segunda-feira, 13 de outubro de 2025

 Carnaval de máscaras 


Não sei quando há de ser 

mas algum dia irei embora desse carnaval cheio de máscaras 

e olhares escondidos por trás da iris petrificada 

no teatro multicor que tu chamas de vida.


Somos obrigados a usar máscaras nuas 

que chamamos realidades temporais

Máscaras sem sentimentos ou culpas 

informações destoantes do que fomos e somos.


Os anos passam 

as máscaras caem 

e as substituímos por fantasias ridículas 

amarrotadas de pecados e desidratadas 

pelo suor em um emaranhado de culpas imprescritíveis.


Por vezes me aparece uma espécie de saudade aguda 

pois os montes e as ruas continuam as mesmas 

e o céu está sempre lá a nos esconder do que vivemos 

e pensamos ter esquecido de forma súbita 

Eis a grande farsa de se retornar a um cenário antigo. 

Apesar de parecer tudo igual ele já não é o mesmo. 

O tempo muda as aparências externas 

mas o invisível de nós dois continua 

lá dentro no espaço vazios em nós.


Passaram-se muitos anos 

ao que me parece e lembro do alivio da manhã seguinte 

em que me encontrei desnudo de passado.


Concordo com a ideia de apagar o passado 

assim que o tivermos lido de novo nas entrelinhas das palavras derramadas nas tintas que misturamos em nós. 


Temos a capacidade de compor o passado 

como um reencontro e existem ilhas que Não abandonamos, 

isoladas em nós e por nós na realidade empírica que desfrutamos 

entre sussurros e olhares comprometedores até o clímax da exaustão. 


Voltamos às vezes estarrecidos a esse nichos esparramados de ontem 

e alimentamos em um frenesi estúpido o desejo de não ter partido 

e não me referi a o querer voltar 

mas ao desejar viver eternamente aquele encanto 

mas apagamos as luzes e vamos dormir no que somos no momento da viagem desprovida de toques reais.

Quem somos nós nesse carnaval?


Ainda queima alguma chama de vida eterna que nos leva em um efeito ex tunc de viagem sublime em que o espectro do que vivemos permeia o que somos e o que desejamos viver em vida eterna.


Não sei quando há de ser, 

mas algum dia irei embora e apenas restará a língua que escreveu em mim palavras de vida eterna 


Idilio


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