as palavras estão aí, uma a uma, que dirá minh'alma . Feliz Vida Para meus leitores do Brasil, Estados Unidos, Canadá, França, Cingapura, Ucrânia, Argentina, China, Rússia, Espanha, Portugal, Alemanha, Dinamarca , Reino Unido, Eslovênia, Itália, Mexico e Croácia













segunda-feira, 20 de julho de 2015

Orurubá

Moacir

terras entre serras
cantei as matas passadas
amei o viço agreste
serpentes de lá
sentei calçadas
na imensidão do lugar

desenhei o por do sol
sentado ao luar
fui rei do meu lugar

cantei prosas e cotovias
amei o cheiro e o lugar
arranhei esperanças
fui assim
Moacir do Ororubá

Hoje não resta
nem calçadas nem praças
hoje nem sei onde é o lugar
apenas gritei pelo nome
que me via por lá

Moacir vem pra cá
fecha os olhos
o cheiro do mato
a terra molhada a derramar
nostalgias pelo ar

A minha Pesqueira
e eu pala praça

Moacir vem pra cá
sai dessa esperança
a vista alcança
alí não é mais teu lugar

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Negra

Tua pele negra
que engole o dia que há em mim
negras fontes que umedecem
as matas por onde andei

Tua pele negra
que espanta o que ofusca
quando buscas
outras bocas
que encantam o laço
no ocaso
entre o morrer e o renascer
do desejo

tua pele negra
teus fantasmas
e a réstia do que fragmentou
a tua estrada

tua pele negra
e a sombra do secreto
que o dia deixou
sem sentir

prefiro tua negra luz
teu encanto
teu silêncio
e o teu enlaço
e em ti
peco-me
descalço

idilio

Deus está

Deus está aqui
e aqui é um lugar
dentro assim
em mim
em ti
em nós

Deus está aqui
por mim
por ti
no espelho
que é o outro
que reflete
que ele somos nós

Deus está aqui
no amor
na dor  que purifica
o andor

E em tudo que há
em ti
em mim
em nós

Deus está aqui
quando a música acabar
quando o trem passar
Ele nunca partiu
nem chegou
Ele está
aqui

idilio


quinta-feira, 14 de maio de 2015

ISA





Resta a tua presença
teu espaço em novos afagos
que te dei

resta a tua volta
em notas dos espelhos que nos viram
e a dúplice vontade de te ter
entre os braços

resta reinventar tua história
em novas esperas
do nosso longo afago

resta te amar longamente
feito fragmentos
e pedaços de mim

resta a tua presença
teus beijos
e meu grito por ti

Isadora

50 anos


Aportei aos 50
com o corpo molhado de histórias
de marcas
de sonhos rasgados
mas não desfeitos
de saudades das águas mornas
que escorriam em mim
das línguas exiladas
e das desocultadoras mentiras
negadas
cheio de desesperanças na espera pura
da cura das frias tumbas das casas da justiça
consequência e razão do imobilismo
e da descrença

aportei aqui
movido pela esperança
com incontida necessidade
de vomitar restos e vilipendiar
os testemunhos da desfaçatez
e da vergonha
cheio de reencontros e concretude
de histórias vãs

amei cada segundo da minha sensatez
sem se quer poder negar o privilégio de amar
sucumbi na pura espera vã
da alma secreta e devaneios da opressão
posterizei meu enlace e eternizei a desocultação
do meu idílio em tantos outros
idílios que inventei

quinta-feira, 16 de abril de 2015



Tudo é frágil
o dia reflete a efemeridade da vida
todo o esforço quebra no simples gesto
e em um átimo
a dor

frágil
a felicidade espalha medo do fim
o amor
ah! o símbolo real do descaso programado
a dor

todo o tempo desprendido
perdido
num instante 
e a espera quebra 
a dor do fracasso




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A ausência que seremos



Qual a ausência que seremos?
ou queremos não ser ausência
mas seremos

todavia o que importa
é saber se seremos a ausência
que queremos
mas já somos e seremos
ausência

qual a ausência que seremos?
para quem queremos ser
e quem derramará alegrias na ausência
que seremos
ou não haverá quem de presente sinta
a ausência que seremos
ou quem sinta
a presença da nossa ausência

eu quero derramar presença na ausência
esparramar meu sorriso nas lágrimas da ausência
pois não desejo ser lembrança e sim
andanças presente na ausência que serei

idilio