terça-feira, 1 de junho de 2021

DOR

 Não há dor que não se acabe

se transformando em pranto

não há canto que derrame estrelas

quando o encanto desaba

e da janela se espera um novo encontro

não há espanto no desencanto

do vazio que a íris petrifica regando

não há prazer neste deslavo

do escapo deixado na sala vazia

não

não me fale em reencontros

em fadas e gnomos

apenas deixa-me aqui

sozinho a contemplar a saudade 

do futuro do abraço apertado 

chorando



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

O QUINTAL DA TUA CASA





Aquela menina me ensinou

a fazer planos com sorrisos

a amar o meu umbigo

a desnudar meus medos

mas 

egoista que vivi

nem aprendi com seus deslizes

nem perpetuei as brincadeiras

e o futuro não é mais como era

quando a conheci

roçando nossos pés 

no passado do inicio e do fim

da nossa história

eu quis

e amei tanto

que não vi

amor igual

e errei 

que nem sei 

se o vento ainda grita

no nosso litoral

nossa canção 

que agora está tão longe

aqui dentro de mim

mas

foi só o tempo que errou

e a vida continua

e nossos planos

caminharam nus 

nas praias do esquecimento

olha

eu sei que eu era feliz 

tão bem

mas 

terei que viver 

sem você

teu 

serei 

sei

que saudade é dor em liberdade

é fragmento de uma lembrança

saudade é ópio que engole a dor

no escuro do meu carro

reconstruimos nosso idílio

e hoje só apareço quando convém

mas

quero que saibas que

és parte ainda

mas 

tudo bem











domingo, 14 de fevereiro de 2021

VELHO


 Estou diferente do que sonhei só

e neste sonho que sonhei só

envelheci feito realidade virtual


Sonhei ou vivi?

não sei a respostas para as perguntas que chorei

e olha que sei trechos da Bíblia 

na língua

de ponta a ponta


quais as verdades que tenho a dizer?

a declarar?

sou testemunha do amor que se perdeu

do vislumbre das estrelas

do medo 


do blefe das conquistas 

do sacrifício perdido 

da lágrima da injustiça

e você ainda me pergunta

ainda estou em ti?

 e eu sou ocaso profundo

não fico e nem sou parte alguma

nem meio


trago uma história que nem sei contar

sinto saudades e  nem sei se de um lugar

estou velho como a cem anos atrás


e nem quero ouvir o que você tem a dizer






sexta-feira, 7 de agosto de 2020

EITA SAUDADE

Tô com saudades de tu meu pai

saudades de tu

de saber onde tu estais

tô com  de tu meu pai

saudades de tu 

de saber por onde vais

Tô com saudades de tu meu pai

saudades de tu

de saber como tu vais

saudade de tu

saudade de tu


Tô com vergonha do medo

do meu desespero 

de sentir tantos ais

saudade de tu 

quando sinto teu cheiro

entre as dobradiças das portas

e na terra que molha

quando a lágrima se vai


saudade de tu meu pai

tô choramingando nos cantos

quando escuto teu canto

sem saber onde tu estais


Tô com saudades de tu meu pai

saudades de tu

do teu passo arrastado

teu sorriso calado

e as histórias de fado

saudades de tu



terça-feira, 9 de junho de 2020

PRA VOCÊ VIVER EM MIM



Eu fiz uma canção pra você viver mais
aqui em mim
ter em você alguém pra se lembrar
esqueci de tudo
que me fizesse você desaparecer
de mim
e nesse tempo
eu te quis
e  fiz você viver mais
aqui dentro de mim

eu fiz essa canção
pra você
me ter mais
bem perto do fim
assim

e te digo não
nunca esqueças de se apaixonar
e me ligar antes do fim
por isso fiz
assim
uma canção por medo de te esquecer
em fim

terça-feira, 19 de maio de 2020

MEU INFINITO PARTICULAR


Cadê você que abandonou o meu céu
que desceu da escada do meu tempo
deixando apenas um filho e uma imagem tua
Cadê teu espaço e teu negro olhar
no infinito do meu particular

Cadê você que quebrou meu espelho
pintou meu desejo e derramou teu medo em mim
deixando lembranças do teu riso largo
teu retrato
cadê teu largo abraço
no infinito de mim

cadê você que tergiversa
que irrita a minha longa espera
que escorre pela minha face
que entristece a minha noite
cadê você
no infinito do meu particular

Estou aqui sentado olhando
para o céu procurando por ti
o meu infinito particular

terça-feira, 21 de abril de 2020

O mundo perdido de Suzana


A coragem dos gestos de encontro
o todo dos diálogos em partes
na expectativa  do conhecimento
a tua postura e a minha dúvida

o dizer o que sempre esteve
mas que ainda não foi dito
a recusa de representar
e apresentar sentimentos

a tua forma de atribuir sentidos
os movimentos que se encontram
inusitadas diferenças
no teu colo e no meu pensar

como poderia o meu sentir
falar sobre o teu querer
sem estar dentro de ti
sem explicar a magia
que escondes atrás do vestido

que mundo perdido teu espelho não vê
se a cegueira que escondes
não fala nada sobre nós
nem sem nós sobrevive

de Idílio para Suzana





segunda-feira, 6 de abril de 2020

Através do espelho


E eu com saudades de tu
que me aquecestes no berço
da minha espera
que derrubastes Golias e me destes um nome
e  escrevestes meu medo
e eras minha viagem
quando subia  a serra
só pra ouvir o teu espanto

é tão esquisito ficar sem você
o teu segredo sempre foi escassez
e tuas piadas gritantes demais
mas ainda assim eu ali com você
estava nos braços de um pai

e hoje a minha espera é inverno
as ladeiras são tuneis vazios
e já não me refaz teus segredos
nem me aquece tua ausência

posso saber por onde andas?
que espaços frequentas?
ou em que  noites me encontras?

se é que existam ruas
se é que existem saudades
se é que existem noites

até amanhã meu bem
até amanhã
se é que existe amanhã

idilio




domingo, 10 de março de 2019

VAZIO

Queria falar sobre o amor sacrificial
nada de carnal ou outro vendaval
sim, quando se arranca o coração
e se perde e se encontra longe
assim em qualquer estação

queria cantar o espaço arrancado
torná-lo poesia
torná-lo algo visível ao sacrifício
mas ainda assim
quedo lerdo e sem olhos
para fora
e o que vejo?

queria gritar o vazio que vês
e tão repleto de angústias e medos
mas ainda assim
quero torná-lo poesia
e entendê-lo
pois já não posso mais lê-lo

queria escancarar a minha janela
e compreender o livro que visualizo
em uma iris turva
que me espelho

queria assim
refazer cada pedacinho
cada curva
mas ainda assim tropeço

e já não sinto
já não vejo
o sacrifício
de amar assim

idílio

terça-feira, 9 de outubro de 2018

BRASIL

Brasil
um filho teu não foge
e luta pelos filhos seus
a família
a moralidade
a normalidade
Brasil
verde e amarelo
um filho teu
vai arrancar do teu peito
o vermelho que escorre
da tua bandeira
vai replantar a ordem
em meio ao teu povo
e fixar a cruz do cristianismo
no palácio da alvorada
arrancada pelos pagãos
sem pátria

Brasil
a mistura de tintas do teu povo
é o teu galardão
a mistura de línguas
da tua fala
será a gramática nua
e desnudará
os que te desejam
destruir
viva a minha Pátria amada
Brasil
Idílio Araújo

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A TUA VINHA

Leva-me e seguirei após ti
e em ti
com razão
resplandece sobre mim
o teu estandarte
e os lírios do teu amor

vê! já passou o inverno em mim
o tempo de cantar chegou
em nossa terra
e antes que caiam as sombras
faze a minha cama
e levantar-me-ei suave
e não temerei os tremores noturnos

Quem és
que despertas como selo
sobre o meu abraço
e os miasmas da minha solidão
são quiasmos que se completam
no final do dia

olho perdido o teu luto
e já não faz sentido
contemplar  a tua vinha
se ausentes estais

hoje és quimera
ou luz em outro abraço
despertas em mim
ou permita-me seguir
que navegarei em águas rasas
e não olhes para o fato
da minha dependência
do teu laço

Idílio

domingo, 8 de julho de 2018

O contador de histórias




Acorda amor meu
por que navegas em terras estranhas
e ainda impões pretextos conestativos
para a tua partida

Volta! ainda que por um átimo
aporta em nossa casa
e deixa a melodia do caminhão
despertar o dia

dilacera a penumbra que nos separa
e volta pra casa
um instante
e meu coração fixará a certeza
da tua eternidade

mas
te ver assim
como uma gramática nua
ou um verbo sem direção
entristece o meu tormento
de seguir inventando sofismas

acorda amor meu
por que partistes no sonho?
e ainda disfarças
com teu sorriso calcificado na face

Idílio

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Ao menos Diz

O tempo e os dias
contam as noites
que partistes
tu
disseste-me uma vez
que serias a última quimera

serias o naufrágio
da nossa primavera
e seria lindo
tocar o amor
em um tempo perdido

ao menos diz agora
se tu retornaras da última viagem
ainda uma vez

o tempo e os dias
cantam nas noites
em que me diz
que tu
partistes e ainda assim
não se quis

ao menos diz


quinta-feira, 7 de junho de 2018

AS PORTAS QUE NÃO ABRI



Perguntai pelas veredas antigas
estradas da vida que percorri
encostas e planos que não senti
perguntai pelos medos
e ainda assim me encontraras
escondido em mim

perguntai pelos tempos
e ainda assim não me encontrei por lá
pois de tudo que vivi
apenas reflexos no hoje
vislumbro no horizonte
de mim

perguntai pelas minhas crenças
que se perderam além do que fui
e ainda assim
ainda hoje caminho entrementes perdido
no que fui e sou

perguntai pelos amigos que visitei
e por entre espaços que loucamente permiti adentrar
mas não poderia dissimular
nada de novo

ainda assim estou aqui
sentado diante de mim
e não posso dizer do que sei

Perguntai mesmo assim


terça-feira, 7 de junho de 2016

DESPERDÍCIO DE PASSADO


O problema que me aflige
é escrever algo como condição da felicidade
mas que não reduza a realidade
da esperança

É o desconforto de amar as contribuições
e viver em desapego
No que respeita à promessa de amar eternamente
vivendo em descaso e enumerar várias paixões
e breves problemas que refundam a ansiedade
já seria suficiente para nos causar desconforto
quando nos deparamos com o passado
e com a lembrança desse passado a influenciar
a necessidade do antagonismo
de viver o realismo desesperado de uma espera

Como fazer falar o silêncio
se o silêncio é passado que não pôde ser desenvolvido?
como necessidade impronunciável da ausência
como amor ferido e não resolvido
pelo desespero ou como tragédia pessoal conhecida

A atitude , o hábito de proclamar princípios
o desapego da dor passa a ser realidade empírica
plural, porém conformista
que se detém  na fronteira da expectativa de voltar

como se o  olhar fixo no ontem eliminasse  aqui
além do consenso e do impulso de lutar contra ele
e viver por excesso de passado
morrendo na lágrima que não derrama
materializando a depressão do desperdício de passado.







sexta-feira, 13 de maio de 2016

espasmos perdidos

Longe assim
os caminhos fragmentam
a minha dor


esconder pra quê?

Repetir partir
surgir em novo horizonte

longe assim
esconder aqui
perto ou longe

da boca
de canto a canto
sem pranto
mas esquecido
como espasmos perdidos

DESATENÇÃO

O mundo deseja apenas o retorno
da mão que efetua  o desejo de dividir a soma contrária
caminhos se cruzam como pontes
que desintegram a esperança de uma alma esquecida
voltar é apenas o inicio de um novo fim
viver na esperança efêmera
vaidade de seguir cantando
vantagens compartilhadas
esperas fadadas ao fracasso de uma nova esperança
fado e descaso
de um querer em estragos
Voltas que a vida dá
esperas que o entrementes perdido
avoluma a escada da eterna desesperança
voltei e vi o mundo em estragos divididos
e perdas acumuladas pela desatenção  do acaso
Voltei apenas sei
que desatento caminhei perdido
entre efêmeras amizades com vácuos
entre o querer e o dividir espaços

quarta-feira, 30 de março de 2016

EFÊMERIDADES

Nada é coerente
o mundo deseja apenas o retorno
da mão que efetua o desejo
de dividir a soma contrária
caminhos se cruzam
como pontes que desintegram
a esperança de uma alma esquecida

voltar é apenas o início
de um novo fim
viver na esperança da efêmera
vaidade de seguir cantando

vantagens compartilhadas
e esperas fadadas ao fracasso
de uma nova esperança
fado e descaso
de um querer em estragos
 Voltas que a vida dá
esperas que o entrementes perdido
avoluma  a escada da esterna desesperança

Voltei e vi o mundo em estragos divididos
em perdas acumuladas pela desatenção do acaso
voltei apenas sei que desatento caminhei perdido
entre efêmeras amizades com vácuos
entre o querer e o dividir espaços

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

LEMBRANÇAS DAS PERDAS


O que Seria do meu coração sem a caixa
que guarda as lembranças das perdas ?
Teria espaço para  a dor que em mágoa dilacera a alma
onde ficaria guardada para sempre?

O que seria da minha espera sem a caixa
que guarda a trepidez da  minha fé?
teria espaço para a angústia que em mágoa enfada a alma
ou restaria esquecida  para sempre?

Seria coração que pulsa sem esperanças
seria espera vazia sem a lembrança das perdas

O que veria a minha alma sem a caixa
que amarga as lembranças das perdas
Veria como lusa fusca que explode e ofusca
a esperança depositada
na caixa das lembranças das perdas.

Idílio



segunda-feira, 7 de setembro de 2015

a rosa pequenina




Eu que vivia
em mel e sina
voltei menina
quando tu me destes a rosa pequenina

guardei  na boca
o beijo e a língua
naquele dia
quando tu me destes a rosa pequenina

molhei a flor
esqueci a menina
naquela boca
e a rosa pequenina

e eu que vivia
em mel e sina
engoli a flor
suguei a menina

pela boca
do mel
da rosa pequenina