segunda-feira, 13 de outubro de 2025

o labirinto da dúvida

 O labirinto da dúvida 


Quando se aporta aos sessenta e percebe-se que existem sonhos varonis na desdita de se contar o tempo percebe-se que toda busca frenética é saudade.

No mais das vezes você senta na varanda da sua senequitude e contempla a quietude de um mar calmo e sem ondas.

Ah! natureza que escorre o desejo por entre dedos e dúvidas e ainda assim se pretende transformar o ocaso em espelhos que refletem o passado e um futuro incerto.

Quiseres ser futuro sem passado ou quiçá percorrer esse labirinto de Dúvidas sem nostalgias ou espanto.

Quisera ser poeta e ditar ao vento amores nascentes que não espanta a solidão porém mantém viva a chama de eternidade.

Idilio Oliveira

Habacuque 1.2

 Até quando Senhor, clamarei por socorro sem que tu ouças? Habacuque 1.2


Quantas horas e infinitos momentos nossa alma desfalece diante do que se apresenta diante de nós. 

A lágrima não ousa mais cair e petrificamos a íris de tal forma que se quer sabemos orar e repetimos como um infinito: até quando Senhor?

A questão que se apresenta é: Deus nos ouve?Essa oração  em forma de lamento adverbial chega aos ouvidos do pai? 

E se o senhor nos respondesse com justiça?

Seríamos devedores ou credores nessa balança celestial? 

Certamente que ele nos diria que está a manifestar a cura nesse prolongamento de ensino e aprendizado. Seremos bons alunos aprendizes para manifestar a ajuda necessária na dor do próximo que carrega fardos maiores e no entretanto necessitam de apoio para se manter em pé diante do altíssimo?

O manifesto amor é doar nossa dor passada para aliviar dores presentes no mundo e assim carregar dores que não são nossas mas que extravasam através de nós. 

Bendito seja o senhor.

Idilio

Escasso sentimento

 Escasso sentimento


Que escasso sentimento é esse

que escancara a ansiedade

em uma espera flutuante

que machuca mais que a efetividade do ato

e se desdobra em arritmias e tremulações ? 

Eu diria sinceramente 

que tenho uma fé primorosa 

mas que não aponta certezas 

e desmorona a minha coragem. 

Argumento

que a coragem é diretamente  Proporcional a fé 

entretanto 

a minha coragem tropeça feito bêbado 

e ouso atropelar o que acredito em espasmos de incertezas

Pergunto da agitação inominada 

que se desenha dentro do peito 

e escorregue pelo tórax 

e seca a saliva que escorre pelas faces 

na esperança de que Deus está no controle de tudo.

Idílio Araújo

sábado, 23 de agosto de 2025

teu passado - vontade de ir embora

 Lágrimas servem para purificar a alma

inundam o coração mas não afogam os olhos

os amores escrevem a tua história

escreveram coisas sem sentido

forjaram teus medos indefinidos

mas sinceramente

o que seria de você sem teus sentidos 

passado

sem teus erros e teus adeuses

sem saudades 

você adquiriu a capacidade de ver a si mesmo

através dos teus olhos

teu passado tua história

imagina a lindeza de se imaginar

teus planos nas coisas mais simples 

do teu pensar

o que seria do teu silêncio

sem respostas 

sem tuas rosas

o que seria de você sem teus amores 

sem o peso da vaidade de ter vivido

como um jardim

vontade de ir embora 

vontade de gostar 

de viver assim

Idilio Oliveira



lágrimas de um ancião

 Eu vivi para ser o melhor

desenhei meus planos e os executei

eu sempre quis tudo

todo o tempo

Deus colocou aqui em minhas mãos

a caneta para escrever o tempo

eu coloquei o tempo em um momento

e apertei os meus sonhos 

e fui mais do que poderia ser

mesmo sem respostas

fui feliz em cada amor que inventei

eu quero muito mais

muitos momentos 

nos quais imagino ser 

eu desejo um jardim

onde eu possa ter a minha chance de pensar

nos amores que vivi

em meus sonhos 

como respostas para cada lágrima 

que escreve linhas tortas em minha face

rindo de mim

quando todos os meus sonhos morrerem

que eu possa dizer

que vivi

para ser o melhor

Idílio oliveira

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Salmos em oração 15

 Salmo 15  em oração 


Senhor 

Quem habitará no teu santuário?

Quem pode morar no teu santo monte?


Que o Espírito Santo que habita em nós 

Nos inspire a sermos íntegros em nossa conduta 

Que possamos praticar o que é justo aos teus olhos

Que meu coração fale a verdade 

Pois assim nós poderemos habitar na tua presença 


Senhor

Que eu não use a língua para difamar

E que nenhum mal 

Se quer 

Passe pela minha cabeça 

Para destruir meu semelhante


Que eu não lance calúnias ao vento

Que meu próximo seja bendito 


Senhor Deus

Que meu coração rejeite quem merece desprezo

Mas honre os que temem ao Senhor


Que meu coração honre aquele que mantém a palavra

Mesmo sendo prejudicado 


Meu pai

Que eu possa manter  a palavra 
E que não empreste dinheiro 
Visando algum lucro
E que eu não fuja do suborno 
Contra o inocente

Arranca de dentro de mim senhor
O pecado

Pois assim senhor 
Eu caminharei nos teus átrios 
E nunca restarei 
Abalado

Idílio

Salmos em oração 1

 

Meu Deus

Como é

Feliz senhor 

Aquele que não segue o conselho dos ímpios

Como é feliz aquele que não imita a conduta dos pecadores


Deus 

Como é feliz aquele que não se assenta na roda  dos zombadores

Sabemos pai

Que a satisfação do homem  deve estar na lei do senhor

E nela deve meditar dia e noite

Esse sim é

Feliz

Aquele que medita na tua lei senhor 

É como uma árvore plantada à beira de águas correntes

Da fruto no tempo certo

E suas folhas não murcham

Oh meu pai

Que o Espírito Santo que está dentro de nós 

Nos 

inspire a meditar na tua lei de dia e de noite

Para que possamos viver na tua presença 

E tudo o que fizermos possa prosperar 

Para a tua glória e honra

Pois os ímpios senhor

São como palha que o vento leva

E eles não resistirão no julgamento 

E nem permanecerão na comunidade dos justos 


Senhor aprova o meu caminho de homem justo

Pois os caminhos dos ímpios 

Leva a destruição 


Como sou feliz senhor

em permanecer nos teus átrios


Idílio


Ainda sou eu

 Onde estou ?

Ontem percebi meu rosto diferente de quando me conheci.

Os olhos parecem esferas cansadas ou marcadas depois de

Várias curvas e ladeiras riscadas.

Observei bem meu rosto e percebi uma pele estagnada

com marcas que não desenhei e um deserto que escancara estagnação e medo.

Não

Aquele não sou eu pois percebo emaranhados de pelos desconexos em uma

Mistura de cores em desalinhos 

Evidente que não me percebo ali  naquele rosto

Algo mudou drasticamente

mas

A alma é a mesma 

Os sonhos ainda continuam ali 

Escondidos atrás da íris 

Lá no fundo do olho 

Ainda sou eu


Idilio

terça-feira, 15 de julho de 2025

Noites Claras

 Noites claras


Existem noites de

Uma sensatez contagiante e que só é possível senti-las e vivê-las 

Na nossa juventude.

Existem amores debaixo do céu que senti-los 

É uma questão jovem

Que vem com frequência 

Na alma idosa, 

Parecendo diferentes senhores 

Cada um no seu tempo 

Porém 

Ambos no mesmo abraço.


Parece-me um abandono dos amores torpes da segunda idade

Uma solidão de mim

Uma espera incongruente pelo todo 

Que me desenhou até aqui 


Uma espécie de abandono dos que fui

A criança e o adolescente já partiram 

O homem adulto afasta-se lentamente

E nessa instância resta a quietude de viver sozinho

Sem os meus eus de antanho


Passo a não ter medo de ficar sozinho 

E me pego vasculhando o presente sem esperas e sem nostalgias


Conheço o íntimo de todos eles

Vivi a praticidade de sê-los

Admiro os por terem sobrevivido

Levando-me nessa viagem 

Até aqui 


Eles, é claro

Não me conhecem

Pois sou apenas depois deles 

E mesmo sendo o mesmo eu

Somos diferentes 


Resta-me contemplar o dia que nasce

Em noites claras

Que habita a minha alma


Idilio Oliveira

segunda-feira, 14 de julho de 2025

A INGENUIDADE DA ATENÇÃO

Ingênua a atitude de escrever sem público 
e na ingenuidade das respostas em questões aparentes
quando no meu rosto estampa a ironia do humor

É demasiado estranho quando instado 
por trás de perguntas de quem não espera novas prosas
ademais 
existe leitor?

Vamos então desabafar através da letra morta 
afinal 
teria melhor critico?
eis-me aqui critico de mim

O poeta sentado à mesa redonda 
quase pálido e com um olhar fixo 
nos desenhos esparsos de passado
escreve sentidos tortos 
nostálgicos

ingenuidade comum
que assalta a meia idade
nem novo e nem velho
apenas poeta

é comum no ocaso 
tomar um caso particular por regra geral
deturpações de noções e convicções
derramados por entre os dedos 

lágrimas vertidas na solidão
ingenuidades da velhice da mente 
e o medo de acordar em vão
e ter vivido contemplando a ilusão

Idilio oliveira








terça-feira, 20 de maio de 2025

O deleite na oração

 O deleite na oração 


Oração não é fardo ou obrigação

fazê-lo como deleite resplandece a verdade petitória.

Observe que oração não é petição em que se requer providências divinas

Sim, oração é pedir mas com deleite e não fardo.

Sigamos sem esforços impeditivos: 

pecados e outras desobediências que relutam o temor

e pelo temor disciplinamos ou recuamos entre o fardo e o deleite.

Como orar sem que o nosso impedimento moral nos impeça de conversar mirando a íris do Senhor?

Eis a questão que se apresenta: 

fôssemos perfeitos

a oração não seria um dever 

mas um deleite

e então o dever desmascara a inverdade diante da culpa. 

Permita-se pedir sem culpa 

no querer renascer para um novo recomeço. 

Dá-me  Senhor um novo tempo 

neste sagrado momento em que escuto a tua fala

através da minha voz.


Idílio Oliveira

Oração do justo

 Pois tu, Senhor, abençoas o justo; o teu favor o protege como um escudo. Salmo 5.12


A questão que se apresenta é: eu sou um homem justo?

Pois que o favor do Senhor é escudo para o justo e quais são as minhas escusas em praticar o amor de Deus no mundo? 

Se tenho desculpas inominadas e se nem sei se estou em processo de cura ou de graça, como poderei me revelar diante de ti Senhor como um homem justo? 

Cura me antes das minhas súplicas e então serei digno de tua proteção.

Apenas desejo que alivie a minha angústia mas não ouso clamar por justiça pois sei que preciso de muitos anos no deserto para purificar a minha alma inquieta e cheia de miasmas adquiridos quando transitava no Egito da minha juventude.

Eis que te peço apenas que julgues a mim, conforme a minha justiça e assim colhendo os frutos dos sofrimentos gerados em veredas antigas não permaneça a minha  alma desiludida. 

Aqui como eterno pedinte suplico que aceitas a minha oração como bálsamo para a minha cicatriz eis que sou fraco e pequenino para tragar no cálice da dor que redime o espírito errante.

Senhor, meu Deus, em ti me refugio não como pecador contumaz mas como um homem que nasceu de novo e que segue por novas estradas seguindo o caminho para sentar à tua mesa na eternidade.

Idilio araujo

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

MERGULHAR NO INFINITO

 Mais alguns anos e seremos saudades

as lágrimas vertidas dos nossos entes queridos  e amigos

aos poucos transformar-se-ão em lembranças

estas

por sua vez

irão se tornando escassas

e aos poucos seremos nomes que serão apagados 


mais alguns anos e seremos

apenas o amor que semeamos

e esta colheita se estenderá 

de eternidade em eternidade


Descobriremos

tardiamente

que nossos sonhos terão sido em vão

e as nossas lágrimas 

tempo perdido

descobriremos do tempo que perdemos 

em contar estrelas

quando poderíamos ter olhado mais 

para o lado para somar sorrisos

para viver mais em família


neste ocaso

sentimos que a vida

não é uma sequência de atos

e sim percebemos que é um ato

neste palco do universo


descobrimos que a saudade 

não é lembrança de passado

e sim desejo de presença


e as ausências não voltam mais

e então choramos

não pela saudade

mas pelo tempo perdido


de repente 

mais que de repente

não temos mais pressa

e temos desejos inatingíveis

desejo de ensinar aos filhos 

os valores perdidos

e falar dos amores e de como é bom

mergulhar ás vezes no mar


mais alguns anos

apenas alguns anos

e mergulharemos no infinito



quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

a minha fé

 A vida é uma sequência

o que é improvável, ou seria única? 

o que também se revela improvável, 

porém entre a possibilidade e a plausibilidade,

o que pode revelar a verdade é a fé, 

ou melhor, a possibilidade de se tocar o real pela fé. 

Eu creio em um Deus onipotente e presente,

o que é possível sentir e vê, pela minha fé.

O cego vê o real pelo sentir o real

não com os olhos materiais

mas pela ótica da fé de que, o que não vê existe e é real.

Percebo Deus pela cosmovisão da minha fé

e sinto em mim a sua presença real naquilo que a minha fé pode tocar.

Se vivo várias vidas, 

o que é improvável

ou se vivo uma única vez

o que também é improvável

digo o viver material  e encarnado

não importa, pela efemeridade da afirmação, 

e sim importa sentir a plausibilidade da existência de Deus.

E o que falar sobre a possibilidade real da morte

e a efêmera existência 

com possibilidades de um novo corpo sem máculas e vícios 

conforme prometido nas escrituras. 

O corpo nu espera um novo corpo em evolução

ou espera um novo corpo perfeito após a uma jornada terrena única?

O que me importa

a encarnação nova em um novo corpo e sua natureza eterna ou efêmera? 

Em nada me importa se não a minha vontade única de ser imitador do Cristo.

Os prazeres da eternidade espiritual na carne

ou apenas no espírito

só terá sentido

se esse prazer estiver alinhado com a necessidade de se viver eternamente na presença de Deus.

A minha fé é o meu termômetro de eternidade.

Há quem viva sem fé e ainda assim vive,

há quem viva com fé e ainda assim eterniza a dúvida.

Diria eu que a minha eternidade teve início em algum momento da minha existência 

porém permeada pela minha fé não pelo que vejo e sim pelo que sinto

vê pelos olhos do espírito.

O que dirias em torno da possibilidade de um paraíso atemporal e imaterial? 

A respeito da única e plausível certeza da eternidade

na presença de Deus

como materialização do paraíso bíblico

dentro da perspectiva de sentir o amor de Deus em espírito e em verdade?

Eu diria que o paraíso é está na presença de Deus

e o inferno a presença da ausência de Deus. 

O que me faz assim crer?

Poderias inquerir de forma transversa, 

porém te respondo sinceramente: 

a minha fé ou tudo aquilo que toco com os sentidos de eternidade.

SOLIDÃO AGRESTE




Solidão agreste

Escrevi histórias 

Amei lindas fadas

Escrevi lendas e abri fendas 

Amargas

Padeci nas amarras da juventude

Derrotei leões e misturei tintas 

Sonhei na efemeridade dos devaneios

Imaginei me amado

Mero fado do desrespeito 

Só escremento

E mentiras retorcidas 

Imaginei me imortal

Hoje descalço os tamancos que me prendem 

E piso o chão nu
Feito de realidades que machucam a minha solidão agreste

Eis me aqui

Sem vislumbrar o que escrevi 
E no anonimato de mim

Sou leitor e protagonista do que vivi
Nada além de mim 
Pode ler o que retorci

Não encontro e nem
Visualizo
A terra prometida

Neste ocaso de vida 
Ah! Meu agreste
Lembranças que me restam 
Da Serra
Urubá

Recanto pioneiro do poeta 
Invisível 

De uma poesia rota e num solilóquio 
Emudecedor do desprezo 

Que só resta ecoar pelos montes
E morrer de medo 

Da solidão tão temida e presente
Na boca do ancião 
Que desperta na noite de mim

domingo, 6 de outubro de 2024

NEM NUS E NEM VESTIDOS. UMA ANÁLISE DO CAPÍTULO 5 DA SEGUNDA CARTA AOS CORÍNTIOS

A vida é uma sequência, o que é improvável, ou seria única? o que também se revela improvável, porém bíblico, entre a possibilidade e a plausibilidade, o que pode revelar a verdade é a fé, ou melhor, a possibilidade de se tocar o real pela fé.

Eu creio em um Deus onipotente e presente, o que é possível sentir e vê, pela minha fé. O cego vê o real pelo sentir o real não com os olhos materiais mas pela ótica da fé de que, o que não vê existe e é real.

Percebo Deus pela cosmovisão da minha fé e sinto em mim a sua presença real naquilo que a minha fé pode tocar. Se vivo várias vidas, o que é improvável ou se vivo uma única vez, e aguardo um novo corpo quando despido, digo o viver material e encarnado, não importa, pela efemeridade da afirmação, e sim importa sentir a plausibilidade da existência de Deus.

E o que falar sobre a possibilidade real da morte e a efêmera existência com possibilidades de um novo corpo sem máculas e vícios  conforme prometido nas escrituras? 

O corpo nu espera um novo corpo em evolução ou espera um novo corpo perfeito após  uma jornada terrena única, conforme Paulo em sua segunda carta aos Coríntios? O que me importa é o novo corpo e sua natureza eterna e não efêmera.

Em nada me importa se não a minha vontade única de ser imitador do Cristo (mais uma vez Paulo sendo citado). Os prazeres da eternidade espiritual na carne ou apenas no espírito só terá sentido se esse prazer estiver alinhado com a necessidade de se viver eternamente na presença de Deus. 

A minha fé é o meu termômetro de eternidade. Há quem viva sem fé e ainda assim vive, há quem viva com fé e ainda assim eterniza a dúvida. Diria eu que a minha eternidade teve início em algum momento da minha existência porém permeada pela minha fé não pelo que vejo e sim pelo que sinto vê pelos olhos do espírito. 

O que dirias em torno da possibilidade de um paraíso atemporal e imaterial? A respeito da única e plausível certeza da eternidade na presença de Deus como materialização do paraíso bíblico dentro da perspectiva de sentir o amor de Deus em espírito e em verdade? 

Eu diria que o paraíso é estar na presença de Deus e o inferno a presença da ausência de Deus. O que me faz assim crer? Poderias inquerir de forma transversa, porém te respondo sinceramente: a minha fé ou tudo aquilo que toco com os sentidos de eternidade.

Sabemos sinceramente, pela fé, e aqui entendo fé enquanto certeza das coisas que vejo com os olhos dessa mesma fé. Percebes a diferença entre viver pelos olhos da fé e apenas ter fé? a fé despida de certeza é apenas tentativa de eternidade, porém, fecha os olhos materiais e sente a presença de Deus, eis a materialização da tua fé, pois tocas o infinito de Deus neste momento.

Eu te convido a viver a acreditar naquilo que a tua fé pode tocar , do ponto de vista humano, exteriormente estamos nos desgastando, porém olhando pela fé, estamos nos renovando para a eternidade, nem nu e nem vestidos, mas na presença de Deus.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

VIDA BREVE

 Vida leve

e o mar espalha o que é breve

o que é brisa

e resta a vida

leve

o teu toque

tuas vestes em mim

e amanhã tu me vestes

de novo

vida breve

e a respiração esquece

o que é vida 

e amanhã

nada resta 

só a lembrança que será esquecida

por duas vidas 

sem vestes 

sem corpo 

sem esperas

sábado, 2 de março de 2024

Suzana

 te peguei na escola

naquele dia de fumaça

naquele tempo descalça

te levei pra chuva da madrugada

no barzinho da praça

colamos as faces e teu cheiro 

era meu espetáculo à parte

nem teu beijo fez parte

da nossa lembrança

te levei em segredo 

te deixei em casa 

na praça

na noite 

lá perto do mar

voltei e sigo 

te amando


O LABIRINTO DOS MEUS PEDAÇOS

 Penso até que cheguei atrasado 

sinto sim algo enganado

e já no ocaso dos cinquenta

aporto meio torto às portas da nova morada

fiz o melhor que há em mim

e fico assim sentado

sozinho na varanda da vida

e descubro tardiamente 

que não tem porto na minha espera

ainda lembro meus encantos

meu riso largo 

meus novos sapatos

os calos

o lago na miha espera 

e os desrespeitos nos jardins que pisei

agora me entrego sentado nos abismos 

e olhando o infinito que me espera

sinto um absoluto silêncio nesta minha solidão

não existe mais possibilidades de uma nova dança

rostos colados e pequenos afagos

despretensiosos afagos 

apenas quedo

aqui sentado

querendo dançar nos labirintos

dos meus pedaços