domingo, 30 de agosto de 2015

Teu sabor em mim

Toco o clima além do vestido
desnudo a lua
que grita meu nome
em gemidos
expurga o cheiro da terra
e derrama-se por entre
os dedos do ar

inundo teu céu
em fragmentos
deposito no teu colo
a semente do lar
e volto como espasmos
de mãos vazias

prendo o lábio em mim
e oculto o teu querer
entre as penas da libertação
e encosto em vão
teu sabor em mim

idilio

domingo, 23 de agosto de 2015

Entretantos


plantei sementes
em corpos e vales
inundei ruas e  mares
e ainda posso te encontrar

andei em prantos
em outras línguas e cantos
e no entanto
ainda posso te encontrar

estava aqui pensando
se entre tantos entretantos
ainda posso te encontrar

se ainda vamos namorar as bocas
que deixamos
arranhar os cantos do nosso descanso

plantar os filhos que deixamos
nas fileiras do desencanto

meu amor

estava aqui
pensando
se ainda posso te encontrar

nas filas das praças vazias
em tantas esperas vadias
na flor que molha o engano
entre as pernas do encanto
e entre tantos entretantos

ainda espero te encontrar

meu amor


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

TEMPORAL



É só mais um temporal
é só a chuva lavando o mal
antes que seja tarde
é só a pungente tristeza da lembrança
Natali
é o receio aflitivo da perda
entremeados da felicidade mínima
é só uma contorção transitória
na face do tempo
é mera tolice
a luz que se finda
é só uma lágrima pagã
ou saudade do teu rosto
no ecrã da tela
é só uma peculiaridade
da mente acerca do espanto
do protesto esquecido
é só o amor
aprovado e desobedecido
é só o guardião da moralidade
afinal
parece devastador
mas
é só mais um temporal

idilio

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Orurubá

Moacir

terras entre serras
cantei as matas passadas
amei o viço agreste
serpentes de lá
sentei calçadas
na imensidão do lugar

desenhei o por do sol
sentado ao luar
fui rei do meu lugar

cantei prosas e cotovias
amei o cheiro e o lugar
arranhei esperanças
fui assim
Moacir do Ororubá

Hoje não resta
nem calçadas nem praças
hoje nem sei onde é o lugar
apenas gritei pelo nome
que me via por lá

Moacir vem pra cá
fecha os olhos
o cheiro do mato
a terra molhada a derramar
nostalgias pelo ar

A minha Pesqueira
e eu pala praça

Moacir vem pra cá
sai dessa esperança
a vista alcança
alí não é mais teu lugar

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Negra

Tua pele negra
que engole o dia que há em mim
negras fontes que umedecem
as matas por onde andei

Tua pele negra
que espanta o que ofusca
quando buscas
outras bocas
que encantam o laço
no ocaso
entre o morrer e o renascer
do desejo

tua pele negra
teus fantasmas
e a réstia do que fragmentou
a tua estrada

tua pele negra
e a sombra do secreto
que o dia deixou
sem sentir

prefiro tua negra luz
teu encanto
teu silêncio
e o teu enlaço
e em ti
peco-me
descalço

idilio

Deus está

Deus está aqui
e aqui é um lugar
dentro assim
em mim
em ti
em nós

Deus está aqui
por mim
por ti
no espelho
que é o outro
que reflete
que ele somos nós

Deus está aqui
no amor
na dor  que purifica
o andor

E em tudo que há
em ti
em mim
em nós

Deus está aqui
quando a música acabar
quando o trem passar
Ele nunca partiu
nem chegou
Ele está
aqui

idilio


quinta-feira, 14 de maio de 2015

ISA





Resta a tua presença
teu espaço em novos afagos
que te dei

resta a tua volta
em notas dos espelhos que nos viram
e a dúplice vontade de te ter
entre os braços

resta reinventar tua história
em novas esperas
do nosso longo afago

resta te amar longamente
feito fragmentos
e pedaços de mim

resta a tua presença
teus beijos
e meu grito por ti

Isadora

50 anos


Aportei aos 50
com o corpo molhado de histórias
de marcas
de sonhos rasgados
mas não desfeitos
de saudades das águas mornas
que escorriam em mim
das línguas exiladas
e das desocultadoras mentiras
negadas
cheio de desesperanças na espera pura
da cura das frias tumbas das casas da justiça
consequência e razão do imobilismo
e da descrença

aportei aqui
movido pela esperança
com incontida necessidade
de vomitar restos e vilipendiar
os testemunhos da desfaçatez
e da vergonha
cheio de reencontros e concretude
de histórias vãs

amei cada segundo da minha sensatez
sem se quer poder negar o privilégio de amar
sucumbi na pura espera vã
da alma secreta e devaneios da opressão
posterizei meu enlace e eternizei a desocultação
do meu idílio em tantos outros
idílios que inventei

quinta-feira, 16 de abril de 2015



Tudo é frágil
o dia reflete a efemeridade da vida
todo o esforço quebra no simples gesto
e em um átimo
a dor

frágil
a felicidade espalha medo do fim
o amor
ah! o símbolo real do descaso programado
a dor

todo o tempo desprendido
perdido
num instante 
e a espera quebra 
a dor do fracasso




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A ausência que seremos



Qual a ausência que seremos?
ou queremos não ser ausência
mas seremos

todavia o que importa
é saber se seremos a ausência
que queremos
mas já somos e seremos
ausência

qual a ausência que seremos?
para quem queremos ser
e quem derramará alegrias na ausência
que seremos
ou não haverá quem de presente sinta
a ausência que seremos
ou quem sinta
a presença da nossa ausência

eu quero derramar presença na ausência
esparramar meu sorriso nas lágrimas da ausência
pois não desejo ser lembrança e sim
andanças presente na ausência que serei

idilio

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Gramática nua

Como poderia reinventar a linguagem do amor
em nome dos obsoletos estágios de quietude da minha'lma
se de fato vivo em tormenta e em perplexidade emancipatória da saudade
Seu nome?
repetições do desejo dos extremos que desaparecem como metáforas
de 23 dias de um dezembro qualquer
amei e amo a relação que se inverteu e que por teórica preencheu vazios
na cultura do meu tempo segundo
inventei um nome e uma fábula do teu cheiro
que escorria entre os dedos da gramática nua 
e tu, mera luz que se insinuou na fragmentação da minha indiferença
e do meu desespero
fomentou como imposição a melancolia e declarou o fim da estrada
quando por igualdade humana 
desapareceu como excentricidade 
na cidade extrema da minha aventura e agonia
idilio

domingo, 14 de dezembro de 2014

Casa Forte

Caminhando na tua praça
parei na tua porta
mergulhei na tua escada
no teu passado

saudade é dor que não se mede
páginas que não se repetem
e então
cadê você?

caminhando na tua praça
voltei ao teu colo
de menina flor
das vozes ôcas
do nosso amor

das promessas
do beletrismo
e do cinismo da descrença
dos incaultos

de loucas trocas
de liras e patricias
da lágrima da incompetência
do beijo da espera

caminhando na tua praça
me perdi no meio do nada
no espaço de toda uma vida
que não construi
e nada
só o vazio dessa estrada
são tantas histórias
que levam ao nada
são tantas mágoas
que o homem busca
e no fim
só resta a praça
nem nome nem nada
só o vazio atras da porta
e a casa vazia

a tua casa alí
na mesma esquina
a igreja
e eu que vejo a tua espera
e a minha chegada
eu que lave a alma
ao te imaginar
perdida
na praça.

idilio



sábado, 15 de novembro de 2014

Teologia da Indiferença

O desprezo do assistencialismo
a vocação natural da passividade e da domesticação
a canalhice do porco e a mão de Alice
a falta do gosto da comprovação e o gozo da hipocrisia
a permeabilidade da teologia e o sonho da mansidão
a preguiça do rebanho e a máscara do pastor para enganar o lobo
e a esterpe da palavra esvaziada de realidade
os cegos e os loucos
a alienação  e a batalha da humanização
a disseminar fantasia estéril e o gosto da comprovação
da invenção da hermeneutica.
a aspiração da eternidade
e o potencial autoritário da responsabilidade
pela desconexão da consciência moral
o caráter manipulador e a indiferença
e eu e tu
alí sentados
a visualizar a fome da multidão

idilio


terça-feira, 9 de setembro de 2014

assim assim

Partindo a noite
andando
dentro de mim
feito língua
que  dança
e gira
dentro do céu

umedeceu
andando
o canto do olho
feito lágrima
que escorre
e grita
e sai de mim

cantou
a voz rouca
que explodiu
feito espasmos
loucos
e por pouco
fiquei em mim

idilio

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os quereres

Quisera beijar tudo que me alegra
e amar cada gota da minha felicidade
petrificar a lágrima do esquecimento
e ser livre na necessidade de continuar

quisera ser mera comédia escrita
a quatro mãos
e caminhar passo a passo sem espera

quisera esquecer o futuro e amar o passado
como desdita de quem parte
mas viver dia a dia é suficiente
não ser alegre nem triste
apenas poeta

quisera manter-se com a alma jovem
que sonha a alegria da busca infinda
e arranhar o corpo languido nas pedras
da procura

quisera acordar e ser milhões
e sorrir em busca da esperança

quisera
quisera

saudades

Saudade não é desejo
saudade é espaço
preenchido no passado

e de tão completo que ficou
que nada substitui a dor
de contemplar o medo de voltar

depois das histórias vividas
saudade passa a ser distancia
efêmera que não se toca com as mãos
mas que se sente com o coração

saudade é espaço
preenchido no passado
e que a alma insana
não por desejo de voltas
mas por nostalgia
revive sem desejo da volta

saudade machuca
mas retorna o espirito cativo
da vida vivida com intensidade
de um poeta que espera
a utopia do horizonte
do ontem

saudade tem nome
tem sobrenomes que esconde
o segredo da felicidade vitalicia
de ter passado
e uma janela
na volta da lembrança
do amor de uma amizade
que superou o nexo
do plexo  e do complexo
binal de ser homem e mulher

saudade é espaço
preenchido no passado.

idilio

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Rosa Flor de Oliveira


Teu sorriso morto
e esse corpo de menina flor
e o prazer que escondes atrás do vestido

a flor que exala desejo
e o beija flor atrevido
relembra teu grito atrevido
anjo do gosto da lira da tarde

teu sorriso morto
e esse gosto de menina flor
e o prazer que explode
atrás da língua

a flor que embalas
entre as tardes e lírios
e o beijo na orquídea pequenina
relembra o mínimo infinito

Rosa flor de oliveira

quarta-feira, 11 de junho de 2014

amores da rua

Amores a esmo
externos e mais eternos
que outros amores
secretos

amores reféns
tão curtos
que vivem aquém
do medo
de se eternizarem
no além

amor que vai
amor que não parte
amor que vem
amores
que descansam
que espantam
e encantam
quando vem

 idilio

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Vida breve

A tua presença faz
Olvidar quem sou
desejando sugar teu cheiro
para dentro
em mim
como se fosse  alma
a vivificar um templo
morto

Sentir teu gosto
em um átimo
foi prazer divino
mesmo que proibido
o tempo da volta
mesmo que unilateral
o lábio que beija o púlpito
do teu consentimento

desejo sim
mas que tempos
que costumes
eles amam
nós
desejamos

 idilio

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Ausente



Como externar o que se sente
se às vezes a verdade mente
e de tanto que se sente
que por palavras não se ressente
o que se mente

Por vezes
e direi apenas para os que sentem
é bem mais suave ser ausente

como viver  e não ser alegre
nem triste
ser apenas demente
refém mas nunca descrente

Por vezes
e direi apenas uma vez
ausente

idilio