Noites claras
Existem noites de
Uma sensatez contagiante e que só é possível senti-las e vivê-las
Na nossa juventude.
Existem amores debaixo do céu que senti-los
É uma questão jovem
Que vem com frequência
Na alma idosa,
Parecendo diferentes senhores
Cada um no seu tempo
Porém
Ambos no mesmo abraço.
Parece-me um abandono dos amores torpes da segunda idade
Uma solidão de mim
Uma espera incongruente pelo todo
Que me desenhou até aqui
Uma espécie de abandono dos que fui
A criança e o adolescente já partiram
O homem adulto afasta-se lentamente
E nessa instância resta a quietude de viver sozinho
Sem os meus eus de antanho
Passo a não ter medo de ficar sozinho
E me pego vasculhando o presente sem esperas e sem nostalgias
Conheço o íntimo de todos eles
Vivi a praticidade de sê-los
Admiro os por terem sobrevivido
Levando-me nessa viagem
Até aqui
Eles, é claro
Não me conhecem
Pois sou apenas depois deles
E mesmo sendo o mesmo eu
Somos diferentes
Resta-me contemplar o dia que nasce
Em noites claras
Que habita a minha alma
Idilio Oliveira
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