sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Idílio Cauã

 Para Idilio Cauã 


Talvez possamos imaginar e olha que imaginar é um lugar ou uma viagem.

Então vamos viajar para 2032 ou 2033 e quem sabe possamos estar juntos nessa viagem ou não, afinal as portas da vida podem se fechar quando da entrada nesse lugar que queremos aportar., quiçá a possibilidade de

Se fechar para mim é

Mais plausível.

Mas imaginemos que as portas de 2032 estão abertas para nós dois entrarmos juntos.

Que dirias ou que vemos?

Eu vejo um médico de jaleco e com um nome bem visível: Dr. Idilio Cauã ou Dr. Idilio Abrantes ou Dr. Idilio Araújo. Este último é mais a minha cara. Eu me vejo saudável e ao teu lado. Que achas? Você está bem mais maduro e até deixou crescer a barba e olha que está fechada e estais bem musculoso e Isadora já é uma moça linda e está tão orgulhosa do irmão. É 2032 chegou rápido e deixa eu te dizer: continuo tendo orgulho de você que inclusive está cantando bem e com uma voz linda. Teu irmão também está na tua formatura e com um sorriso maior que a cara rsrs 

Te amo

Alguém pode ser obrigado a crer na minha crença em detrimento de sua cultura e daquilo que acredita?

 Alguém pode ser obrigado a crer na minha crença em detrimento de sua cultura e daquilo que acredita?


A vontade é libérrima ou pré determinada? Questiona-se a imposição de determinada religião em detrimento de outra, de determinada crença que coloniza e impõe aceitação.

Existe um modo de atrair para que alguém  se incline para o meu desejo ou o objeto do meu desejo, que na minha cosmovisão é a verdade?

Qual a verdadeira religião? E qual a base que utilizo para responder a essa questão?

Argumenta se que quando os Portugueses chegaram às costas tupiniquim encontraram um povo selvagem e resolveram domesticar esse povo impondo a sua cultura e a sua religião através da violência e suprimiram a liberdade ou o livre arbítrio da escolha. 

Hoje vivemos essa colonização cultural nas Religiões e a demanda é que cada uma é detentora da sua verdade.

A violência estrutural ou inversa é factual. 

Passo a chamar de colonização espiritual essa imposição religiosa por aqueles que se auto denominam de “domadores de povos”.

Nisso vamos voltar a 1.500 ou mais precisamente para 1.503 quando o jovem servilhano Bartolomeu de Las Casas desembarcou na América Central, e inicia uma crítica a imposição, pela força, da crença cristã aos nativos.

Vamos utilizar esse estudo crítico para formalizar ao que chamamos Colonização espiritual na pós modernidade de forma que teremos como base os objetos das Ciências das religiões para fortalecer o livre arbítrio e a convivência harmoniosa das diversas religiões.

A análise das atividades e atitudes de Las Casas para com os índios e os negros, destravam a possibilidade referências de justiça social e enquadra das religiões como ponte efetiva de justiça social.

O que vem a ser evangelização na visão de Las Casas e hodiernamente o que visualizamos em sede de evangelização?

Já não há caminhos pra voltar

Já não há caminhos pra voltar


A vida segue em frente 

Os sonhos estancam e deixam cicatrizes

Você muda de endereço e de pele

A lágrima petrifica na íris nua

O andar descalço machuca e fortalece

A alma cheia de esquinas 


A vida segue em frente 

E já não há caminhos pra voltar

O amor esfria o sangue que corre mais lento

Noite adentro

O olhar cansa a distância e escorre pela casa vazia


A vida segue em frente e por pouco tempo a neblina se desfaz e torna_se magoa

A dor arrasta o corpo cansado

e o copo vazio respinga gotas de suor da frieza da resposta do tempo que derrama a vida 


E segue em frente

Uma nova parada 

Um novo amanhecer 

O fim da espera deslumbra um novo horizonte


idilio

Pontes

 assim assim

nada desvia os sentidos 

idades 

tempos e sentimentos antigos

quem se ofende com pontes 

ou amores que usamos nas roupas

que escreveram o que fomos

quem lembra da tua esquina 

da tua escada 

assim assim

nada envelhece a estrada

idades

tempos e segredos 

como enredos 

que espero

caminhar na multidão

e te encontrar 

na mesma carta

no mesmo verso

e amar 

ainda que por um átimo 

do teu sorriso

eu possa roubar


idilio

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Tua Praça

 Andei na praça 

Visitei tua casa 

Teu jardim 

Naveguei tuas veredas 

E mesmo  assim

Não senti tua presença 

Em mim


Estanquei no portão 

Do monsenhor 

E gritei teu nome

Em vão 

Fui bobo 


Querer te ver saindo da toca do lobo

Imaginação que espanto

Pois o tempo foi tolo


Patrícias caminhavam na praça 

E por pouco escutei teu grito sem mim

Não fui forte nem esparramado

Fui nostálgico 


Idilio

 Carnaval de máscaras 


Não sei quando há de ser 

mas algum dia irei embora desse carnaval cheio de máscaras 

e olhares escondidos por trás da iris petrificada 

no teatro multicor que tu chamas de vida.


Somos obrigados a usar máscaras nuas 

que chamamos realidades temporais

Máscaras sem sentimentos ou culpas 

informações destoantes do que fomos e somos.


Os anos passam 

as máscaras caem 

e as substituímos por fantasias ridículas 

amarrotadas de pecados e desidratadas 

pelo suor em um emaranhado de culpas imprescritíveis.


Por vezes me aparece uma espécie de saudade aguda 

pois os montes e as ruas continuam as mesmas 

e o céu está sempre lá a nos esconder do que vivemos 

e pensamos ter esquecido de forma súbita 

Eis a grande farsa de se retornar a um cenário antigo. 

Apesar de parecer tudo igual ele já não é o mesmo. 

O tempo muda as aparências externas 

mas o invisível de nós dois continua 

lá dentro no espaço vazios em nós.


Passaram-se muitos anos 

ao que me parece e lembro do alivio da manhã seguinte 

em que me encontrei desnudo de passado.


Concordo com a ideia de apagar o passado 

assim que o tivermos lido de novo nas entrelinhas das palavras derramadas nas tintas que misturamos em nós. 


Temos a capacidade de compor o passado 

como um reencontro e existem ilhas que Não abandonamos, 

isoladas em nós e por nós na realidade empírica que desfrutamos 

entre sussurros e olhares comprometedores até o clímax da exaustão. 


Voltamos às vezes estarrecidos a esse nichos esparramados de ontem 

e alimentamos em um frenesi estúpido o desejo de não ter partido 

e não me referi a o querer voltar 

mas ao desejar viver eternamente aquele encanto 

mas apagamos as luzes e vamos dormir no que somos no momento da viagem desprovida de toques reais.

Quem somos nós nesse carnaval?


Ainda queima alguma chama de vida eterna que nos leva em um efeito ex tunc de viagem sublime em que o espectro do que vivemos permeia o que somos e o que desejamos viver em vida eterna.


Não sei quando há de ser, 

mas algum dia irei embora e apenas restará a língua que escreveu em mim palavras de vida eterna 


Idilio


o labirinto da dúvida

 O labirinto da dúvida 


Quando se aporta aos sessenta e percebe-se que existem sonhos varonis na desdita de se contar o tempo percebe-se que toda busca frenética é saudade.

No mais das vezes você senta na varanda da sua senequitude e contempla a quietude de um mar calmo e sem ondas.

Ah! natureza que escorre o desejo por entre dedos e dúvidas e ainda assim se pretende transformar o ocaso em espelhos que refletem o passado e um futuro incerto.

Quiseres ser futuro sem passado ou quiçá percorrer esse labirinto de Dúvidas sem nostalgias ou espanto.

Quisera ser poeta e ditar ao vento amores nascentes que não espanta a solidão porém mantém viva a chama de eternidade.

Idilio Oliveira

Habacuque 1.2

 Até quando Senhor, clamarei por socorro sem que tu ouças? Habacuque 1.2


Quantas horas e infinitos momentos nossa alma desfalece diante do que se apresenta diante de nós. 

A lágrima não ousa mais cair e petrificamos a íris de tal forma que se quer sabemos orar e repetimos como um infinito: até quando Senhor?

A questão que se apresenta é: Deus nos ouve?Essa oração  em forma de lamento adverbial chega aos ouvidos do pai? 

E se o senhor nos respondesse com justiça?

Seríamos devedores ou credores nessa balança celestial? 

Certamente que ele nos diria que está a manifestar a cura nesse prolongamento de ensino e aprendizado. Seremos bons alunos aprendizes para manifestar a ajuda necessária na dor do próximo que carrega fardos maiores e no entretanto necessitam de apoio para se manter em pé diante do altíssimo?

O manifesto amor é doar nossa dor passada para aliviar dores presentes no mundo e assim carregar dores que não são nossas mas que extravasam através de nós. 

Bendito seja o senhor.

Idilio

Escasso sentimento

 Escasso sentimento


Que escasso sentimento é esse

que escancara a ansiedade

em uma espera flutuante

que machuca mais que a efetividade do ato

e se desdobra em arritmias e tremulações ? 

Eu diria sinceramente 

que tenho uma fé primorosa 

mas que não aponta certezas 

e desmorona a minha coragem. 

Argumento

que a coragem é diretamente  Proporcional a fé 

entretanto 

a minha coragem tropeça feito bêbado 

e ouso atropelar o que acredito em espasmos de incertezas

Pergunto da agitação inominada 

que se desenha dentro do peito 

e escorregue pelo tórax 

e seca a saliva que escorre pelas faces 

na esperança de que Deus está no controle de tudo.

Idílio Araújo

sábado, 23 de agosto de 2025

teu passado - vontade de ir embora

 Lágrimas servem para purificar a alma

inundam o coração mas não afogam os olhos

os amores escrevem a tua história

escreveram coisas sem sentido

forjaram teus medos indefinidos

mas sinceramente

o que seria de você sem teus sentidos 

passado

sem teus erros e teus adeuses

sem saudades 

você adquiriu a capacidade de ver a si mesmo

através dos teus olhos

teu passado tua história

imagina a lindeza de se imaginar

teus planos nas coisas mais simples 

do teu pensar

o que seria do teu silêncio

sem respostas 

sem tuas rosas

o que seria de você sem teus amores 

sem o peso da vaidade de ter vivido

como um jardim

vontade de ir embora 

vontade de gostar 

de viver assim

Idilio Oliveira



lágrimas de um ancião

 Eu vivi para ser o melhor

desenhei meus planos e os executei

eu sempre quis tudo

todo o tempo

Deus colocou aqui em minhas mãos

a caneta para escrever o tempo

eu coloquei o tempo em um momento

e apertei os meus sonhos 

e fui mais do que poderia ser

mesmo sem respostas

fui feliz em cada amor que inventei

eu quero muito mais

muitos momentos 

nos quais imagino ser 

eu desejo um jardim

onde eu possa ter a minha chance de pensar

nos amores que vivi

em meus sonhos 

como respostas para cada lágrima 

que escreve linhas tortas em minha face

rindo de mim

quando todos os meus sonhos morrerem

que eu possa dizer

que vivi

para ser o melhor

Idílio oliveira

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Salmos em oração 15

 Salmo 15  em oração 


Senhor 

Quem habitará no teu santuário?

Quem pode morar no teu santo monte?


Que o Espírito Santo que habita em nós 

Nos inspire a sermos íntegros em nossa conduta 

Que possamos praticar o que é justo aos teus olhos

Que meu coração fale a verdade 

Pois assim nós poderemos habitar na tua presença 


Senhor

Que eu não use a língua para difamar

E que nenhum mal 

Se quer 

Passe pela minha cabeça 

Para destruir meu semelhante


Que eu não lance calúnias ao vento

Que meu próximo seja bendito 


Senhor Deus

Que meu coração rejeite quem merece desprezo

Mas honre os que temem ao Senhor


Que meu coração honre aquele que mantém a palavra

Mesmo sendo prejudicado 


Meu pai

Que eu possa manter  a palavra 
E que não empreste dinheiro 
Visando algum lucro
E que eu não fuja do suborno 
Contra o inocente

Arranca de dentro de mim senhor
O pecado

Pois assim senhor 
Eu caminharei nos teus átrios 
E nunca restarei 
Abalado

Idílio

Salmos em oração 1

 

Meu Deus

Como é

Feliz senhor 

Aquele que não segue o conselho dos ímpios

Como é feliz aquele que não imita a conduta dos pecadores


Deus 

Como é feliz aquele que não se assenta na roda  dos zombadores

Sabemos pai

Que a satisfação do homem  deve estar na lei do senhor

E nela deve meditar dia e noite

Esse sim é

Feliz

Aquele que medita na tua lei senhor 

É como uma árvore plantada à beira de águas correntes

Da fruto no tempo certo

E suas folhas não murcham

Oh meu pai

Que o Espírito Santo que está dentro de nós 

Nos 

inspire a meditar na tua lei de dia e de noite

Para que possamos viver na tua presença 

E tudo o que fizermos possa prosperar 

Para a tua glória e honra

Pois os ímpios senhor

São como palha que o vento leva

E eles não resistirão no julgamento 

E nem permanecerão na comunidade dos justos 


Senhor aprova o meu caminho de homem justo

Pois os caminhos dos ímpios 

Leva a destruição 


Como sou feliz senhor

em permanecer nos teus átrios


Idílio


Ainda sou eu

 Onde estou ?

Ontem percebi meu rosto diferente de quando me conheci.

Os olhos parecem esferas cansadas ou marcadas depois de

Várias curvas e ladeiras riscadas.

Observei bem meu rosto e percebi uma pele estagnada

com marcas que não desenhei e um deserto que escancara estagnação e medo.

Não

Aquele não sou eu pois percebo emaranhados de pelos desconexos em uma

Mistura de cores em desalinhos 

Evidente que não me percebo ali  naquele rosto

Algo mudou drasticamente

mas

A alma é a mesma 

Os sonhos ainda continuam ali 

Escondidos atrás da íris 

Lá no fundo do olho 

Ainda sou eu


Idilio

terça-feira, 15 de julho de 2025

Noites Claras

 Noites claras


Existem noites de

Uma sensatez contagiante e que só é possível senti-las e vivê-las 

Na nossa juventude.

Existem amores debaixo do céu que senti-los 

É uma questão jovem

Que vem com frequência 

Na alma idosa, 

Parecendo diferentes senhores 

Cada um no seu tempo 

Porém 

Ambos no mesmo abraço.


Parece-me um abandono dos amores torpes da segunda idade

Uma solidão de mim

Uma espera incongruente pelo todo 

Que me desenhou até aqui 


Uma espécie de abandono dos que fui

A criança e o adolescente já partiram 

O homem adulto afasta-se lentamente

E nessa instância resta a quietude de viver sozinho

Sem os meus eus de antanho


Passo a não ter medo de ficar sozinho 

E me pego vasculhando o presente sem esperas e sem nostalgias


Conheço o íntimo de todos eles

Vivi a praticidade de sê-los

Admiro os por terem sobrevivido

Levando-me nessa viagem 

Até aqui 


Eles, é claro

Não me conhecem

Pois sou apenas depois deles 

E mesmo sendo o mesmo eu

Somos diferentes 


Resta-me contemplar o dia que nasce

Em noites claras

Que habita a minha alma


Idilio Oliveira

segunda-feira, 14 de julho de 2025

A INGENUIDADE DA ATENÇÃO

Ingênua a atitude de escrever sem público 
e na ingenuidade das respostas em questões aparentes
quando no meu rosto estampa a ironia do humor

É demasiado estranho quando instado 
por trás de perguntas de quem não espera novas prosas
ademais 
existe leitor?

Vamos então desabafar através da letra morta 
afinal 
teria melhor critico?
eis-me aqui critico de mim

O poeta sentado à mesa redonda 
quase pálido e com um olhar fixo 
nos desenhos esparsos de passado
escreve sentidos tortos 
nostálgicos

ingenuidade comum
que assalta a meia idade
nem novo e nem velho
apenas poeta

é comum no ocaso 
tomar um caso particular por regra geral
deturpações de noções e convicções
derramados por entre os dedos 

lágrimas vertidas na solidão
ingenuidades da velhice da mente 
e o medo de acordar em vão
e ter vivido contemplando a ilusão

Idilio oliveira








terça-feira, 20 de maio de 2025

O deleite na oração

 O deleite na oração 


Oração não é fardo ou obrigação

fazê-lo como deleite resplandece a verdade petitória.

Observe que oração não é petição em que se requer providências divinas

Sim, oração é pedir mas com deleite e não fardo.

Sigamos sem esforços impeditivos: 

pecados e outras desobediências que relutam o temor

e pelo temor disciplinamos ou recuamos entre o fardo e o deleite.

Como orar sem que o nosso impedimento moral nos impeça de conversar mirando a íris do Senhor?

Eis a questão que se apresenta: 

fôssemos perfeitos

a oração não seria um dever 

mas um deleite

e então o dever desmascara a inverdade diante da culpa. 

Permita-se pedir sem culpa 

no querer renascer para um novo recomeço. 

Dá-me  Senhor um novo tempo 

neste sagrado momento em que escuto a tua fala

através da minha voz.


Idílio Oliveira

Oração do justo

 Pois tu, Senhor, abençoas o justo; o teu favor o protege como um escudo. Salmo 5.12


A questão que se apresenta é: eu sou um homem justo?

Pois que o favor do Senhor é escudo para o justo e quais são as minhas escusas em praticar o amor de Deus no mundo? 

Se tenho desculpas inominadas e se nem sei se estou em processo de cura ou de graça, como poderei me revelar diante de ti Senhor como um homem justo? 

Cura me antes das minhas súplicas e então serei digno de tua proteção.

Apenas desejo que alivie a minha angústia mas não ouso clamar por justiça pois sei que preciso de muitos anos no deserto para purificar a minha alma inquieta e cheia de miasmas adquiridos quando transitava no Egito da minha juventude.

Eis que te peço apenas que julgues a mim, conforme a minha justiça e assim colhendo os frutos dos sofrimentos gerados em veredas antigas não permaneça a minha  alma desiludida. 

Aqui como eterno pedinte suplico que aceitas a minha oração como bálsamo para a minha cicatriz eis que sou fraco e pequenino para tragar no cálice da dor que redime o espírito errante.

Senhor, meu Deus, em ti me refugio não como pecador contumaz mas como um homem que nasceu de novo e que segue por novas estradas seguindo o caminho para sentar à tua mesa na eternidade.

Idilio araujo

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

MERGULHAR NO INFINITO

 Mais alguns anos e seremos saudades

as lágrimas vertidas dos nossos entes queridos  e amigos

aos poucos transformar-se-ão em lembranças

estas

por sua vez

irão se tornando escassas

e aos poucos seremos nomes que serão apagados 


mais alguns anos e seremos

apenas o amor que semeamos

e esta colheita se estenderá 

de eternidade em eternidade


Descobriremos

tardiamente

que nossos sonhos terão sido em vão

e as nossas lágrimas 

tempo perdido

descobriremos do tempo que perdemos 

em contar estrelas

quando poderíamos ter olhado mais 

para o lado para somar sorrisos

para viver mais em família


neste ocaso

sentimos que a vida

não é uma sequência de atos

e sim percebemos que é um ato

neste palco do universo


descobrimos que a saudade 

não é lembrança de passado

e sim desejo de presença


e as ausências não voltam mais

e então choramos

não pela saudade

mas pelo tempo perdido


de repente 

mais que de repente

não temos mais pressa

e temos desejos inatingíveis

desejo de ensinar aos filhos 

os valores perdidos

e falar dos amores e de como é bom

mergulhar ás vezes no mar


mais alguns anos

apenas alguns anos

e mergulharemos no infinito



quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

a minha fé

 A vida é uma sequência

o que é improvável, ou seria única? 

o que também se revela improvável, 

porém entre a possibilidade e a plausibilidade,

o que pode revelar a verdade é a fé, 

ou melhor, a possibilidade de se tocar o real pela fé. 

Eu creio em um Deus onipotente e presente,

o que é possível sentir e vê, pela minha fé.

O cego vê o real pelo sentir o real

não com os olhos materiais

mas pela ótica da fé de que, o que não vê existe e é real.

Percebo Deus pela cosmovisão da minha fé

e sinto em mim a sua presença real naquilo que a minha fé pode tocar.

Se vivo várias vidas, 

o que é improvável

ou se vivo uma única vez

o que também é improvável

digo o viver material  e encarnado

não importa, pela efemeridade da afirmação, 

e sim importa sentir a plausibilidade da existência de Deus.

E o que falar sobre a possibilidade real da morte

e a efêmera existência 

com possibilidades de um novo corpo sem máculas e vícios 

conforme prometido nas escrituras. 

O corpo nu espera um novo corpo em evolução

ou espera um novo corpo perfeito após a uma jornada terrena única?

O que me importa

a encarnação nova em um novo corpo e sua natureza eterna ou efêmera? 

Em nada me importa se não a minha vontade única de ser imitador do Cristo.

Os prazeres da eternidade espiritual na carne

ou apenas no espírito

só terá sentido

se esse prazer estiver alinhado com a necessidade de se viver eternamente na presença de Deus.

A minha fé é o meu termômetro de eternidade.

Há quem viva sem fé e ainda assim vive,

há quem viva com fé e ainda assim eterniza a dúvida.

Diria eu que a minha eternidade teve início em algum momento da minha existência 

porém permeada pela minha fé não pelo que vejo e sim pelo que sinto

vê pelos olhos do espírito.

O que dirias em torno da possibilidade de um paraíso atemporal e imaterial? 

A respeito da única e plausível certeza da eternidade

na presença de Deus

como materialização do paraíso bíblico

dentro da perspectiva de sentir o amor de Deus em espírito e em verdade?

Eu diria que o paraíso é está na presença de Deus

e o inferno a presença da ausência de Deus. 

O que me faz assim crer?

Poderias inquerir de forma transversa, 

porém te respondo sinceramente: 

a minha fé ou tudo aquilo que toco com os sentidos de eternidade.