terça-feira, 31 de dezembro de 2024

MERGULHAR NO INFINITO

 Mais alguns anos e seremos saudades

as lágrimas vertidas dos nossos entes queridos  e amigos

aos poucos transformar-se-ão em lembranças

estas

por sua vez

irão se tornando escassas

e aos poucos seremos nomes que serão apagados 


mais alguns anos e seremos

apenas o amor que semeamos

e esta colheita se estenderá 

de eternidade em eternidade


Descobriremos

tardiamente

que nossos sonhos terão sido em vão

e as nossas lágrimas 

tempo perdido

descobriremos do tempo que perdemos 

em contar estrelas

quando poderíamos ter olhado mais 

para o lado para somar sorrisos

para viver mais em família


neste ocaso

sentimos que a vida

não é uma sequência de atos

e sim percebemos que é um ato

neste palco do universo


descobrimos que a saudade 

não é lembrança de passado

e sim desejo de presença


e as ausências não voltam mais

e então choramos

não pela saudade

mas pelo tempo perdido


de repente 

mais que de repente

não temos mais pressa

e temos desejos inatingíveis

desejo de ensinar aos filhos 

os valores perdidos

e falar dos amores e de como é bom

mergulhar ás vezes no mar


mais alguns anos

apenas alguns anos

e mergulharemos no infinito



quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

a minha fé

 A vida é uma sequência

o que é improvável, ou seria única? 

o que também se revela improvável, 

porém entre a possibilidade e a plausibilidade,

o que pode revelar a verdade é a fé, 

ou melhor, a possibilidade de se tocar o real pela fé. 

Eu creio em um Deus onipotente e presente,

o que é possível sentir e vê, pela minha fé.

O cego vê o real pelo sentir o real

não com os olhos materiais

mas pela ótica da fé de que, o que não vê existe e é real.

Percebo Deus pela cosmovisão da minha fé

e sinto em mim a sua presença real naquilo que a minha fé pode tocar.

Se vivo várias vidas, 

o que é improvável

ou se vivo uma única vez

o que também é improvável

digo o viver material  e encarnado

não importa, pela efemeridade da afirmação, 

e sim importa sentir a plausibilidade da existência de Deus.

E o que falar sobre a possibilidade real da morte

e a efêmera existência 

com possibilidades de um novo corpo sem máculas e vícios 

conforme prometido nas escrituras. 

O corpo nu espera um novo corpo em evolução

ou espera um novo corpo perfeito após a uma jornada terrena única?

O que me importa

a encarnação nova em um novo corpo e sua natureza eterna ou efêmera? 

Em nada me importa se não a minha vontade única de ser imitador do Cristo.

Os prazeres da eternidade espiritual na carne

ou apenas no espírito

só terá sentido

se esse prazer estiver alinhado com a necessidade de se viver eternamente na presença de Deus.

A minha fé é o meu termômetro de eternidade.

Há quem viva sem fé e ainda assim vive,

há quem viva com fé e ainda assim eterniza a dúvida.

Diria eu que a minha eternidade teve início em algum momento da minha existência 

porém permeada pela minha fé não pelo que vejo e sim pelo que sinto

vê pelos olhos do espírito.

O que dirias em torno da possibilidade de um paraíso atemporal e imaterial? 

A respeito da única e plausível certeza da eternidade

na presença de Deus

como materialização do paraíso bíblico

dentro da perspectiva de sentir o amor de Deus em espírito e em verdade?

Eu diria que o paraíso é está na presença de Deus

e o inferno a presença da ausência de Deus. 

O que me faz assim crer?

Poderias inquerir de forma transversa, 

porém te respondo sinceramente: 

a minha fé ou tudo aquilo que toco com os sentidos de eternidade.

SOLIDÃO AGRESTE




Solidão agreste

Escrevi histórias 

Amei lindas fadas

Escrevi lendas e abri fendas 

Amargas

Padeci nas amarras da juventude

Derrotei leões e misturei tintas 

Sonhei na efemeridade dos devaneios

Imaginei me amado

Mero fado do desrespeito 

Só escremento

E mentiras retorcidas 

Imaginei me imortal

Hoje descalço os tamancos que me prendem 

E piso o chão nu
Feito de realidades que machucam a minha solidão agreste

Eis me aqui

Sem vislumbrar o que escrevi 
E no anonimato de mim

Sou leitor e protagonista do que vivi
Nada além de mim 
Pode ler o que retorci

Não encontro e nem
Visualizo
A terra prometida

Neste ocaso de vida 
Ah! Meu agreste
Lembranças que me restam 
Da Serra
Urubá

Recanto pioneiro do poeta 
Invisível 

De uma poesia rota e num solilóquio 
Emudecedor do desprezo 

Que só resta ecoar pelos montes
E morrer de medo 

Da solidão tão temida e presente
Na boca do ancião 
Que desperta na noite de mim

domingo, 6 de outubro de 2024

NEM NUS E NEM VESTIDOS. UMA ANÁLISE DO CAPÍTULO 5 DA SEGUNDA CARTA AOS CORÍNTIOS

A vida é uma sequência, o que é improvável, ou seria única? o que também se revela improvável, porém bíblico, entre a possibilidade e a plausibilidade, o que pode revelar a verdade é a fé, ou melhor, a possibilidade de se tocar o real pela fé.

Eu creio em um Deus onipotente e presente, o que é possível sentir e vê, pela minha fé. O cego vê o real pelo sentir o real não com os olhos materiais mas pela ótica da fé de que, o que não vê existe e é real.

Percebo Deus pela cosmovisão da minha fé e sinto em mim a sua presença real naquilo que a minha fé pode tocar. Se vivo várias vidas, o que é improvável ou se vivo uma única vez, e aguardo um novo corpo quando despido, digo o viver material e encarnado, não importa, pela efemeridade da afirmação, e sim importa sentir a plausibilidade da existência de Deus.

E o que falar sobre a possibilidade real da morte e a efêmera existência com possibilidades de um novo corpo sem máculas e vícios  conforme prometido nas escrituras? 

O corpo nu espera um novo corpo em evolução ou espera um novo corpo perfeito após  uma jornada terrena única, conforme Paulo em sua segunda carta aos Coríntios? O que me importa é o novo corpo e sua natureza eterna e não efêmera.

Em nada me importa se não a minha vontade única de ser imitador do Cristo (mais uma vez Paulo sendo citado). Os prazeres da eternidade espiritual na carne ou apenas no espírito só terá sentido se esse prazer estiver alinhado com a necessidade de se viver eternamente na presença de Deus. 

A minha fé é o meu termômetro de eternidade. Há quem viva sem fé e ainda assim vive, há quem viva com fé e ainda assim eterniza a dúvida. Diria eu que a minha eternidade teve início em algum momento da minha existência porém permeada pela minha fé não pelo que vejo e sim pelo que sinto vê pelos olhos do espírito. 

O que dirias em torno da possibilidade de um paraíso atemporal e imaterial? A respeito da única e plausível certeza da eternidade na presença de Deus como materialização do paraíso bíblico dentro da perspectiva de sentir o amor de Deus em espírito e em verdade? 

Eu diria que o paraíso é estar na presença de Deus e o inferno a presença da ausência de Deus. O que me faz assim crer? Poderias inquerir de forma transversa, porém te respondo sinceramente: a minha fé ou tudo aquilo que toco com os sentidos de eternidade.

Sabemos sinceramente, pela fé, e aqui entendo fé enquanto certeza das coisas que vejo com os olhos dessa mesma fé. Percebes a diferença entre viver pelos olhos da fé e apenas ter fé? a fé despida de certeza é apenas tentativa de eternidade, porém, fecha os olhos materiais e sente a presença de Deus, eis a materialização da tua fé, pois tocas o infinito de Deus neste momento.

Eu te convido a viver a acreditar naquilo que a tua fé pode tocar , do ponto de vista humano, exteriormente estamos nos desgastando, porém olhando pela fé, estamos nos renovando para a eternidade, nem nu e nem vestidos, mas na presença de Deus.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

VIDA BREVE

 Vida leve

e o mar espalha o que é breve

o que é brisa

e resta a vida

leve

o teu toque

tuas vestes em mim

e amanhã tu me vestes

de novo

vida breve

e a respiração esquece

o que é vida 

e amanhã

nada resta 

só a lembrança que será esquecida

por duas vidas 

sem vestes 

sem corpo 

sem esperas

sábado, 2 de março de 2024

Suzana

 te peguei na escola

naquele dia de fumaça

naquele tempo descalça

te levei pra chuva da madrugada

no barzinho da praça

colamos as faces e teu cheiro 

era meu espetáculo à parte

nem teu beijo fez parte

da nossa lembrança

te levei em segredo 

te deixei em casa 

na praça

na noite 

lá perto do mar

voltei e sigo 

te amando


O LABIRINTO DOS MEUS PEDAÇOS

 Penso até que cheguei atrasado 

sinto sim algo enganado

e já no ocaso dos cinquenta

aporto meio torto às portas da nova morada

fiz o melhor que há em mim

e fico assim sentado

sozinho na varanda da vida

e descubro tardiamente 

que não tem porto na minha espera

ainda lembro meus encantos

meu riso largo 

meus novos sapatos

os calos

o lago na miha espera 

e os desrespeitos nos jardins que pisei

agora me entrego sentado nos abismos 

e olhando o infinito que me espera

sinto um absoluto silêncio nesta minha solidão

não existe mais possibilidades de uma nova dança

rostos colados e pequenos afagos

despretensiosos afagos 

apenas quedo

aqui sentado

querendo dançar nos labirintos

dos meus pedaços