quinta-feira, 14 de maio de 2015

ISA





Resta a tua presença
teu espaço em novos afagos
que te dei

resta a tua volta
em notas dos espelhos que nos viram
e a dúplice vontade de te ter
entre os braços

resta reinventar tua história
em novas esperas
do nosso longo afago

resta te amar longamente
feito fragmentos
e pedaços de mim

resta a tua presença
teus beijos
e meu grito por ti

Isadora

50 anos


Aportei aos 50
com o corpo molhado de histórias
de marcas
de sonhos rasgados
mas não desfeitos
de saudades das águas mornas
que escorriam em mim
das línguas exiladas
e das desocultadoras mentiras
negadas
cheio de desesperanças na espera pura
da cura das frias tumbas das casas da justiça
consequência e razão do imobilismo
e da descrença

aportei aqui
movido pela esperança
com incontida necessidade
de vomitar restos e vilipendiar
os testemunhos da desfaçatez
e da vergonha
cheio de reencontros e concretude
de histórias vãs

amei cada segundo da minha sensatez
sem se quer poder negar o privilégio de amar
sucumbi na pura espera vã
da alma secreta e devaneios da opressão
posterizei meu enlace e eternizei a desocultação
do meu idílio em tantos outros
idílios que inventei

quinta-feira, 16 de abril de 2015



Tudo é frágil
o dia reflete a efemeridade da vida
todo o esforço quebra no simples gesto
e em um átimo
a dor

frágil
a felicidade espalha medo do fim
o amor
ah! o símbolo real do descaso programado
a dor

todo o tempo desprendido
perdido
num instante 
e a espera quebra 
a dor do fracasso




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A ausência que seremos



Qual a ausência que seremos?
ou queremos não ser ausência
mas seremos

todavia o que importa
é saber se seremos a ausência
que queremos
mas já somos e seremos
ausência

qual a ausência que seremos?
para quem queremos ser
e quem derramará alegrias na ausência
que seremos
ou não haverá quem de presente sinta
a ausência que seremos
ou quem sinta
a presença da nossa ausência

eu quero derramar presença na ausência
esparramar meu sorriso nas lágrimas da ausência
pois não desejo ser lembrança e sim
andanças presente na ausência que serei

idilio

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Gramática nua

Como poderia reinventar a linguagem do amor
em nome dos obsoletos estágios de quietude da minha'lma
se de fato vivo em tormenta e em perplexidade emancipatória da saudade
Seu nome?
repetições do desejo dos extremos que desaparecem como metáforas
de 23 dias de um dezembro qualquer
amei e amo a relação que se inverteu e que por teórica preencheu vazios
na cultura do meu tempo segundo
inventei um nome e uma fábula do teu cheiro
que escorria entre os dedos da gramática nua 
e tu, mera luz que se insinuou na fragmentação da minha indiferença
e do meu desespero
fomentou como imposição a melancolia e declarou o fim da estrada
quando por igualdade humana 
desapareceu como excentricidade 
na cidade extrema da minha aventura e agonia
idilio

domingo, 14 de dezembro de 2014

Casa Forte

Caminhando na tua praça
parei na tua porta
mergulhei na tua escada
no teu passado

saudade é dor que não se mede
páginas que não se repetem
e então
cadê você?

caminhando na tua praça
voltei ao teu colo
de menina flor
das vozes ôcas
do nosso amor

das promessas
do beletrismo
e do cinismo da descrença
dos incaultos

de loucas trocas
de liras e patricias
da lágrima da incompetência
do beijo da espera

caminhando na tua praça
me perdi no meio do nada
no espaço de toda uma vida
que não construi
e nada
só o vazio dessa estrada
são tantas histórias
que levam ao nada
são tantas mágoas
que o homem busca
e no fim
só resta a praça
nem nome nem nada
só o vazio atras da porta
e a casa vazia

a tua casa alí
na mesma esquina
a igreja
e eu que vejo a tua espera
e a minha chegada
eu que lave a alma
ao te imaginar
perdida
na praça.

idilio



sábado, 15 de novembro de 2014

Teologia da Indiferença

O desprezo do assistencialismo
a vocação natural da passividade e da domesticação
a canalhice do porco e a mão de Alice
a falta do gosto da comprovação e o gozo da hipocrisia
a permeabilidade da teologia e o sonho da mansidão
a preguiça do rebanho e a máscara do pastor para enganar o lobo
e a esterpe da palavra esvaziada de realidade
os cegos e os loucos
a alienação  e a batalha da humanização
a disseminar fantasia estéril e o gosto da comprovação
da invenção da hermeneutica.
a aspiração da eternidade
e o potencial autoritário da responsabilidade
pela desconexão da consciência moral
o caráter manipulador e a indiferença
e eu e tu
alí sentados
a visualizar a fome da multidão

idilio


terça-feira, 9 de setembro de 2014

assim assim

Partindo a noite
andando
dentro de mim
feito língua
que  dança
e gira
dentro do céu

umedeceu
andando
o canto do olho
feito lágrima
que escorre
e grita
e sai de mim

cantou
a voz rouca
que explodiu
feito espasmos
loucos
e por pouco
fiquei em mim

idilio

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os quereres

Quisera beijar tudo que me alegra
e amar cada gota da minha felicidade
petrificar a lágrima do esquecimento
e ser livre na necessidade de continuar

quisera ser mera comédia escrita
a quatro mãos
e caminhar passo a passo sem espera

quisera esquecer o futuro e amar o passado
como desdita de quem parte
mas viver dia a dia é suficiente
não ser alegre nem triste
apenas poeta

quisera manter-se com a alma jovem
que sonha a alegria da busca infinda
e arranhar o corpo languido nas pedras
da procura

quisera acordar e ser milhões
e sorrir em busca da esperança

quisera
quisera

saudades

Saudade não é desejo
saudade é espaço
preenchido no passado

e de tão completo que ficou
que nada substitui a dor
de contemplar o medo de voltar

depois das histórias vividas
saudade passa a ser distancia
efêmera que não se toca com as mãos
mas que se sente com o coração

saudade é espaço
preenchido no passado
e que a alma insana
não por desejo de voltas
mas por nostalgia
revive sem desejo da volta

saudade machuca
mas retorna o espirito cativo
da vida vivida com intensidade
de um poeta que espera
a utopia do horizonte
do ontem

saudade tem nome
tem sobrenomes que esconde
o segredo da felicidade vitalicia
de ter passado
e uma janela
na volta da lembrança
do amor de uma amizade
que superou o nexo
do plexo  e do complexo
binal de ser homem e mulher

saudade é espaço
preenchido no passado.

idilio

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Rosa Flor de Oliveira


Teu sorriso morto
e esse corpo de menina flor
e o prazer que escondes atrás do vestido

a flor que exala desejo
e o beija flor atrevido
relembra teu grito atrevido
anjo do gosto da lira da tarde

teu sorriso morto
e esse gosto de menina flor
e o prazer que explode
atrás da língua

a flor que embalas
entre as tardes e lírios
e o beijo na orquídea pequenina
relembra o mínimo infinito

Rosa flor de oliveira

quarta-feira, 11 de junho de 2014

amores da rua

Amores a esmo
externos e mais eternos
que outros amores
secretos

amores reféns
tão curtos
que vivem aquém
do medo
de se eternizarem
no além

amor que vai
amor que não parte
amor que vem
amores
que descansam
que espantam
e encantam
quando vem

 idilio

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Vida breve

A tua presença faz
Olvidar quem sou
desejando sugar teu cheiro
para dentro
em mim
como se fosse  alma
a vivificar um templo
morto

Sentir teu gosto
em um átimo
foi prazer divino
mesmo que proibido
o tempo da volta
mesmo que unilateral
o lábio que beija o púlpito
do teu consentimento

desejo sim
mas que tempos
que costumes
eles amam
nós
desejamos

 idilio

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Ausente



Como externar o que se sente
se às vezes a verdade mente
e de tanto que se sente
que por palavras não se ressente
o que se mente

Por vezes
e direi apenas para os que sentem
é bem mais suave ser ausente

como viver  e não ser alegre
nem triste
ser apenas demente
refém mas nunca descrente

Por vezes
e direi apenas uma vez
ausente

idilio

segunda-feira, 24 de março de 2014

quimeras

estou eu a te olhar
e te ver chegar é tão seguro
que esqueço que vejo o passado
por entre sonhos e fados

o beijo que te dei
foi tão real
que senti medo
em teu olhar

e eis que esqueço
mais uma vez
que foi só a volta
pro passado
de uma mente
que sente a ausência
do  cheiro
que tua espera exala

fecho meu espaço
e hodiernamente escapo
pros teus braços
meu tudo
meu colo
meu cansaço

terça-feira, 11 de março de 2014

Ladeiras


Terezas
ladeiras e músicas
lagoas pequeninas
lagoinhas
e tua boca nua
Suzana e ruas
pra se namorar no trigo de um rei
nada já que na lua não há mar
e um grande bem e um violão
um beijo
pai e mãe
e uma morena do cor do Brasil
e uma dor de uma ilha pernambucana
de um lábio com gosto de céu
cá entre estou em um dia de abril
oito rosas marias
um dia de sol em minha vida
e quem fugiu ressurgiu
numa noite de verão
em qualquer São João
com salsa e manbo
luz do mar e lucila de varoniladeus
de mais e mais eloy baby
ioná a dama do mar
e fugiu pro mato
lá além do ororubá
mas rosa maria é o meu grande bem
alma gêmea que ruiu
jogos de amar
carícias
e o meu mundo num vai e vem
Waine o amor que giga nunca sentiu igual
talvez uma luz se abrirá
talvez a índia que Paula bela
rua me deu
em amores ilhas e quintais
jovens demais
flores de lácio núbias e jane las
carmins
pesqueiras
ladeiras
ladeiras

O invisível de nós dois


a espera longa maculou o sonho
teu sorriso e a minha alegria
não pude te reter nos lábios e braços
mas
ainda assim
não fui infeliz
e não haverá respostas
na porta para o universo
nem em meus versos
mas ainda assim
o nosso amor vai além do efêmero
e existiu
o tempo suficiente para ser feliz
digo te
amor
continuo amando
o invisível de nós dois

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A dor que não se mede

Qual a medida de uma vida?
um segundo
tudo termina
qual o valor do viver?
um segundo
toda uma vida
em outro rumo

Qual Senhor
o tempo de uma vida?
um segundo
um outro mundo

Toda a construção rui
todos os planos
todos os segredos
toda dor
em um segundo

Qual o termo de uma vida?
Senhor do Universo
Qual a vida que escolhestes
para Teus filhos

em um segundo
se é tão sutil
mas  é eterno
aquele átimo
da dor que não se mede

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

TERNURA




Descanso da paixão
porto
solidão
colo dos amores
espaço
refrão

silêncio dos espasmos
espera
reflexão
boca da lira
espaço
refrão

memória dos amantes
procura
questão
desejo insano
espaço
refrão

prazer depois do prazer
gosto
paixão
colo dos amores
espaço
questão

idilio




quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Meu Tempo superficial

Escrever  é uma questão de procura
e existe um tempo superficial nesta busca
que torna a alma pobre na cobiça e não reduz as posses
mas limita o desejo sano das descobertas
Esse vazio das certezas deprime a sentinela
e não existe ternura no descanso da espera
apenas se angustia a ansiedade pelo fim da responsabilidade
e o novo saber  não repara o medo da próxima hora


idilio