quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

SOLIDÃO AGRESTE




Solidão agreste

Escrevi histórias 

Amei lindas fadas

Escrevi lendas e abri fendas 

Amargas

Padeci nas amarras da juventude

Derrotei leões e misturei tintas 

Sonhei na efemeridade dos devaneios

Imaginei me amado

Mero fado do desrespeito 

Só escremento

E mentiras retorcidas 

Imaginei me imortal

Hoje descalço os tamancos que me prendem 

E piso o chão nu
Feito de realidades que machucam a minha solidão agreste

Eis me aqui

Sem vislumbrar o que escrevi 
E no anonimato de mim

Sou leitor e protagonista do que vivi
Nada além de mim 
Pode ler o que retorci

Não encontro e nem
Visualizo
A terra prometida

Neste ocaso de vida 
Ah! Meu agreste
Lembranças que me restam 
Da Serra
Urubá

Recanto pioneiro do poeta 
Invisível 

De uma poesia rota e num solilóquio 
Emudecedor do desprezo 

Que só resta ecoar pelos montes
E morrer de medo 

Da solidão tão temida e presente
Na boca do ancião 
Que desperta na noite de mim

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