo que você me deu
me deu
não foi um beijo
meu
foi teu
e teu
e eu
gostava tanto
de te ter
o beijo
meu bem
enroscou
no passado
o beijo
que você
perdeu
foi meu
e meu
o beijo
que você
esqueceu
na boca
da serra do mar
no ororubá
foi um beijo
que me perdeu
o teu
e o meu
na catedral
e Águeda
abençoou
o beijo
que você me deu
sábado, 2 de novembro de 2013
Querubim
Chorei!
pois perdi
a voz
a lágrima
a última fala
a fala de quem
já não tem voz
chorei!
e mudo
imitei a língua
implorei
volta!
Chorei!
e a vida escorreu
por brechas
que desenhei
Chorei!
e mudo
estornei a ala da fala
pois gritei
tão intensamente
que deixei a vida na sala
inerte e cálida
Chorei!
e deixei a voz escorrer
no conformismo da espera
e não mais amei
nem assisti o sol nascer
apenas saí por aí
sem caminhar
Chorei!
e na ilusão
não pude voltar
pra mim
e pintei
um nome
um fim
Chorei!
apenas chorei
querubim
pois perdi
a voz
a lágrima
a última fala
a fala de quem
já não tem voz
chorei!
e mudo
imitei a língua
implorei
volta!
Chorei!
e a vida escorreu
por brechas
que desenhei
Chorei!
e mudo
estornei a ala da fala
pois gritei
tão intensamente
que deixei a vida na sala
inerte e cálida
Chorei!
e deixei a voz escorrer
no conformismo da espera
e não mais amei
nem assisti o sol nascer
apenas saí por aí
sem caminhar
Chorei!
e na ilusão
não pude voltar
pra mim
e pintei
um nome
um fim
Chorei!
apenas chorei
querubim
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Memórias do Café Nice
Quero poetizar minha sina
quiçá eternizar a menina
de olhos mágicos
minha namorada agreste
poetizar o espaço
e misturar tintas
nas paredes das ruas da espera
viajar nos mares cinzas da capital
e deixar a luza fusca
derramar nódoas nostálgicas
do Café Nice
não ser alegre nem triste
poetizar e desenhar linhas imaginárias
do infinito
desejar
nem a partida nem a chegada
e desprezar os corvos
e os abutres dos sonhos
que encontrar
suzabear o cruzeiro
não ser alegre nem triste
apenas
poetizar o estreito do ororubá
quiçá eternizar a menina
de olhos mágicos
minha namorada agreste
poetizar o espaço
e misturar tintas
nas paredes das ruas da espera
viajar nos mares cinzas da capital
e deixar a luza fusca
derramar nódoas nostálgicas
do Café Nice
não ser alegre nem triste
poetizar e desenhar linhas imaginárias
do infinito
desejar
nem a partida nem a chegada
e desprezar os corvos
e os abutres dos sonhos
que encontrar
suzabear o cruzeiro
não ser alegre nem triste
apenas
poetizar o estreito do ororubá
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Desejos
Desejos flutuam
e não poderia dize que apenas flutuo em ti
pois que assim o meu querer findaria em ti
Digo-te
necessito de ti
pois que
dia a dia
recupero o desejo pela necessidade
que
longe de ser uma flutuação de desvalor
é o desejável
alicerçando-se na reciprocidade
mas
devo dizer-te
que essa minha necessidade
projeta o desejo
para dentro das fronteiras da troca
é bem verdade que
essa minha necessidade
apaga-se
ao se expor
e é bem possível que desapareça
na sua própria manifestação
pois que não cessa quando velada
e se retira no seu segredo
compreendo que o desejo
está comprometido com a necessidade
mas é exatamente esse caráter descontínuo
que torna
o desejo efêmero
e a necessidade eterna
o que experiência a convivência dos dois
sem haver exclusão
a mobilização do desejo é factual
mas
a necessidade é a auto afirmação
do amor
e é impossível
reduzir o amor
ao silêncio
o desejo não é a expressão
patológica das paixões
e sim exigência da necessidade
necessito
exatamente por desejar todo dia
não como vício
mas como essencialidade
no meu viver
idilio
e não poderia dize que apenas flutuo em ti
pois que assim o meu querer findaria em ti
Digo-te
necessito de ti
pois que
dia a dia
recupero o desejo pela necessidade
que
longe de ser uma flutuação de desvalor
é o desejável
alicerçando-se na reciprocidade
mas
devo dizer-te
que essa minha necessidade
projeta o desejo
para dentro das fronteiras da troca
é bem verdade que
essa minha necessidade
apaga-se
ao se expor
e é bem possível que desapareça
na sua própria manifestação
pois que não cessa quando velada
e se retira no seu segredo
compreendo que o desejo
está comprometido com a necessidade
mas é exatamente esse caráter descontínuo
que torna
o desejo efêmero
e a necessidade eterna
o que experiência a convivência dos dois
sem haver exclusão
a mobilização do desejo é factual
mas
a necessidade é a auto afirmação
do amor
e é impossível
reduzir o amor
ao silêncio
o desejo não é a expressão
patológica das paixões
e sim exigência da necessidade
necessito
exatamente por desejar todo dia
não como vício
mas como essencialidade
no meu viver
idilio
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Meu nome... Antônio... um pai ... um filho
"...fazia frio naquele campo sagrado
onde fostes sepultado
tu...meu pai...eu...
teu filho"
Antônio Medeiros ( meu pai) no sepultamento do seu pai Domingos Araújo.
Caro filho!
Hoje é mais um dia nesses meus oitenta anos de uma vida entre alegrias e dores.
Alegrias foram muitas, dores foram infindas, mas não quero aqui nomear ou dissertar sobre elas.
Gosto de passar as tardes a contemplar o universo e me pergunto ainda cheio de dúvidas, se vivo ou se sonho.
Às vezes me pego a pensar nos filhos e sinto uma nostalgia imensa e te digo que hoje choro fácil, pois as lágrimas de velho limitam o desejo de voltar e recomeçar.
Sei que não te amei como sabia e confesso que por não se sábio, errei. Afinal tu bem sabes que sempre fui mal educado e durrão pois não tive as oportunidades que te dei.
O meu amor é limitado pela minha ausência de conhecimento mas é infinito tanto que ainda grito procurando despertar o teu amor por mim.
Faltam poucos anos, quiçá, dias para a minha partida e o cômico é que nessa viagem não posso levar nada daqui nem o meu telefone, perderei contato contigo, se já não o perdi a anos, mas o telefone ainda está lá disponível, e isso me entristece, mas filho, onde quer que eu vá lembrarei de ti, não olvidarei que nestas tardes sentado aqui em frente ao meu portão abonei o medo da tua espera.
Eu queria te pedir perdão, mas sou muito velho pra isso, perdão pelo que não pude ser, mas também queria te perdoar por esqueceres de mim tão perto mas tão longe assim.
Fico sem entender se sou o pai pródigo ou se tu és o filho pródigo, mas nenhum de nós voltou ao lar e nesse meu ocaso descontinuo desconstituo a volta e espero.
Também te imploro migalhas da tua atenção e da tua fortuna efêmera, mas sei que pensas que não posso implorar pelo que não te dei, pois se não te proporcionei conforto na tua infância e juventude tu também não poderás proporcionar conforto na minha velhice e agonia.
Mas te digo que a fonte permanece enquanto a água viva produz o mar e o meu amor é espera e o teu memória. Tu não sabes filho e hoje tenho uma mesa farta ou se o câncer dilacera a minha angústia, nada sabes pois nada procuras e ainda assim espero uma visita que nada cobre apenas ame o resto de mim.
De teu pai.
Que Deus te abençoe.
onde fostes sepultado
tu...meu pai...eu...
teu filho"
Antônio Medeiros ( meu pai) no sepultamento do seu pai Domingos Araújo.
Caro filho!
Hoje é mais um dia nesses meus oitenta anos de uma vida entre alegrias e dores.
Alegrias foram muitas, dores foram infindas, mas não quero aqui nomear ou dissertar sobre elas.
Gosto de passar as tardes a contemplar o universo e me pergunto ainda cheio de dúvidas, se vivo ou se sonho.
Às vezes me pego a pensar nos filhos e sinto uma nostalgia imensa e te digo que hoje choro fácil, pois as lágrimas de velho limitam o desejo de voltar e recomeçar.
Sei que não te amei como sabia e confesso que por não se sábio, errei. Afinal tu bem sabes que sempre fui mal educado e durrão pois não tive as oportunidades que te dei.
O meu amor é limitado pela minha ausência de conhecimento mas é infinito tanto que ainda grito procurando despertar o teu amor por mim.
Faltam poucos anos, quiçá, dias para a minha partida e o cômico é que nessa viagem não posso levar nada daqui nem o meu telefone, perderei contato contigo, se já não o perdi a anos, mas o telefone ainda está lá disponível, e isso me entristece, mas filho, onde quer que eu vá lembrarei de ti, não olvidarei que nestas tardes sentado aqui em frente ao meu portão abonei o medo da tua espera.
Eu queria te pedir perdão, mas sou muito velho pra isso, perdão pelo que não pude ser, mas também queria te perdoar por esqueceres de mim tão perto mas tão longe assim.
Fico sem entender se sou o pai pródigo ou se tu és o filho pródigo, mas nenhum de nós voltou ao lar e nesse meu ocaso descontinuo desconstituo a volta e espero.
Também te imploro migalhas da tua atenção e da tua fortuna efêmera, mas sei que pensas que não posso implorar pelo que não te dei, pois se não te proporcionei conforto na tua infância e juventude tu também não poderás proporcionar conforto na minha velhice e agonia.
Mas te digo que a fonte permanece enquanto a água viva produz o mar e o meu amor é espera e o teu memória. Tu não sabes filho e hoje tenho uma mesa farta ou se o câncer dilacera a minha angústia, nada sabes pois nada procuras e ainda assim espero uma visita que nada cobre apenas ame o resto de mim.
De teu pai.
Que Deus te abençoe.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Extremo amor
Se vou ou se venho
não importa
e importa
se chego
e se estais lá
e serás a minha espera
importa se tenho propósitos
no meu ócio
e se o meu descanso
for o reverso do pranto
e mesmo que olvides
a minha face
não duvides da minha alegria
por ti
e sendo assim
desalegro o desprezo
que me enlaça
quando quedo seguindo
na imensidão da estrada
que me leva
ou me traz
pra perto de ti
idilio
não importa
e importa
se chego
e se estais lá
e serás a minha espera
importa se tenho propósitos
no meu ócio
e se o meu descanso
for o reverso do pranto
e mesmo que olvides
a minha face
não duvides da minha alegria
por ti
e sendo assim
desalegro o desprezo
que me enlaça
quando quedo seguindo
na imensidão da estrada
que me leva
ou me traz
pra perto de ti
idilio
Íntima agonia
Esse riso que implora pela boca
essa íris que chama
e encanta a cama
do teu interlocutor
essa língua que decora a boca
e morde a palavra muda
nada pede
só esconde o desejo
da fala
quem dera
o surdir da tua mudez
contasse 'segredos
de liquidificador"
e o morder da tua língua
ferisse o espaço vazio
da minh'alma
que deseja
a tua íntima agonia
idilio
essa íris que chama
e encanta a cama
do teu interlocutor
essa língua que decora a boca
e morde a palavra muda
nada pede
só esconde o desejo
da fala
quem dera
o surdir da tua mudez
contasse 'segredos
de liquidificador"
e o morder da tua língua
ferisse o espaço vazio
da minh'alma
que deseja
a tua íntima agonia
idilio
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Batismo de angústia
É necessário reinventar uma nova história
reaprender a andar por veredas antigas
cônscio do batismo de angústia
e do plágio esquecimento
dor
metáfora fundadora da oração
flecha do tempo em espiral
polarização que emancipa o orgulho
o meu apelo é medo
que se esvai na segura possibilidade
de uma eternidade
divorciado do criador
daí a necessidade de reinventar
novos horizontes
mas seguir seguro por terras dantes pisadas
quiçá
derramar desespero pela estrada
mas seguir
como um eterno aprendiz no tempo
imune a obsessão de desconstruir
e fundar um sincretismo acrítico
servir
pois é na servidão
que se celebra a fragmentação
das diferenças
idilio
reaprender a andar por veredas antigas
cônscio do batismo de angústia
e do plágio esquecimento
dor
metáfora fundadora da oração
flecha do tempo em espiral
polarização que emancipa o orgulho
o meu apelo é medo
que se esvai na segura possibilidade
de uma eternidade
divorciado do criador
daí a necessidade de reinventar
novos horizontes
mas seguir seguro por terras dantes pisadas
quiçá
derramar desespero pela estrada
mas seguir
como um eterno aprendiz no tempo
imune a obsessão de desconstruir
e fundar um sincretismo acrítico
servir
pois é na servidão
que se celebra a fragmentação
das diferenças
idilio
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
A dor em dó
A terra chora a fome e o desamor
e ainda tento plantar a flor
as crianças choram
do outro lado da rua
e aqui
almoço olhando o mar
minha poesia é minha calma
e meu lamento
mas a confusão
dentro de mim
é escárnio
não posso viver o mar
quando a dor canta em dó
a tragédia de viver aqui
creio que a dor
é apenas uma volta
quando tudo está perdido
a lágrima da fome
busca um novo presente
a minha lágrima é esquecimento
e a dor que trago
por saber-me inercial
nesta história
lamento
idilio
e ainda tento plantar a flor
as crianças choram
do outro lado da rua
e aqui
almoço olhando o mar
minha poesia é minha calma
e meu lamento
mas a confusão
dentro de mim
é escárnio
não posso viver o mar
quando a dor canta em dó
a tragédia de viver aqui
creio que a dor
é apenas uma volta
quando tudo está perdido
a lágrima da fome
busca um novo presente
a minha lágrima é esquecimento
e a dor que trago
por saber-me inercial
nesta história
lamento
idilio
O amor é lírio
O amor é lírio
é forte
é frágil
O amor derrama
e enrama
é líquido
e engana
quando flui
espanta
meu amor é simples
descanso
e espanto
quando sem sentir
explode em pranto
meu e teu
é sozinho
esquecimento
mas
por vezes
unguento
meu amor é pleito
mas hoje
segredo
saudade das mãos
e do colo
do descanso
o meu amor é lírio
é frágil
decerto
e outras
deserto
oásis de mim
e meu fim
idilio
é forte
é frágil
O amor derrama
e enrama
é líquido
e engana
quando flui
espanta
meu amor é simples
descanso
e espanto
quando sem sentir
explode em pranto
meu e teu
é sozinho
esquecimento
mas
por vezes
unguento
meu amor é pleito
mas hoje
segredo
saudade das mãos
e do colo
do descanso
o meu amor é lírio
é frágil
decerto
e outras
deserto
oásis de mim
e meu fim
idilio
domingo, 18 de agosto de 2013
O amor órfão
o amor tem um percurso duplamente estranho
em um primeiro momento antecipa-se bloqueando a razão
em um segundo momento entende que não se deve subverter a ordem
e procede a uma análise crítica da ilusão de viver o sonho projetado pela sua insânia
Eis que é necessário transformar esse poder desigual
do desprezo da razão e a própria razão maquiada que substitui o platonismo inicial
é necessário construir alternativas para o esquecimento e boicotar o amor
desconstruindo a aspiração e desarmando a resistência
em um confronto do esquecimento
afinal o que vem depois só tem sentido se já estava antes
como as ausências e a convulsão das raízes e opções
é um desperdício reconhecer as diferenças e os mundos desiguais
e sentir o amor como se vírus, excluindo as possibilidades do encanto
permitindo o desencanto disfarçado em apropriação transformadora
e a minha luta incessante gera a indolência
mas reconheço demasiadamente tardio
a minha lembrança está longe de restar perdida.
idilio
em um primeiro momento antecipa-se bloqueando a razão
em um segundo momento entende que não se deve subverter a ordem
e procede a uma análise crítica da ilusão de viver o sonho projetado pela sua insânia
Eis que é necessário transformar esse poder desigual
do desprezo da razão e a própria razão maquiada que substitui o platonismo inicial
é necessário construir alternativas para o esquecimento e boicotar o amor
desconstruindo a aspiração e desarmando a resistência
em um confronto do esquecimento
afinal o que vem depois só tem sentido se já estava antes
como as ausências e a convulsão das raízes e opções
é um desperdício reconhecer as diferenças e os mundos desiguais
e sentir o amor como se vírus, excluindo as possibilidades do encanto
permitindo o desencanto disfarçado em apropriação transformadora
e a minha luta incessante gera a indolência
mas reconheço demasiadamente tardio
a minha lembrança está longe de restar perdida.
idilio
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