Solidão agreste
Escrevi histórias
Amei lindas fadas
Escrevi lendas e abri fendas
Amargas
Padeci nas amarras da juventude
Derrotei leões e misturei tintas
Sonhei na efemeridade dos devaneios
Imaginei me amado
Mero fado do desrespeito
Só escremento
E mentiras retorcidas
Imaginei me imortal
Hoje descalço os tamancos que me prendem
E piso o chão nu
Feito de realidades que machucam a minha solidão agreste
Eis me aqui
Sem vislumbrar o que escrevi
E no anonimato de mim
Sou leitor e protagonista do que vivi
Nada além de mim
Pode ler o que retorci
Não encontro e nem
Visualizo
A terra prometida
Neste ocaso de vida
Ah! Meu agreste
Lembranças que me restam
Da Serra
Urubá
Recanto pioneiro do poeta
Invisível
De uma poesia rota e num solilóquio
Emudecedor do desprezo
Que só resta ecoar pelos montes
E morrer de medo
Da solidão tão temida e presente
Na boca do ancião
Que desperta na noite de mim
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